O etanol de milho transformou de forma significativa o mercado de biocombustíveis no Brasil, que por décadas foi dominado pela cana-de-açúcar. Em 2025, essa fonte alternativa já representa 25% da oferta total de etanol no país, segundo a StoneX, e deve atingir a impressionante marca de 40% até 2035, caso os investimentos em novos projetos avancem conforme o previsto.
Superdemanda no etanol: excesso não vai derrubar preços, diz BTG
Etanol de milho já representa 25% da oferta de etanol no Brasil e pode atingir 40% até 2035. Entenda o impacto no mercado, os preços e mais!
A transição ocorre em um cenário de crescente demanda energética, mudanças estruturais no consumo de combustíveis e maior busca por alternativas limpas no setor de transporte. No entanto, a expansão acelerada da produção levanta dúvidas: o mercado terá capacidade de absorver tanto etanol de milho nos próximos anos?
Segundo o BTG Pactual, a resposta é positiva — o problema não será excesso, e sim uma “super demanda” por biocombustíveis.
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A ascensão do etanol de milho no Brasil
Participação crescente na matriz de biocombustíveis
O Brasil produziu cerca de 10 bilhões de litros de etanol de milho em 2025. Se os 29 novos projetos atualmente em desenvolvimento forem concluídos, esse volume poderá alcançar 18 bilhões de litros anuais nos próximos anos, segundo estimativas do setor.
Esse movimento elevaria a oferta total de etanol no Brasil de 37 bilhões de litros (em 2024) para cerca de 45 bilhões de litros até 2029.
Vantagens do etanol de milho
- Maior produtividade por hectare em áreas consolidadas do agronegócio
- Aproveitamento de subprodutos como DDG (grão seco de destilaria), usado na alimentação animal
- Produção contínua ao longo do ano, em contraste com a sazonalidade da cana
- Redução da dependência de chuvas e riscos climáticos
Esses fatores têm levado investidores a apostar fortemente em unidades flex (milho/cana) e plantas 100% milho, especialmente no Centro-Oeste, região com elevada produção de grãos e logística favorável.
Projeções: etanol de milho deve crescer 80% até 2029
Segundo projeções da Unem (União Nacional do Etanol de Milho) e StoneX, a produção atual poderá quase dobrar até o final da década. Esse crescimento será puxado por:
- Expansão de plantas industriais já existentes
- Novas unidades greenfield (do zero), muitas com tecnologia norte-americana
- Investimentos em eficiência e logística
Se todas as unidades anunciadas forem construídas, o etanol de milho poderá responder por quase metade da produção total de etanol do país em 2035, redesenhando o mapa energético nacional.
BTG Pactual: o problema não é excesso, é super demanda

A análise do banco
Em relatório divulgado em setembro, os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, do BTG Pactual, refutam a ideia de que o mercado corre risco de excesso de oferta. Para eles, haverá espaço para absorver o crescimento projetado.
“Na bomba, os consumidores basicamente compram energia, que pode vir na forma de gasolina ou etanol. O etanol hidratado (E96) compete diretamente com a gasolina, mas atualmente representa apenas cerca de 25% da energia líquida consumida por veículos leves”, afirmaram.
Preço será o vetor de ajuste
O BTG aponta que, para que a demanda acompanhe a nova oferta, os preços do etanol precisarão cair cerca de 10% nas bombas, tornando o combustível mais competitivo frente à gasolina.
Essa movimentação deve ser impulsionada não apenas pela lógica de mercado, mas também por:
- Políticas públicas de incentivo ao etanol
- Sinais de preço com base no petróleo e câmbio
- Aumento da frota flex e da penetração em regiões hoje dominadas pela gasolina
Desafios e gargalos do setor
Logística e infraestrutura
Apesar do crescimento industrial, o setor ainda enfrenta entraves logísticos, principalmente:
- Limitações na malha ferroviária e rodoviária para escoamento
- Custo elevado do transporte interno de etanol
- Falta de infraestrutura de armazenagem
A concentração de produção no Centro-Oeste — principalmente em Mato Grosso — exige soluções de logística que liguem essas regiões aos grandes mercados consumidores do Sudeste e Nordeste.
Competição com a cana-de-açúcar
A relação entre etanol de milho e cana-de-açúcar é vista por alguns como complementar, mas há sinais de competição, principalmente nos períodos de safra baixa da cana.
Usinas flex podem direcionar sua produção conforme a rentabilidade do insumo, e o avanço do milho pode pressionar preços e margens no setor canavieiro.
Sustentabilidade e uso da terra
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Embora o milho seja um insumo eficiente, a expansão acelerada da produção de etanol levanta questões ambientais, como:
- Uso intensivo de insumos químicos
- Potencial conflito com produção de alimentos
- Emissões indiretas e mudanças no uso do solo
A certificação RenovaBio e exigências de rastreabilidade devem atuar como contrapeso, exigindo das empresas maior comprometimento ambiental.
O papel do etanol de milho na transição energética
Menor pegada de carbono
Apesar de críticas, o etanol de milho no Brasil tem pegada de carbono inferior ao produzido nos EUA, graças à maior presença de energia renovável no processo produtivo e ao uso de coprodutos.
Essa característica será cada vez mais valorizada em um mundo que exige descarbonização e neutralidade climática.
Exportações em vista
Com a consolidação da produção interna, empresas do setor já estudam exportar etanol de milho para:
- Estados Unidos (fora do período da safra norte-americana)
- União Europeia, caso os padrões ambientais sejam compatíveis
- África e Ásia, onde a demanda por combustíveis limpos cresce
A diversificação geográfica pode compensar sazonalidades e garantir melhor equilíbrio entre oferta e demanda.
Políticas públicas e regulação

O crescimento do etanol de milho deve ser acompanhado por revisões regulatórias, especialmente nas seguintes frentes:
- Incentivos tributários regionais
- RenovaBio, com maior inclusão das plantas de milho nos certificados de carbono (CBIOs)
- Acordos setoriais para metas de mistura obrigatória com gasolina (atualmente 27%)
Essas políticas podem facilitar a competitividade do etanol de milho sem comprometer a sustentabilidade fiscal do Estado.
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