O mercado de aplicativos de entrega no Brasil está em plena expansão, movimentando bilhões de reais e atraindo novos concorrentes. Nesse ambiente altamente competitivo, vieram à tona denúncias de que empresas como iFood e 99Food teriam se tornado alvos de tentativas de espionagem corporativa.
Espionagem no iFood e 99? Entenda a situação
iFood e 99Food denunciam tentativas de espionagem corporativa no Brasil em meio à disputa acirrada no setor de delivery.
Segundo informações divulgadas, consultorias internacionais e nacionais estariam oferecendo recompensas financeiras a funcionários, desde entregadores até executivos de alto escalão, em troca de dados estratégicos. O objetivo seria obter informações privilegiadas sobre operação, receitas e planos de expansão.
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Como funcionariam as tentativas de espionagem

Abordagens diretas a colaboradores
Relatos apontam que empresas de pesquisa e consultoria têm feito ofertas de dinheiro a trabalhadores do setor. Os valores variam de pequenas quantias, como R$ 5 por uma simples foto de rota de entrega, até cifras expressivas, ultrapassando R$ 5 mil por uma hora de conversa online com gestores.
Informações cobiçadas
Entre os principais interesses dessas consultorias estão dados como:
- número de usuários ativos;
- custos de operação e logística;
- estratégias de marketing;
- participação de mercado;
- metas de crescimento.
Na prática, esse tipo de informação pode oferecer vantagem competitiva para empresas que buscam avançar no setor sem investir no mesmo nível de pesquisa ou desenvolvimento.
O cenário competitivo: quem disputa o mercado
O iFood é líder isolado no mercado brasileiro de delivery, seguido pelo Rappi. No entanto, novos concorrentes vêm ampliando a disputa:
- 99Food: braço da chinesa DiDi Global, que já atua no Brasil no transporte por aplicativo.
- Keeta: da gigante chinesa Meituan, entrou recentemente no país.
A chegada desses competidores elevou a pressão sobre o iFood, que ainda domina a maior parte dos pedidos de entrega no Brasil, mas enfrenta o desafio de manter sua posição em meio a um cenário cada vez mais fragmentado.
Reação das empresas de delivery
Posição do iFood
O iFood classificou as abordagens como “espionagem corporativa” e afirmou que enfrenta um “ataque coordenado e sistemático”. A companhia emitiu notificações extrajudiciais para exigir que as consultorias interrompam os contatos com seus funcionários.
Resposta da 99Food
A 99Food confirmou que seus colaboradores foram procurados, mas negou qualquer envolvimento em práticas ilegais para obter informações da concorrência. Em nota, a empresa destacou que atua dentro das normas legais e éticas do setor.
Declaração da Keeta
Já a Keeta afirmou não ter contratado consultorias para esse tipo de atividade e ressaltou que adota padrões regulares de recrutamento e pesquisa de mercado.
Implicações legais e riscos
O que diz a legislação brasileira
Especialistas em compliance e direito empresarial explicam que esse tipo de conduta pode ser caracterizado como concorrência desleal, prevista tanto na Lei de Propriedade Intelectual quanto no Código Penal.
Possíveis penalidades
- Prisão: pena de três meses a um ano;
- Multas: aplicadas tanto para quem oferece quanto para quem aceita a vantagem financeira;
- Danos à reputação: risco elevado de abalo de imagem para empresas envolvidas.
Além da esfera criminal, casos como esse podem gerar ações cíveis por danos morais e materiais, já que o uso de informações privilegiadas pode afetar diretamente o valor de mercado das companhias.
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O impacto para o setor de delivery

Competição em alta
O mercado de entregas no Brasil continua em ascensão, impulsionado pelo crescimento do e-commerce e da digitalização de restaurantes. A disputa tende a se intensificar, com empresas nacionais e estrangeiras buscando expandir suas operações.
Especialistas defendem inovação
Apesar da pressão competitiva, especialistas reforçam que a competição saudável deve ocorrer pela inovação, qualidade de atendimento, tecnologia e preços competitivos, e não por práticas de espionagem.
Segundo analistas, a tentativa de burlar regras pode trazer ganhos de curto prazo, mas compromete a sustentabilidade do negócio a longo prazo.
O que esperar daqui para frente
O episódio de espionagem envolvendo iFood e 99Food revela o quanto o setor se tornou estratégico no Brasil. A alta lucratividade atrai concorrentes internacionais e torna o ambiente de negócios mais disputado.
Ainda que a apuração esteja em andamento, a tendência é que empresas reforcem suas áreas de compliance e segurança da informação, com maior vigilância sobre vazamento de dados e contato de terceiros com funcionários.
Para os usuários, no entanto, o impacto imediato tende a ser limitado. A expectativa é que a disputa, mesmo com episódios polêmicos, resulte em melhorias no serviço, com mais promoções, prazos de entrega reduzidos e novas funcionalidades nos aplicativos.
Conclusão
As denúncias de tentativas de espionagem contra iFood e 99Food expõem um lado sombrio da disputa no mercado de delivery brasileiro. Embora o setor continue crescendo em ritmo acelerado, a pressão competitiva está levando algumas empresas a buscar atalhos que colocam em risco a ética empresarial e a legalidade.
O caso deve servir de alerta para que a competição se mantenha dentro dos limites legais, priorizando inovação e qualidade no serviço. Afinal, a confiança do consumidor é um dos maiores ativos para qualquer empresa que atua em um mercado tão dinâmico e essencial no dia a dia dos brasileiros.
Imagem: Nirat.pix / shutterstock.com

