Lojas, bares e restaurantes em diferentes regiões do país estão sendo obrigados a rever suas estratégias de contratação diante da escassez de mão de obra. O cenário, que afeta tanto o comércio quanto o setor de alimentação fora do lar, tem levado empresários a buscar soluções criativas para manter as operações funcionando, especialmente em períodos de alta demanda, como o verão.
Como lojas e restaurantes estão enfrentando a escassez de mão de obra em 2026
Comércio e restaurantes ampliam perfil de contratação, elevam salários e flexibilizam horários para enfrentar escassez de mão de obra.
A dificuldade não se restringe a cargos específicos. Ela atinge desde funções operacionais até posições que exigem maior especialização, tornando a contratação um dos principais desafios atuais para os empregadores.
Leia mais:
Rede de sorvetes fecha 500 lojas e se pronuncia após falência
Novos perfis ganham espaço nas contratações
Diante da falta de profissionais disponíveis, empresas passaram a ampliar o perfil dos candidatos. Pessoas sem experiência, jovens em início de carreira e trabalhadores mais velhos se tornaram públicos estratégicos para suprir as vagas em aberto.
Segundo a presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio de Vila Velha, Glenda Amaral, o problema é generalizado e exige adaptação por parte dos lojistas.
“Quando a gente fala do comércio, há ações como aumento do valor do comissionamento, melhor remuneração, oferta de benefícios não obrigatórios, como alimentação, horário mais flexível e contratação de pessoas mais velhas ou muito jovens”, afirma.
A estratégia tem permitido manter equipes completas, ao mesmo tempo em que cria oportunidades de inserção ou reinserção no mercado de trabalho.
Benefícios e flexibilidade viram diferencial competitivo
Além de ampliar o perfil dos candidatos, os empresários passaram a investir mais nas condições oferecidas. Aumento salarial, comissões mais atrativas e benefícios que não são obrigatórios por lei passaram a ser utilizados como ferramentas de atração e retenção de funcionários.
Horários flexíveis também ganharam relevância, principalmente para jovens adultos que conciliam trabalho com estudos e para pessoas mais velhas que buscam jornadas menos exaustivas.
Setor de bares e restaurantes sente pressão do verão
No segmento de bares, restaurantes e similares, a escassez de mão de obra se intensifica durante o verão, período marcado pelo aumento do turismo e da circulação de consumidores. A alta demanda amplia a disputa por trabalhadores e pressiona os estabelecimentos a oferecerem condições ainda mais competitivas.
De acordo com Rodrigo Vervloet, presidente do Sindicato dos Bares, Restaurantes e Similares do Espírito Santo, o desafio persiste mesmo com boas condições salariais.
“As condições do setor são muito boas em termos salariais e de benefícios, mas é claro que as empresas acabam melhorando ainda mais para tentar atrair profissionais. A escassez, porém, sempre tem sido um desafio”, afirma.
Criatividade e afinidade com o setor
Outra estratégia adotada pelos empresários é buscar profissionais que tenham afinidade com o segmento e com o atendimento ao público. A ideia é reduzir a rotatividade e formar equipes mais engajadas.
“Pessoas que gostem de lidar com o segmento e com o público. Trata-se de um setor que remunera relativamente bem e oferece chances de crescimento”, destaca Vervloet.
Além disso, muitos estabelecimentos passaram a reorganizar processos internos para depender de menos mão de obra, otimizando rotinas e redistribuindo funções.
Espírito Santo se destaca no crescimento do setor
Dados regionais mostram que o Espírito Santo lidera o crescimento nacional em serviços ligados ao lazer e à alimentação fora do lar. O avanço foi de 13,5% em um ano, impulsionado pelo turismo, pela gastronomia local e pela busca por experiências presenciais.
Somente no último trimestre de 2025, o setor abriu mais de 700 postos de trabalho em todo o estado, reforçando o dinamismo da atividade, mas também a dificuldade de encontrar profissionais em ritmo compatível com a expansão.
Formação interna vira oportunidade
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Para lidar com a escassez, algumas empresas passaram a apostar na formação interna. A Papelaria Rainha, no centro de Vila Velha, é um exemplo. O estabelecimento começou a contratar pessoas sem experiência, oferecendo treinamento no próprio local de trabalho.
Uma das contratadas é a repositora Maysa Oliveira Lima, de 18 anos, que iniciou recentemente no emprego. Além dela, uma funcionária com mais de 60 anos também passou a integrar a equipe.
“Enxergamos esse movimento como uma oportunidade de formação”, explica o empresário João Carlos de Ângelo, de 64 anos.
Otimismo com cautela para os próximos meses
Apesar do crescimento e da geração de vagas, os empresários reconhecem que o cenário ainda exige atenção. A inflação, o aumento do custo de insumos e a necessidade de manter empregos pressionam as margens dos negócios.
Mesmo assim, o setor demonstra otimismo. A adaptação das estratégias de contratação, aliada à reorganização das operações, tem sido fundamental para enfrentar a falta de mão de obra e sustentar o crescimento em um ambiente econômico desafiador.
Ajustes que vieram para ficar
A escassez de trabalhadores acelerou mudanças que tendem a se consolidar. Ampliação do perfil de contratação, investimento em benefícios e maior flexibilidade já não são vistos como exceção, mas como parte de um novo padrão de gestão de pessoas no comércio e na alimentação.
Para trabalhadores, o cenário abre oportunidades. Para empresas, exige planejamento, criatividade e capacidade de adaptação em um mercado cada vez mais competitivo.
Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.
Imagem: Freepik
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
