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PF mira fraude de R$ 3,5 milhões no INSS e prende estagiário de agência

Operação em Salvador investiga alterações indevidas em 97 benefícios do INSS. Fraude causou prejuízo de R$ 3,5 milhões, segundo o governo.

Bruna MachadoPor Bruna Machado··13 min de leitura
inss fraude

Um acesso que deveria ser utilizado para atividades administrativas dentro de uma agência do INSS teria servido para alterar benefícios e desviar recursos públicos. A investigação resultou na prisão temporária de um estagiário de 21 anos em Salvador e revelou uma fraude que já teria movimentado cerca de R$ 3,5 milhões.

A Operação Representante Ilegal foi deflagrada pela Polícia Federal em parceria com a área de inteligência do Ministério da Previdência Social. Até o momento, 97 benefícios estão relacionados às irregularidades identificadas.

O dado mais alarmante, porém, é uma projeção apresentada pelos investigadores. Caso os pagamentos irregulares continuassem, o prejuízo poderia chegar a aproximadamente R$ 99 milhões.

A operação ainda está em andamento. Por isso, os envolvidos devem ser tratados como investigados, sem antecipação de culpa, até que as responsabilidades sejam definidas pela Justiça.

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O que aconteceu na agência do INSS em Salvador?

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A Polícia Federal deflagrou a Operação Representante Ilegal em 25 de agosto de 2026 para apurar a inserção de informações falsas nos sistemas do Instituto Nacional do Seguro Social.

A investigação concentra-se em uma agência da Previdência Social localizada no bairro de Itapuã, em Salvador.

Durante a operação, os agentes cumpriram dois mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária. A pessoa presa é um jovem de 21 anos que trabalhava como estagiário na unidade, segundo informações divulgadas pela imprensa local.

Outro jovem, de 18 anos, também foi alvo de busca e apreensão. Os investigadores procuram identificar quem mais teria participado do esquema e qual foi a extensão total das irregularidades.

A ação foi conduzida pela Polícia Federal com a colaboração da Coordenação-Geral de Inteligência da Previdência Social e da Diretoria de Tecnologia da Informação do INSS.

Como a fraude teria funcionado?

As apurações apontam que os envolvidos realizavam alterações indevidas nos sistemas corporativos do INSS. Para isso, teriam utilizado credenciais de acesso pertencentes a servidores da própria agência.

Credencial é a combinação de usuário, senha e demais formas de autenticação que permite entrar em um sistema. Ela também determina quais informações a pessoa pode consultar ou modificar.

Segundo o Ministério da Previdência, uma das alterações investigadas foi o cadastramento irregular de representantes legais em benefícios previdenciários, sem o conhecimento ou a autorização dos verdadeiros titulares.

A investigação também apura a reativação de benefícios anteriormente suspensos. Com a mudança dos dados internos, pagamentos que não deveriam ser liberados teriam voltado a gerar depósitos.

O acesso ao sistema, portanto, não criava dinheiro novo. Ele permitia modificar registros de benefícios já existentes para direcionar, reativar ou facilitar o recebimento irregular de parcelas.

O que é um representante legal no INSS?

O representante legal é uma pessoa autorizada a agir em nome de um beneficiário que não pode praticar sozinho determinados atos da vida civil.

É o que pode ocorrer com menores de idade ou pessoas que precisam de tutor, curador, guardião judicial ou administrador provisório.

Dependendo da situação, o representante pode solicitar serviços, acompanhar processos e receber pagamentos em nome do titular. Por isso, a inclusão dessa pessoa no cadastro é uma alteração sensível.

O representante precisa comprovar legalmente que possui autorização para exercer essa função. Não basta informar um nome ou apresentar uma declaração informal.

Quando um representante é cadastrado sem autorização, o titular verdadeiro corre o risco de perder o controle sobre informações e movimentações relacionadas ao benefício.

No caso investigado em Salvador, a suspeita é de que representantes tenham sido incluídos fraudulentamente para permitir o recebimento indevido dos pagamentos.

Quantos benefícios foram fraudados?

A investigação identificou, até agora, 97 benefícios relacionados ao esquema. Os pagamentos indevidos teriam causado um prejuízo aproximado de R$ 3,5 milhões.

Essa é a estimativa do dano já ocorrido, considerando os valores que efetivamente teriam sido pagos de maneira irregular.

O número ainda pode mudar. A Polícia Federal continua analisando dados e materiais apreendidos para verificar se existem outros benefícios atingidos, pessoas envolvidas ou pagamentos não contabilizados.

A PF informou oficialmente que as investigações prosseguem para identificar outros integrantes e delimitar a extensão real dos prejuízos. A operação recebeu o nome de Representante Ilegal justamente em referência ao suposto cadastramento fraudulento nos benefícios. Polícia Federal

Por que também aparece o valor de R$ 99 milhões?

Os R$ 99 milhões não representam o dinheiro que já foi desviado.

Esse valor é uma projeção feita pela Coordenação-Geral de Inteligência da Previdência Social. O cálculo estima quanto os cofres públicos poderiam perder caso os 97 benefícios continuassem gerando pagamentos indevidos durante todo o período previsto.

A diferença é importante:

  • R$ 3,5 milhões correspondem ao prejuízo estimado já causado;
  • R$ 99 milhões correspondem ao prejuízo projetado que poderia ocorrer no futuro.

Ao interromper os pagamentos e identificar as alterações, a operação teria evitado a continuidade das irregularidades.

O Ministério da Previdência não detalhou publicamente todos os critérios usados no cálculo. A projeção provavelmente considera o valor mensal dos benefícios e o tempo durante o qual continuariam sendo pagos, mas a metodologia completa não foi apresentada no comunicado.

Por isso, não é correto afirmar que R$ 99 milhões foram roubados. O valor efetivamente associado aos pagamentos já realizados é de aproximadamente R$ 3,5 milhões, enquanto o restante representa dano potencial. Ministério da Previdência Social

Como a fraude foi descoberta?

A investigação começou cerca de quatro meses antes da operação, após a identificação de movimentações suspeitas nos sistemas do INSS.

Os sistemas públicos registram ações realizadas pelos usuários. Esses registros, conhecidos como logs, podem mostrar quem acessou determinada informação, quando o acesso ocorreu e quais dados foram modificados.

Quando aparece um volume incomum de alterações, acessos em horários atípicos ou movimentações incompatíveis com a função de um usuário, os controles de segurança podem gerar alertas.

No caso de Salvador, as movimentações suspeitas levaram a uma análise mais aprofundada. A partir daí, os investigadores teriam identificado o uso indevido das credenciais de servidores e as alterações nos benefícios.

O fato de a apuração ter começado com alertas internos mostra a importância do monitoramento. Ao mesmo tempo, o episódio levanta dúvidas sobre como pessoas sem autorização formal conseguiram utilizar acessos com capacidade para alterar dados sensíveis.

Estagiário pode acessar sistemas do INSS?

Estagiários podem precisar consultar sistemas ou executar tarefas administrativas dentro de uma agência, sempre de acordo com suas atribuições e sob supervisão.

Isso não significa que possam utilizar a senha de outra pessoa ou realizar qualquer alteração. Cada acesso deve ser individual, limitado às atividades autorizadas e capaz de identificar o responsável por cada operação.

O compartilhamento de credenciais é uma falha grave de segurança. Quando várias pessoas usam o mesmo usuário e senha, fica mais difícil descobrir quem realizou determinada ação.

Além disso, uma credencial de servidor pode possuir permissões superiores às necessárias para um estagiário. Se esse acesso for compartilhado, o princípio de limitar cada pessoa ao mínimo necessário deixa de ser respeitado.

A investigação deverá esclarecer como as credenciais foram obtidas, se houve compartilhamento voluntário, descuido, captura de senha ou colaboração de outros participantes.

A fraude atingiu aposentados e pensionistas?

Os comunicados oficiais não detalham quais tipos de benefícios formavam o conjunto dos 97 casos nem informam se todos os titulares foram vítimas sem participação no esquema.

A inclusão de representantes sem autorização, entretanto, indica que beneficiários legítimos podem ter tido seus cadastros alterados sem conhecimento.

Também existe a possibilidade de parte dos benefícios suspensos estar relacionada a irregularidades anteriores. Caberá à investigação separar os titulares legítimos, as vítimas e os participantes da fraude.

Um beneficiário cujo pagamento foi suspenso ou modificado não deve concluir automaticamente que seu caso está relacionado à operação de Salvador. Existem diversos motivos administrativos para bloqueios, suspensões e revisões no INSS.

A confirmação precisa ser feita diretamente pelo Meu INSS, pela Central 135 ou por atendimento oficial.

Benefícios legítimos serão cancelados?

A operação não autoriza o cancelamento coletivo de benefícios pagos em Salvador ou em outras regiões.

O INSS deverá analisar individualmente os 97 casos. Quando a irregularidade estiver apenas no cadastramento do representante, pode ser necessário excluir o registro falso e devolver o controle ao titular legítimo.

Se o próprio benefício tiver sido concedido ou reativado sem o cumprimento dos requisitos, ele poderá ser suspenso ou cancelado após o procedimento administrativo aplicável.

O beneficiário de boa-fé deve ter oportunidade de apresentar documentos e esclarecer a situação. A simples identificação de uma alteração suspeita não significa que o titular participou do esquema.

Como saber se houve alteração no benefício?

Aposentados, pensionistas e demais beneficiários podem acompanhar informações pelo site ou aplicativo Meu INSS.

O primeiro documento que deve ser consultado é o Extrato de Pagamento. Ele apresenta o valor depositado, a data, o banco responsável e os descontos aplicados.

Também é recomendável verificar:

  • histórico de créditos recebidos;
  • banco e local de pagamento;
  • empréstimos consignados;
  • mensalidades e descontos;
  • pedidos feitos em nome do titular;
  • procurações ou representações cadastradas;
  • alterações recentes nos dados do benefício.

Segundo o próprio INSS, o Extrato de Pagamento permite visualizar o histórico, a instituição pagadora, os valores e os descontos efetuados.

Uma mudança de banco não solicitada, representante desconhecido ou desaparecimento inesperado do pagamento deve ser comunicado imediatamente.

O que fazer ao encontrar um representante desconhecido?

O beneficiário deve procurar os canais oficiais do INSS e registrar que não reconhece o representante.

O pedido de exclusão pode ser realizado pelos serviços do Meu INSS, dependendo do tipo de representação. Também é possível obter orientação pela Central 135.

É importante reunir documentos pessoais, número do benefício, extratos e capturas de tela que mostrem a informação irregular.

Quando houver indício de uso indevido dos dados, o titular também pode:

  • registrar uma denúncia na Ouvidoria;
  • fazer um boletim de ocorrência;
  • alterar a senha da conta Gov.br;
  • ativar a verificação em duas etapas;
  • revisar os dispositivos conectados à conta;
  • conferir empréstimos e descontos no benefício.

O registro rápido ajuda a evitar novas movimentações e cria uma prova da data em que a irregularidade foi comunicada.

A senha do Gov.br deve ser alterada?

Se o beneficiário notar acessos desconhecidos, pedidos não reconhecidos ou modificações em seus dados, deve trocar a senha imediatamente.

Também é recomendável ativar a verificação em duas etapas. Essa proteção exige uma confirmação adicional além da senha e dificulta o acesso por terceiros.

A fraude investigada em Salvador teria utilizado credenciais internas de servidores, e não necessariamente as senhas Gov.br dos beneficiários. Mesmo assim, proteger a conta pessoal é uma medida preventiva importante.

O titular nunca deve entregar senha, código de autenticação ou acesso ao celular para intermediários. O INSS alerta que dados repassados a terceiros podem ser utilizados para empréstimos, abertura de contas e outras fraudes.

Como denunciar suspeitas de fraude no INSS?

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A denúncia pode ser registrada pela Ouvidoria, por meio da plataforma Fala.BR, ou com orientação da Central 135.

O telefone 135 funciona de segunda-feira a sábado, das 7h às 22h. O atendimento pode orientar sobre serviços, bloqueios, alterações cadastrais e formas de registrar uma manifestação.

Se a pessoa compartilhou documentos, sofreu prejuízo ou teve a identidade utilizada, também é aconselhável registrar um boletim de ocorrência.

Ao denunciar, informe o máximo possível de detalhes:

  • número do benefício;
  • datas das alterações;
  • valores envolvidos;
  • nomes ou contatos dos suspeitos;
  • protocolos de atendimento;
  • documentos e mensagens recebidas;
  • movimentações que não reconhece.

Não é necessário pagar intermediários para registrar uma denúncia ou consultar o benefício.

Quais crimes estão sendo investigados?

Segundo o Ministério da Previdência, os envolvidos poderão responder por estelionato qualificado, associação criminosa e inserção de dados falsos nos sistemas da Previdência Social.

O estelionato qualificado envolve a obtenção de vantagem indevida mediante fraude contra entidade pública ou programa social.

A associação criminosa ocorre quando três ou mais pessoas se unem com a finalidade de cometer crimes.

Já a inserção de dados falsos ocorre quando informações inverídicas são incluídas ou dados verdadeiros são alterados indevidamente em sistemas da administração pública.

As penas e a responsabilidade de cada investigado dependerão das provas reunidas, da denúncia apresentada pelo Ministério Público e do julgamento. A prisão temporária serve para apoiar a investigação e não equivale a uma condenação.

O que a operação revela sobre a segurança do INSS?

Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

A Operação Representante Ilegal expõe dois lados do controle de segurança.

De um lado, o monitoramento identificou movimentações suspeitas e permitiu interromper pagamentos que poderiam causar um prejuízo muito maior. Isso mostra que os registros internos podem ajudar a detectar alterações fora do padrão.

De outro, a suspeita de uso de credenciais de servidores por estagiários indica uma possível fragilidade na administração dos acessos.

Sistemas que tratam benefícios previdenciários precisam adotar práticas como:

  • acesso individual e intransferível;
  • autenticação em mais de uma etapa;
  • limitação de permissões por função;
  • alertas para movimentações incomuns;
  • revisão periódica dos usuários autorizados;
  • bloqueio rápido de credenciais comprometidas;
  • supervisão de estagiários e prestadores;
  • auditoria das alterações feitas nos benefícios.

A investigação deverá mostrar se houve falha de procedimento, participação de servidores, compartilhamento de senha ou alguma outra forma de obtenção do acesso.

Operação continua em busca de outros envolvidos

A prisão do estagiário e as buscas realizadas em Salvador representam uma etapa da investigação, não seu encerramento.

A Polícia Federal pretende identificar outros integrantes da organização, verificar a participação individual de cada suspeito e calcular o prejuízo real.

Também será necessário analisar o destino dos pagamentos. Essa etapa pode revelar contas utilizadas para receber os valores e possíveis intermediários responsáveis por movimentar o dinheiro.

Para os beneficiários, a operação não muda automaticamente as regras do INSS nem exige comparecimento imediato às agências.

O cuidado recomendado é acompanhar os extratos e os dados cadastrais pelos canais oficiais. Qualquer representante desconhecido, mudança de banco ou pagamento fora do padrão deve ser comunicado ao instituto.

Perguntas frequentes sobre a fraude no INSS em Salvador

Quanto foi desviado na fraude investigada?

Os 97 benefícios identificados teriam gerado aproximadamente R$ 3,5 milhões em pagamentos indevidos.

O prejuízo foi de R$ 99 milhões?

Não. Os R$ 99 milhões representam uma projeção do prejuízo que poderia ocorrer se os pagamentos continuassem. O dano já estimado é de R$ 3,5 milhões.

Quem foi preso na operação?

Um estagiário de 21 anos de uma agência do INSS em Itapuã, Salvador, foi preso temporariamente. A prisão não equivale a uma condenação.

Como os benefícios eram alterados?

Segundo as investigações, eram usadas indevidamente credenciais de servidores para realizar mudanças nos sistemas, incluindo o cadastramento de representantes sem autorização.

O que é representante legal no INSS?

É a pessoa autorizada a agir em nome de um beneficiário civilmente incapaz, como tutor, curador, guardião judicial ou administrador provisório.

Como saber se meu benefício foi alterado?

Acesse o Meu INSS e consulte o Extrato de Pagamento, pedidos recentes, banco pagador, descontos e informações de representação.

O que fazer se aparecer um representante desconhecido?

Comunique imediatamente o INSS pelo Meu INSS ou pela Central 135, peça orientação para excluir o registro e faça uma denúncia na Ouvidoria.

A operação pode suspender benefícios legítimos?

Não existe previsão de suspensão coletiva. Cada benefício investigado deverá ser analisado individualmente, preservando os direitos dos titulares de boa-fé.

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