Na última terça-feira, 02, ao menos cinco grandes bancos do Brasil receberam notificações do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos a respeito da aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Quais bancos brasileiros foram notificados pelos EUA sobre Lei Magnitsky
EUA notificaram bancos brasileiros sobre sanções contra Alexandre de Moraes pela Lei Magnitsky. Veja impactos para Itaú, Santander, Bradesco, Banco do Brasil e BTG Pactual.
Segundo informações da Folha de S.Paulo, os bancos notificados foram:
- Itaú Unibanco
- Santander Brasil
- Bradesco
- Banco do Brasil
- BTG Pactual
O documento, enviado pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), questiona quais medidas estão sendo tomadas ou já foram adotadas pelas instituições para cumprir as sanções impostas ao ministro.
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Contexto da decisão dos EUA

A medida foi comunicada oficialmente em 30 de julho de 2025 pelo governo norte-americano.
Entre as restrições aplicadas a Alexandre de Moraes estão:
- Bloqueio de todos os bens e ativos em território americano;
- Proibição de transações financeiras com cidadãos ou empresas dos EUA;
- Suspensão de uso de cartões de crédito internacionais de bandeiras americanas.
As sanções ocorreram no mesmo período em que o STF iniciou o julgamento de Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus por tentativa de golpe de Estado, caso no qual Moraes desempenha papel central como relator e figura de destaque.
Reações dos bancos brasileiros
Santander
Em resposta à reportagem da Folha, o Santander Brasil limitou-se a afirmar:
“O banco atua com rigorosa observância de todas as normas e leis locais e internacionais aplicáveis, e mantém seus processos de governança alinhados às melhores práticas globais.”
A instituição destacou ainda que não comenta temas protegidos por sigilo bancário.
Outras instituições
Até o momento, Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e BTG Pactual não se pronunciaram oficialmente sobre a notificação recebida do Tesouro norte-americano.
Segundo apuração, ao menos um banco brasileiro chegou a bloquear um cartão de crédito internacional de Moraes e ofereceu ao ministro uma alternativa com bandeira Elo (brasileira), de uso restrito ao mercado interno.
Bancos brasileiros na mira internacional
A notificação dos EUA coloca as instituições financeiras brasileiras em uma posição delicada.
Dilema jurídico e diplomático
- De um lado, precisam atender à legislação brasileira e garantir direitos de seus clientes.
- De outro, podem enfrentar pressões regulatórias globais caso não se alinhem às sanções internacionais.
Essa situação reacende debates sobre o grau de interdependência do sistema bancário brasileiro em relação ao sistema financeiro dos EUA e à moeda americana.
O que é a Lei Magnitsky?
Origem
A Lei Magnitsky foi aprovada em 2012, durante o governo Barack Obama, em resposta à morte do advogado russo Sergei Magnitsky, que investigava um esquema de corrupção estatal e acabou falecendo na prisão em circunstâncias suspeitas.
Expansão global
Inicialmente restrita à Rússia, em 2016 a lei foi ampliada, tornando-se aplicável a indivíduos de qualquer país envolvidos em:
- Violações graves de direitos humanos;
- Casos de corrupção sistêmica.
Por essa abrangência, a norma ganhou a alcunha de “pena de morte financeira”.
Como funcionam as sanções da Lei Magnitsky
A principal sanção prevista é o bloqueio de bens e ativos em território americano. Mas, na prática, o impacto é mais amplo:
Bloqueio dentro e fora dos EUA
- Congelamento de contas bancárias e investimentos;
- Impossibilidade de realizar operações financeiras em dólar mesmo em outros países;
- Restrição ao uso de cartões de crédito internacionais de bandeiras americanas (como Visa e Mastercard).
Proibição de entrada nos EUA
Além do bloqueio financeiro, a lei também impede a entrada dos sancionados em território norte-americano, dificultando viagens e negócios.
Impactos sobre Alexandre de Moraes
Com a aplicação da Lei Magnitsky, Moraes:
- Fica impossibilitado de manter ativos dolarizados;
- Não pode realizar transações por meio de sistemas que passem pelo sistema financeiro americano;
- Sofre restrições em operações de crédito internacional.
A adoção de um cartão de bandeira Elo no Brasil reflete essa tentativa de contornar os efeitos práticos das sanções, pelo menos em território nacional.
Repercussão política no Brasil
A medida norte-americana gera repercussões em três frentes principais:
Relações diplomáticas
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O Brasil pode interpretar a notificação aos bancos como uma forma de pressão externa, o que pode desgastar as relações com os EUA em meio a um cenário de tensões políticas internas.
Ambiente jurídico
A aplicação da Lei Magnitsky a um ministro do STF é inédita e abre espaço para debates sobre soberania jurídica e competência internacional.
Mercado financeiro
A atuação dos grandes bancos brasileiros sob observação internacional levanta dúvidas sobre compliance, governança e a vulnerabilidade de operações globais diante de sanções unilaterais.
Lista dos bancos questionados pelos EUA
- Itaú Unibanco
- Santander Brasil
- Bradesco
- Banco do Brasil
- BTG Pactual
Essas cinco instituições concentram a maior parte das operações financeiras do país e têm forte presença internacional, o que explica a pressão direta dos Estados Unidos sobre seu posicionamento.
Especialistas avaliam riscos para o sistema bancário
Analistas ouvidos por veículos de imprensa avaliam que, embora as sanções sejam direcionadas a uma pessoa específica, os bancos brasileiros podem enfrentar maior escrutínio internacional.
Principais riscos
- Possível restrição de acesso a mercados internacionais caso não se adequem;
- Necessidade de reforçar políticas de compliance e monitoramento de clientes de alto perfil;
- Risco de retaliações políticas em caso de alinhamento automático com sanções estrangeiras.
O que pode acontecer daqui para frente

Para Moraes
É improvável que o ministro consiga reverter as sanções em curto prazo. Elas tendem a permanecer enquanto a decisão do governo norte-americano estiver vigente.
Para os bancos
As instituições terão de encontrar um equilíbrio entre atender às normas brasileiras e não comprometer suas operações internacionais.
Para o Brasil
A medida pode aprofundar o debate sobre a dependência da economia nacional do dólar e do sistema financeiro americano, reforçando discussões sobre alternativas multilaterais de transações globais.
Considerações finais
A notificação enviada pelo governo dos Estados Unidos a cinco grandes bancos brasileiros sobre a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes inaugura um capítulo delicado nas relações entre os sistemas financeiros dos dois países.
Mais do que uma medida simbólica, o bloqueio de ativos e a restrição de transações em dólar afetam a rotina do ministro e colocam as instituições brasileiras diante de um dilema regulatório.
Enquanto especialistas avaliam os impactos jurídicos e políticos, o episódio expõe a interconexão do sistema bancário global e como sanções unilaterais podem ter efeitos práticos muito além das fronteiras dos EUA.
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