A Europa deu um passo estratégico no setor espacial com o anúncio da criação de um satélite próprio para rivalizar com o sistema de internet Starlink, de Elon Musk. Três dos principais grupos aeroespaciais do continente — Airbus, Thales e Leonardo — confirmaram a fusão de suas operações de satélites para desenvolver a constelação Iris2, prevista para entrar em operação até 2030.
Europa anuncia criação de satélite para rivalizar Starlink
A Europa planeja criar o satélite Iris2 para competir com a Starlink, reforçando autonomia estratégica e oferecendo internet via satélite até 2030.
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O objetivo da iniciativa é fortalecer a autonomia tecnológica da Europa e oferecer serviços de internet de banda larga em regiões onde a conectividade é limitada, além de apoiar aplicações estratégicas em telecomunicações, navegação, observação da Terra, pesquisa científica e segurança nacional.
Detalhes da fusão e do projeto Iris2

O novo grupo europeu de satélites, chamado provisoriamente de Bromo, terá sede em Toulouse, na França, concentrando instalações de produção e pesquisa e desenvolvimento das três empresas. A Airbus terá participação de 35%, enquanto Thales e Leonardo terão 32,5% cada, caso a fusão seja aprovada pelos reguladores europeus.
O projeto Iris2 contará inicialmente com 300 satélites focados em comunicações seguras, segundo Josef Aschbacher, diretor da Agência Espacial Europeia. A operação completa está prevista para 2030, enquanto a fusão e consolidação das empresas devem ser concluídas até 2027.
Impacto financeiro e empregatício
O grupo combinado tem estimativa de receitas anuais de 6,5 bilhões de euros, com carteira de pedidos que garante três anos de vendas projetadas. A iniciativa também deve gerar cerca de 25 mil empregos, contribuindo para estabilidade e crescimento no setor aeroespacial europeu.
O contrato inicial de engenharia firmado com operadores de satélites, no valor de 100 milhões de euros, permitirá interromper cortes de empregos planejados, segundo a Thales. Além disso, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento serão ampliados, fortalecendo a posição da Europa frente à concorrência global.
Motivação estratégica
A criação da constelação Iris2 surge em um momento de competição intensa, com empresas como a Starlink e o Projeto Kuiper, da Amazon, expandindo redes de satélites para conectar regiões remotas do planeta.
O objetivo da Europa é assegurar sua soberania tecnológica e reduzir a dependência de provedores estrangeiros de internet via satélite, garantindo comunicação segura e autonomia industrial. Segundo os executivos das três empresas, a parceria está alinhada com as políticas dos governos europeus de fortalecer ativos industriais e tecnológicos estratégicos.
Apoio político e governamental
O ministro das Finanças da França, Roland Lescure, considerou o acordo uma “excelente notícia” para o continente. França, Alemanha e Espanha possuem participações minoritárias na Airbus e veem a fusão como oportunidade para ampliar investimentos em inovação e pesquisa, reforçando a competitividade europeia no setor espacial.
Comparação com Starlink e Kuiper
A Starlink possui atualmente uma constelação em expansão, com milhares de satélites em órbita, oferecendo internet de alta velocidade globalmente. O Projeto Kuiper, da Amazon, está em fase de implantação e pretende fornecer cobertura semelhante.
O Iris2 terá um foco específico em comunicações seguras, priorizando conectividade confiável e proteção de dados em aplicações críticas. Embora menor em número de satélites, a constelação europeia promete serviços especializados e integração com sistemas estratégicos de segurança e navegação.
Benefícios esperados da constelação Iris2
- Autonomia tecnológica: Redução da dependência de sistemas estrangeiros;
- Segurança: Comunicações criptografadas e confiáveis para setores estratégicos;
- Inovação industrial: Fortalecimento de pesquisa, desenvolvimento e produção na Europa;
- Empregos qualificados: Consolidação de milhares de postos de trabalho em engenharia, P&D e operações espaciais;
- Competitividade global: Posicionamento europeu frente à expansão de Starlink e Kuiper;
- Aplicações diversas: Suporte a telecomunicações, navegação, observação da Terra e serviços científicos.
Cronograma do projeto
- 2025-2026: Planejamento estratégico, fusão e consolidação das operações das três empresas;
- 2027: Operacionalização inicial do grupo Bromo e implantação de satélites pilotos;
- 2030: Conclusão da constelação Iris2, com 300 satélites em operação e serviços de comunicação segura disponíveis em toda a Europa e regiões estratégicas do mundo.
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Perspectivas para a indústria espacial europeia
Especialistas apontam que a criação de Iris2 representa uma nova era para a indústria espacial europeia, com potencial de expandir o setor aeroespacial, aumentar competitividade internacional e garantir autonomia estratégica.
A fusão das empresas Airbus, Thales e Leonardo também deve estimular investimentos privados e públicos, além de consolidar a Europa como um polo de inovação tecnológica no espaço, ampliando participação em um mercado que envolve comunicação, exploração e segurança global.
Desafios e oportunidades
Entre os principais desafios estão:
- Obtenção de aprovação regulatória para a fusão;
- Coordenação entre as empresas com diferentes culturas e processos;
- Competição direta com Starlink e Kuiper, que já possuem vasta infraestrutura;
- Garantia de segurança e confiabilidade nas comunicações.
As oportunidades, por outro lado, incluem:
- Consolidação de uma constelação própria com foco em segurança;
- Desenvolvimento de tecnologia de ponta em satélites e telecomunicações;
- Expansão de mercado e novos contratos internacionais;
- Criação de um modelo europeu de conectividade espacial, competitivo e autônomo.
Iris2 fortalece a Europa e desafia a Starlink no mercado espacial

A criação do satélite Iris2 pela Europa representa um marco estratégico e tecnológico, visando rivalizar com a Starlink e reforçar a soberania industrial e científica do continente. Com investimentos em inovação, empregos qualificados e foco em segurança, o projeto fortalece a posição europeia na indústria espacial e garante conectividade confiável para aplicações estratégicas globais.
