O regime de Microempreendedor Individual (MEI) foi criado com o objetivo de facilitar a formalização de pequenos negócios no Brasil. Com tributação simplificada e acesso a benefícios previdenciários, esse modelo jurídico atende milhões de brasileiros.
MEI: os principais deslizes que podem custar caro e tirar seu benefício
Evite prejuízos! Descubra os principais erros do MEI que causam multas, bloqueios e cancelamento de benefícios.
No entanto, embora ofereça diversas vantagens, o MEI exige atenção e responsabilidade. Erros comuns cometidos por quem adota esse regime podem levar a multas, cancelamentos de CNPJ, perda de direitos previdenciários e desenquadramento do Simples Nacional.
Neste artigo, explicamos os principais deslizes que todo MEI deve evitar para manter sua regularidade e aproveitar ao máximo os benefícios garantidos por lei.
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Principais erros que o MEI deve evitar

Ultrapassar o limite de faturamento
Teto atual e suas consequências
O faturamento anual permitido para quem atua como MEI é de R$ 81 mil. Quando esse valor é ultrapassado, o empreendedor corre o risco de ser desenquadrado do regime, o que pode implicar aumento de tributos e necessidade de mudança na estrutura contábil do negócio.
- Até 20% acima do limite (até R$ 97.200): o desenquadramento ocorre no ano seguinte.
- Acima de 20%: o desenquadramento é imediato, obrigando o MEI a se registrar como microempresa (ME).
Propostas para mudança
Tramita no Congresso o Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/2021, que propõe aumentar o limite de receita para R$ 130 mil anuais, além de permitir a contratação de dois funcionários. No entanto, ainda não há previsão para votação ou aprovação definitiva.
Deixar de pagar o DAS
O Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) é a guia mensal de pagamento dos tributos do MEI. Um erro recorrente é o empreendedor acreditar que, por não ter emitido nota fiscal ou não ter obtido receita no mês, está isento do pagamento. Isso é falso.
Consequências da inadimplência
- Multa e juros acumulados;
- Inscrição na dívida ativa da União;
- Bloqueio ou cancelamento do CNPJ;
- Impossibilidade de obter linhas de crédito e emitir nota fiscal;
- Risco de perda do enquadramento no Simples Nacional.
Mesmo sem receita, o DAS deve ser pago mensalmente. O não cumprimento dessa regra é um dos principais motivos para a exclusão do MEI do regime simplificado.
Não entregar a declaração anual
A Declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI) é obrigatória para todos os MEIs, inclusive os que não tiveram movimentação financeira no ano.
Prazos e penalidades
- Deve ser entregue até 31 de maio do ano seguinte ao exercício fiscal.
- O atraso gera multa mínima de R$ 50, podendo ser maior conforme o tempo de inadimplência.
- A omissão compromete o acesso a benefícios previdenciários, além de dificultar financiamentos, participação em licitações e até emissão de notas fiscais.
Prestar serviços não permitidos ao MEI
O MEI está restrito a uma lista de atividades econômicas permitidas, publicada periodicamente pelo governo federal. Profissões regulamentadas por conselhos de classe — como advogados, engenheiros e médicos — não podem ser enquadradas como MEI.
Riscos do enquadramento indevido
- Cancelamento do CNPJ;
- Multas por atuação irregular;
- Fiscalizações e impedimentos legais para continuidade da atividade.
Não observar a legislação local
Apesar da Lei da Liberdade Econômica permitir, desde 2020, o funcionamento de MEIs sem alvará, essa dispensa depende do aceite do Termo de Ciência e Responsabilidade. A dispensa não se aplica em casos de atividades de risco sanitário, ambiental ou de segurança, como manipulação de alimentos.
Importância de consultar a prefeitura
Cada município possui regras específicas. Em muitos casos, é necessário registro na prefeitura, na vigilância sanitária ou em órgãos ambientais. Ignorar essa etapa pode levar à interdição do negócio e à aplicação de penalidades administrativas.
Ter mais de um funcionário
A legislação permite ao MEI contratar apenas um funcionário com carteira assinada. Superar esse limite descaracteriza a modalidade.
Riscos legais
- Desenquadramento automático;
- Pagamento de tributos retroativos como microempresa;
- Multas trabalhistas por contratação irregular.
Não emitir nota fiscal quando obrigatório
A emissão de nota fiscal não é obrigatória para vendas a pessoas físicas, mas é obrigatória quando o cliente for pessoa jurídica (empresa). Ignorar essa exigência representa infração tributária.
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Mudanças a partir de 2027
A partir de 1º de janeiro de 2027, todos os MEIs deverão emitir nota fiscal eletrônica também para pessoas físicas. A mudança visa aumentar a transparência e combater a informalidade.
Misturar finanças pessoais e empresariais
Apesar de comum, o hábito de usar uma mesma conta bancária para despesas pessoais e empresariais compromete o controle financeiro e dificulta a comprovação de renda.
Consequências práticas
- Confusão nos registros contábeis;
- Problemas ao declarar rendimentos;
- Dificuldade para comprovar renda em financiamentos ou aposentadoria;
- Risco de autuações fiscais por movimentações suspeitas.
Como evitar problemas: boas práticas para o MEI

Mantenha-se informado
Acompanhar as regras atualizadas e estar atento aos prazos são atitudes essenciais. O Portal do Empreendedor é a principal fonte oficial de informações para MEIs.
Utilize serviços de contabilidade
Embora não obrigatório, contar com o apoio de um contador pode evitar erros que custam caro. Muitos serviços digitais oferecem consultoria contábil especializada para MEIs por preços acessíveis.
Organize documentos e receitas
Manter um controle rigoroso das notas fiscais, pagamentos de DAS, extratos bancários e receitas ajuda a prevenir erros e facilita o preenchimento da declaração anual.
Conclusão
O regime de Microempreendedor Individual foi criado para desburocratizar e incentivar a formalização de pequenos negócios. No entanto, a simplicidade do modelo não dispensa o compromisso com a legalidade e organização.
Ultrapassar o limite de faturamento, deixar de pagar tributos ou não entregar declarações pode acarretar consequências graves, inclusive a perda de benefícios como aposentadoria, auxílio-doença ou salário-maternidade.
Manter a regularidade é, portanto, essencial para que o MEI continue colhendo os frutos da formalização. A negligência com obrigações básicas pode transformar um regime vantajoso em uma dor de cabeça jurídica e financeira.
Imagem: Canva
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