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Tarifas dos EUA são o último recurso para salvar o dólar, diz Yang

Medidas dos EUA tentam sustentar hegemonia do dólar em cenário econômico incerto e dívida recorde.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
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A supremacia do dólar americano como a principal moeda de referência global enfrenta um dos maiores testes de sua história. Em meio a uma dívida pública que já ultrapassa os US$ 36 trilhões, os Estados Unidos intensificam suas estratégias para manter a confiança mundial em sua moeda.

Para o analista Philip Yang, membro sênior do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), as recentes políticas econômicas, incluindo tarifas protecionistas e a criação de uma moeda digital atrelada ao dólar, representam tentativas desesperadas de prolongar a hegemonia monetária dos EUA em um mundo cada vez mais multipolar.

,Leia mais: Dólar e Ibovespa caem com tensão Brasil-EUA e tarifas

Um império sustentado pelo dólar e pela força militar

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Imagem: alexgrec – Freepik

Durante décadas, os Estados Unidos foram sinônimo de estabilidade econômica e poderio financeiro. Yang lembra que o país manteve superávits comerciais até a década de 1970, quando a balança comercial começou a registrar déficits crônicos. A partir desse momento, a força do dólar, combinada ao poder militar, tornou-se o principal pilar da influência americana no sistema internacional.

Com as reservas cambiais globais predominantemente em dólares, os EUA conseguiam financiar seus déficits com facilidade, emitindo títulos do Tesouro que eram avidamente comprados por investidores e bancos centrais estrangeiros. Essa dinâmica sustentou a economia americana por décadas, mas começou a ser questionada com o aumento da dívida e a ascensão de economias emergentes, como a China.

O Genius Act e a nova moeda digital

Entre as iniciativas recentes para reforçar a demanda por ativos denominados em dólar está o Genius Act, um projeto que cria uma moeda digital estável, pareada integralmente ao dólar físico. Diferente de criptomoedas tradicionais, como o Bitcoin, essa moeda é emitida pelo Tesouro e cada unidade digital equivale a exatamente um dólar.

A ideia é oferecer ao mercado financeiro global uma alternativa moderna, mas ainda ancorada na confiança do dólar, o que pode aumentar a demanda por títulos do Tesouro em um momento crítico. Segundo Yang, essa medida reflete o desespero americano em manter viva a hegemonia da sua moeda, ao mesmo tempo em que tenta modernizar seu sistema financeiro para não perder terreno para inovações vindas de outras potências.

O peso de uma dívida colossal

Com uma dívida que já beira os US$ 36 trilhões, os Estados Unidos enfrentam dificuldades crescentes para honrar seus compromissos sem abalar sua credibilidade. Como observa Yang, há limites para o aumento dessa dívida sem que os juros pagos se tornem insustentáveis ou que investidores internacionais passem a questionar a solvência do Tesouro americano.

Além disso, outros países já buscam alternativas para reduzir sua dependência do dólar, seja por meio de acordos bilaterais em moedas locais ou pelo uso crescente de outras moedas, como o yuan chinês, nas transações comerciais internacionais.

O desafio da China e de um mundo multipolar

Se no passado os EUA conseguiam reverter situações econômicas adversas graças à criatividade e à força de sua economia, o cenário atual é mais complexo. A China, com sua economia robusta e crescente influência no comércio global, representa um competidor formidável.

Para Yang, mesmo que os EUA consigam ganhar tempo com medidas como o Genius Act e tarifas sobre importações, a sustentabilidade da hegemonia americana está cada vez mais em xeque. A longo prazo, a multipolaridade econômica parece inevitável, e a predominância absoluta do dólar pode se diluir com o tempo.

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Tarifas como arma econômica

Além das inovações monetárias, os EUA têm recorrido cada vez mais às tarifas comerciais, tanto como forma de proteger a indústria interna quanto para pressionar rivais econômicos. Essa estratégia, porém, carrega riscos: ao encarecer importações, pode provocar inflação interna e retaliações comerciais por parte de parceiros e adversários.

Na avaliação de Yang, o aumento de tarifas é outro sinal de que os EUA estão dispostos a tomar medidas drásticas para defender sua economia e seu sistema monetário, ainda que isso cause tensões diplomáticas e impactos negativos para os consumidores americanos.

Um futuro incerto para a moeda mais poderosa do mundo

Dólar
Imagem: RomanR / Shutterstock.com

A história recente mostra que os Estados Unidos sempre encontraram maneiras engenhosas de manter sua posição de liderança global. No entanto, como aponta Yang, o contexto atual é significativamente mais desafiador: dívida crescente, concorrência externa forte, perda de credibilidade e transformação tecnológica rápida.

O dólar ainda é, sem dúvida, a moeda mais poderosa do planeta — mas a questão que se impõe é por quanto tempo mais conseguirá manter essa posição.

Com informações de: CNN Brasil

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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