Na terça-feira (5/8), a Casa Branca passou a discutir um pacote de possíveis medidas em resposta à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo fontes em Washington, entre as ações consideradas estão a ampliação do tarifaço ao Brasil, a aplicação da Lei Magnitsky a mais integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e a suspensão de vistos para magistrados auxiliares, autoridades da Polícia Federal, membros da Procuradoria-Geral da República e políticos ligados a decisões tomadas no âmbito do Supremo.
Esposa de Moraes pode ser alvo de sanções de Trump após prisão de Bolsonaro
Casa Branca discute ampliar tarifaço, aplicar Lei Magnitsky a mais ministros do STF e restringir vistos após prisão de Bolsonaro.
No momento, a medida mais concreta em análise é a aplicação de sanções à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. A Casa Branca entende que punir Viviane seria uma “extensão natural” das sanções já impostas a Alexandre de Moraes pelo governo Trump no passado, dentro do escopo da Lei Magnitsky.
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Lei Magnitsky: entenda a sanção aplicada a Alexandre de Moraes

Entenda o que é a Lei Magnitsky
A Lei Magnitsky é um instrumento de política externa dos Estados Unidos que permite a aplicação de sanções contra indivíduos estrangeiros acusados de envolvimento em corrupção ou violações de direitos humanos. As medidas podem incluir:
- Congelamento de ativos sob jurisdição norte-americana;
- Proibição de transações comerciais com cidadãos e empresas dos EUA;
- Suspensão e restrição de vistos de entrada no país.
Ao aplicar a Lei a Alexandre de Moraes, o governo Trump não havia estendido as sanções à sua esposa, Viviane Barci de Moraes. Agora, a avaliação é que incluir a advogada teria impacto direto nas atividades de seu escritório, restringindo a contratação por clientes que possuam negócios nos EUA ou com empresas norte-americanas.
Impactos esperados no escritório Barci de Moraes
Caso a sanção seja confirmada, o escritório Barci de Moraes enfrentaria severas limitações para firmar contratos com clientes internacionais, especialmente os que operam sob a jurisdição americana. Isso poderia afetar:
- A prestação de serviços jurídicos a empresas multinacionais;
- Contratos com organizações não governamentais estrangeiras;
- Participação em consultorias para grupos com presença no mercado norte-americano.
Além disso, a medida teria peso simbólico ao sinalizar que o governo dos EUA não hesitará em atingir pessoas próximas a autoridades brasileiras envolvidas em decisões consideradas controversas.
Tarifaço: possível ampliação
Outro ponto em discussão na Casa Branca é a ampliação do tarifaço sobre produtos brasileiros. O tarifaço é um aumento expressivo de tarifas de importação aplicado pelo governo norte-americano como forma de pressão econômica.
No entanto, essa medida não conta com apoio unânime entre os envolvidos nas negociações. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL) e o jornalista Paulo Figueiredo atuam diretamente para evitar que novas tarifas sejam implementadas. Segundo eles, penalizar o setor produtivo brasileiro poderia gerar desgaste político e prejudicar a economia nacional sem atingir diretamente os objetivos estratégicos de Washington.
Divergências internas e alinhamento político
Fontes próximas às conversas afirmam que Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo também tentam impedir que mais ministros do STF sejam incluídos na lista de sanções da Lei Magnitsky neste momento. A estratégia seria guardar essa possibilidade como uma “carta na manga”, a ser utilizada somente se Jair Bolsonaro for condenado na ação penal por golpe de Estado em andamento no Supremo.
Essa postura busca preservar espaço para negociações futuras com ministros da Corte, evitando o esgotamento das medidas de pressão no curto prazo.
O papel da ação penal no STF

Jair Bolsonaro responde no STF a uma ação penal relacionada a acusação de tentativa de golpe de Estado. A estratégia de seus aliados é condicionar novas sanções a integrantes da Suprema Corte ao desfecho desse processo.
Caso o ex-presidente seja condenado, haveria justificativa política para endurecer as medidas contra ministros considerados protagonistas das decisões que levaram à sua prisão.
Por outro lado, fontes da própria Casa Branca indicam que o presidente Donald Trump pode optar por ações inesperadas, independentemente do resultado do julgamento, caso entenda que o cenário geopolítico ou doméstico norte-americano exige uma resposta mais dura.
Possíveis consequências diplomáticas
A adoção de medidas como ampliação do tarifaço ou aplicação da Lei Magnitsky contra mais autoridades brasileiras poderia gerar:
- Aumento da tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos;
- Retaliações comerciais por parte do governo brasileiro;
- Reações de aliados internacionais, especialmente na América Latina;
- Pressão interna sobre o governo brasileiro para rever relações com Washington.
Especialistas alertam que esse tipo de sanção tende a provocar efeitos políticos imediatos, mas também pode trazer impactos econômicos de médio e longo prazo.
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Histórico de sanções envolvendo o STF
A aplicação da Lei Magnitsky a Alexandre de Moraes foi um episódio de grande repercussão nas relações bilaterais. Desde então, autoridades e grupos políticos no Brasil passaram a acompanhar de perto qualquer movimento de Washington que pudesse indicar novas medidas.
Até o momento, a inclusão de cônjuges de autoridades brasileiras sob sanção é rara, mas não sem precedentes em casos internacionais. Por isso, a eventual punição a Viviane Barci de Moraes seria vista como um endurecimento do tom adotado pelo governo norte-americano.
Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo: articuladores em Washington
Tanto o deputado Eduardo Bolsonaro quanto o jornalista Paulo Figueiredo têm atuado como interlocutores junto ao governo Trump, buscando evitar que o Brasil seja alvo de medidas econômicas mais severas. Eles argumentam que o tarifaço prejudicaria setores estratégicos, como o agronegócio e a indústria de base, sem alterar a postura do STF.
Além disso, defendem que sanções adicionais só sejam aplicadas em contexto de necessidade política clara, preservando margens de manobra para o futuro.
O fator imprevisibilidade
Apesar da articulação política, analistas lembram que Donald Trump é conhecido por tomar decisões rápidas e pouco convencionais, especialmente em temas que envolvem política externa e relações comerciais.
Isso significa que, mesmo que exista um plano para condicionar novas sanções ao resultado do processo contra Bolsonaro, o presidente norte-americano pode optar por agir antes, caso avalie que o momento favorece sua base eleitoral ou reforça sua imagem internacional.
Expectativa para os próximos passos

A Casa Branca ainda não divulgou prazos para a definição das medidas, mas o fato de as conversas já incluírem nomes e estratégias específicas indica que há um movimento concreto em direção a uma resposta mais firme contra autoridades brasileiras.
Enquanto isso, no Brasil, a possibilidade de sanções adicionais gera preocupação entre setores econômicos, políticos e jurídicos, que temem um agravamento das tensões diplomáticas e impactos negativos nas exportações.
Imagem: Carlos Moura/SCO/STF
