O terreno da Graça, localizado em um dos bairros mais tradicionais de Salvador, está prestes a entrar em um debate público importante na Câmara Municipal da capital baiana.
Espaço público da Graça deve virar condomínio de luxo
Projeto em Salvador quer transformar terreno da Graça em parque público, ampliando lazer e convivência na região tradicional.
O projeto de lei nº 319/2023, apresentado pelo vereador Hélio Ferreira (PCdoB), propõe a desapropriação do terreno com área de 8.391,65 m² para transformá-lo em um parque público de lazer e convivência.
A proposta, que será discutida em audiência pública na próxima quinta-feira, 14 de agosto, no plenário Cosme de Farias, visa ampliar as opções de áreas verdes no bairro, melhorando a qualidade de vida dos moradores e visitantes da região.
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Histórico e contexto do terreno da Graça

Localização estratégica e importância histórica
O terreno em questão está situado no coração do bairro da Graça, um dos bairros mais valorizados e tradicionais de Salvador, conhecido por sua arquitetura histórica e por ser um centro cultural da cidade.
Por sua localização privilegiada, o espaço desperta grande interesse tanto do poder público quanto do setor privado.
Interesse imobiliário versus uso público
Apesar da proposta de transformar o espaço em parque, o terreno é alvo de interesse da construtora Costa Andrade, que já possui alvará liberado pela Prefeitura para construir um condomínio de luxo no local.
A disputa entre o uso público e o privado torna a decisão sobre o futuro do terreno ainda mais relevante para o planejamento urbano de Salvador.
Proposta do vereador Hélio Ferreira
Projeto de lei nº 319/2023
O projeto apresentado pelo vereador Hélio Ferreira pede que o terreno seja declarado de utilidade pública para fins de desapropriação, possibilitando sua transformação em parque.
Na justificativa do projeto, o parlamentar destaca a necessidade de ampliar as áreas verdes e os espaços de convivência em Salvador, ressaltando que o bairro da Graça carece desse tipo de infraestrutura.
Benefícios ambientais, sociais e econômicos
Segundo Ferreira, a criação do parque público visa oferecer à comunidade local um espaço para atividades recreativas, esportivas e culturais, promovendo o bem-estar e a integração social.
Além disso, o parlamentar aponta que o parque contribuirá para a preservação ambiental em meio à área urbana, valorização do entorno e desenvolvimento de programas de educação ambiental.
Manutenção da Feira da Fraternidade e vagas de estacionamento
O projeto também prevê a continuidade da Feira da Fraternidade, tradicional evento realizado no local há mais de 40 anos, além da criação de vagas de estacionamento que poderão atender à Igreja da Vitória e aos frequentadores do parque.
Trâmite legislativo e audiência pública
Importância da audiência pública
A audiência pública, organizada pela Comissão de Planejamento Urbano da Câmara, tem o objetivo de debater os impactos do projeto sob os aspectos jurídicos, técnicos, ambientais e sociais. Será uma oportunidade para ouvir representantes da sociedade civil, órgãos técnicos e interessados no assunto.
Processo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)
Atualmente, o projeto está sob análise da Comissão de Constituição e Justiça, presidida pelo vereador Sidninho (PP). Após a audiência pública, será designado um relator para conduzir a discussão e a votação do projeto.
Possível impacto sobre o mercado imobiliário local
Fontes ouvidas afirmam que a tramitação do projeto já gerou apreensão entre investidores que adquiriram imóveis na planta na região, com relatos de desistências motivadas pela incerteza sobre o futuro uso do terreno.
O conflito entre urbanismo e mercado imobiliário
Valorização imobiliária e pressão para construções de luxo
O bairro da Graça é conhecido pelo alto valor imobiliário, o que atrai construtoras interessadas em empreendimentos residenciais de alto padrão. A construtora Costa Andrade já possui alvará para construir um condomínio de luxo no terreno, o que geraria retorno financeiro significativo.
Uso público versus interesses privados
A proposta de transformar o terreno em parque público representa um contraponto ao crescimento imobiliário desenfreado, buscando preservar áreas verdes e espaços coletivos para a população, sobretudo em uma cidade que carece de infraestrutura desse tipo.
Experiência de outras cidades
Em muitas cidades brasileiras, áreas antes destinadas a empreendimentos privados foram convertidas em parques e praças públicas para melhorar a qualidade de vida urbana, frear a especulação imobiliária e garantir o direito ao lazer e à convivência comunitária.
Impactos esperados com a desapropriação e criação do parque
Benefícios ambientais
A implantação do parque contribuirá para a redução da ilha de calor urbana, melhora da qualidade do ar e preservação da biodiversidade local, criando um pulmão verde em meio à área urbana densa.
Melhorias na qualidade de vida e saúde
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Espaços verdes públicos favorecem a prática de exercícios físicos, lazer ao ar livre e promovem o equilíbrio mental e emocional dos moradores, além de incentivar a socialização entre diferentes grupos sociais.
Incentivo à cultura e ao convívio social
Com a manutenção da Feira da Fraternidade e possibilidade de eventos culturais, o parque poderá se tornar um ponto de encontro para manifestações artísticas e culturais, fortalecendo o senso de comunidade.
Valorização do entorno
A criação de áreas verdes e de lazer costuma valorizar os imóveis ao redor, gerando ganhos econômicos indiretos para os moradores locais, além de melhorar a imagem do bairro como um todo.
Procedimentos legais para desapropriação
Fundamento jurídico
O vereador Hélio Ferreira destaca que a desapropriação está amparada na legislação federal que permite o uso do instituto para fins de utilidade pública, desde que respeitados os procedimentos legais.
Modalidades e recursos financeiros
A desapropriação poderá ser feita judicialmente ou por acordo, utilizando recursos de dotações orçamentárias municipais, com suplementação se necessária. O processo deverá ser transparente e seguir rigorosamente a legislação vigente.
Expectativas e próximos passos

Audiência pública como momento decisivo
A audiência do dia 14 será fundamental para o futuro do terreno, reunindo opiniões e estudos técnicos que poderão influenciar a decisão final sobre o projeto.
Desafios para conciliar interesses
O debate entre o uso público e a pressão do mercado imobiliário deverá ser conduzido com equilíbrio, buscando o melhor para a comunidade e o desenvolvimento sustentável do bairro da Graça.
Papel da sociedade civil
A participação popular será essencial para garantir que o projeto atenda às necessidades da população, evitando que o espaço seja privatizado em detrimento do interesse coletivo.
Considerações finais
O destino do terreno da Graça representa um momento crucial para o urbanismo de Salvador, colocando em evidência os desafios de equilibrar desenvolvimento econômico com qualidade de vida e sustentabilidade urbana.
A proposta de transformar o espaço em parque público reflete uma demanda crescente por áreas verdes e convivência social na capital baiana.
A decisão da Câmara Municipal, a partir da audiência pública, será decisiva para definir se o local continuará como um espaço público para todos ou se será privatizado para uso residencial de luxo.
