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ChatGPT atrapalha ou ajuda? Estudantes que usam aprendem menos?

Descubra se o uso do ChatGPT atrapalha a aprendizagem. Veja dados, opiniões e implicações. Leia agora e reflita!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
Mão digitando em teclato com tela escrito Chat GPT

O uso da inteligência artificial generativa, como o ChatGPT, vem crescendo vertiginosamente entre estudantes universitários.

Embora a ferramenta ofereça facilidades inegáveis para a redação de textos e resolução de tarefas, surgem dúvidas cada vez mais frequentes sobre os efeitos desse uso na aprendizagem real. Afinal, estudantes que utilizam IA para escrever aprendem menos?

Essa é a pergunta que vem intrigando educadores, pesquisadores e especialistas em neurociência. Um estudo recente conduzido por pesquisadores do MIT ganhou destaque por sugerir que o uso do ChatGPT em tarefas acadêmicas pode estar ligado a uma menor atividade cerebral e a produções menos críticas e originais. Mas o debate está longe de ser conclusivo.

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Experimento do MIT: ChatGPT vs cérebro humano

ChatGPT
Imagem: Canva

Como foi conduzido o estudo?

O estudo preliminar realizado por uma equipe do Massachusetts Institute of Technology (MIT) envolveu 54 estudantes da região de Boston. Eles foram divididos em três grupos:

  • Grupo 1: Usou o ChatGPT para escrever textos.
  • Grupo 2: Usou mecanismos de busca.
  • Grupo 3: Escreveu com base apenas em seus próprios conhecimentos.

Os participantes realizaram três sessões de escrita com intervalos ao longo de alguns meses. A equipe utilizou eletroencefalogramas para medir a atividade cerebral durante o processo.

Quais foram os resultados?

Os textos produzidos com o auxílio do ChatGPT apresentaram desempenho inferior em comparação aos dos demais grupos. Além disso:

  • Menor conectividade cerebral: Estudantes que usaram IA mostraram menor conexão entre áreas do cérebro.
  • Memória de curto prazo afetada: Mais de 80% dos usuários de IA não conseguiram lembrar trechos dos textos que haviam acabado de escrever.
  • Copiar e colar: Ao final da terceira sessão, muitos alunos pareciam apenas replicar informações da IA sem interpretação crítica.
  • Textos “sem alma”: Avaliadores identificaram facilmente os textos escritos com IA devido à ausência de profundidade, originalidade e reflexão pessoal.

Olhar dos professores: o que mudou em sala de aula?

Relato da professora Jocelyn Leitzinger

A professora Jocelyn Leitzinger, da Universidade de Illinois, compartilhou uma experiência reveladora: ao pedir que os alunos escrevessem sobre episódios de discriminação que viveram, ela percebeu que muitos textos apresentavam histórias genéricas com personagens fictícios — frequentemente chamadas “Sally”.

A conclusão? Alunos estavam terceirizando a própria vivência para a IA. “Eles nem escreviam sobre suas vidas”, relatou.

Leitzinger estima que cerca de 50% de seus 180 alunos usaram o ChatGPT de forma inadequada em trabalhos, inclusive para discutir temas éticos sobre a própria IA — criando um paradoxo.

Redação sem erros, mas sem essência

Outro ponto levantado por Leitzinger é a mudança no tipo de erro cometido. Antes do ChatGPT, erros gramaticais e ortográficos eram comuns. Agora, os textos estão tecnicamente corretos, mas empobrecidos em termos de criatividade, argumentação e pensamento crítico.

O que dizem os especialistas em neurociência?

Limitações do estudo

A neurocientista Ashley Juavinett, da Universidade da Califórnia em San Diego, alerta para a necessidade de cautela. Embora os dados sejam interessantes, ela destaca que o estudo não oferece rigor metodológico suficiente para afirmar que o ChatGPT causa impacto negativo direto no cérebro.

Além disso, a amostra é pequena, e os efeitos a longo prazo ainda são desconhecidos.

Possibilidades positivas

Curiosamente, quando o grupo que nunca havia usado ChatGPT foi exposto à ferramenta pela primeira vez, demonstrou aumento de conectividade cerebral. Isso indica que o uso consciente e moderado da IA pode estimular novas formas de raciocínio, desde que o estudante já tenha desenvolvido habilidades cognitivas básicas.

IA e educação: ferramenta ou atalho?

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Comparações com a calculadora

A chegada da IA nas salas de aula é comparada por alguns especialistas com a introdução da calculadora. À época, professores temiam que alunos deixassem de aprender matemática básica. Com o tempo, no entanto, a calculadora se tornou uma ferramenta complementar ao ensino, desde que usada no momento apropriado.

O mesmo raciocínio pode ser aplicado ao ChatGPT. Se utilizado antes do domínio das habilidades de escrita e pensamento crítico, pode prejudicar a formação do aluno. Mas, quando integrado de maneira planejada, pode ampliar a capacidade de produção, análise e síntese.

Escrever é pensar

“Escrever é pensar; pensar é escrever”, defende Leitzinger. A escrita exige organização mental, seleção de ideias e argumentação. Se esse processo é terceirizado à IA, o aluno pode estar abrindo mão justamente da etapa essencial do aprendizado.

Como lidar com o ChatGPT na educação?

ChatGPT
Imagem: Canva

Papel dos educadores

Diante desse novo cenário, educadores precisam revisar suas estratégias. Propostas de atividades mais pessoais, orais ou baseadas em experiências reais podem dificultar o uso indevido da IA. Além disso, é fundamental debater abertamente os limites e as possibilidades da ferramenta em sala de aula.

Importância da alfabetização digital crítica

A escola deve formar estudantes capazes de usar a IA com ética, criticidade e autonomia. Isso significa compreender como a tecnologia funciona, reconhecer seus vieses e avaliar quando é apropriado utilizá-la.

Conclusão: o problema não é a ferramenta, mas o uso que se faz dela

O ChatGPT, assim como outras tecnologias, não é inerentemente bom ou ruim. O impacto na aprendizagem dependerá da forma como for inserido no contexto educacional.

Enquanto alguns estudos apontam para riscos de superficialização do conhecimento, outros sugerem que, se bem empregado, o ChatGPT pode até estimular novas conexões cognitivas. O ponto central é garantir que a ferramenta seja usada como um apoio, e não como substituto do raciocínio humano.

Imagem: Tapati Rinchumrus / shutterstock.com

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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