A União Europeia deu um passo decisivo na regulação da inteligência artificial (IA) ao anunciar que 26 empresas tecnológicas aderiram voluntariamente ao seu novo código de conduta para sistemas de IA poderosos.
Com aval de 30 empresas, Europa lidera regulação de IAs poderosas
Entenda as novas regras da Europa para IAs poderosas e veja quais empresas assinaram. Leia agora e saiba o que muda.
Com nomes de peso como Amazon, Google, Microsoft, IBM e OpenAI entre os signatários, o bloco da Europa consolida sua liderança global na tentativa de garantir o uso ético e seguro da IA. Acompanhe a leitura abaixo para conferir mais sobre a questão!
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O que é o Código de Conduta da UE para IAs poderosas?

Diretrizes para uma IA mais transparente e segura
Divulgado no início de julho de 2025, o código de conduta europeu é um conjunto de diretrizes voluntárias que servem como um “guia” prático para que as empresas se preparem para o cumprimento da Lei de IA da União Europeia (AI Act), cuja entrada em vigor está prevista para 2 de agosto de 2025.
O código exige:
- Maior transparência na origem dos dados utilizados no treinamento dos modelos;
- Proteção contra violações de direitos autorais;
- Compromisso com a segurança pública, evitando, por exemplo, o uso de IA em armas biológicas ou deepfakes políticos.
Adesão de big techs sinaliza esforço conjunto
Empresas signatárias
Entre as companhias que concordaram em seguir as diretrizes da UE, estão:
- Google (Alphabet);
- Amazon;
- Microsoft;
- IBM;
- OpenAI;
- Mistral AI (França);
- Aleph Alpha (Alemanha).
Essas empresas desenvolvem sistemas de IA classificados como “de uso geral”, ou seja, tecnologias capazes de executar múltiplas tarefas, como o ChatGPT da OpenAI.
Obrigação para algumas, voluntariedade para outras
A adesão ao código de conduta é voluntária neste momento, mas funciona como uma preparação para a aplicação obrigatória da AI Act. Para as empresas que já possuem IAs em operação no mercado europeu, o prazo para adesão expirou em 1º de agosto de 2025. As demais ainda poderão aderir futuramente.
Meta e xAI resistem à adesão completa
Críticas ao excesso de regulação
Nem todas as gigantes da tecnologia concordam com a abordagem da UE. A Meta, empresa de Mark Zuckerberg, recusou-se a aderir ao código, alegando que ele representa um entrave à inovação. Em nota, a empresa declarou que “a Europa está seguindo o caminho errado em relação à IA”.
Já a xAI, empresa de Elon Musk e desenvolvedora do Grok, assinou apenas a parte do código referente à segurança e proteção, excluindo-se dos compromissos relacionados à transparência e direitos autorais.
Apesar disso, ambas as empresas continuarão obrigadas a seguir a legislação europeia assim que ela entrar em vigor.
O que muda com a Lei de IA da União Europeia?
Legislação pioneira e robusta
A AI Act é considerada a legislação mais abrangente do mundo sobre inteligência artificial. Ela define categorias de risco e obrigações específicas para sistemas de IA, especialmente aqueles classificados como “de alto risco” ou “de uso geral”.
A lei exige que empresas:
- Divulguem os dados de treinamento de seus modelos;
- Implementem mecanismos de rastreabilidade;
- Realizem testes de robustez e segurança;
- Avaliem os riscos de uso indevido da tecnologia.
Sanções pesadas para descumprimentos
A partir de agosto de 2026, as autoridades nacionais designadas por cada país-membro da UE poderão aplicar sanções a empresas que não cumprirem a legislação. As multas poderão chegar a 15 milhões de euros ou 3% do faturamento anual global da companhia – o que for maior.
Impacto global: Europa como referência regulatória
Um novo padrão internacional?
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Especialistas em tecnologia e direito digital consideram que a postura da UE poderá influenciar outros blocos econômicos e países a adotarem medidas semelhantes. Assim como o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR) se tornou um padrão global em privacidade, a AI Act pode estabelecer parâmetros internacionais para a IA.
Iniciativas semelhantes em andamento
- Estados Unidos: embora ainda sem uma lei federal específica, o país discute marcos regulatórios para IA.
- China: já possui regulações específicas para deepfakes e uso comercial de IA.
- Brasil: discute desde 2021 o Projeto de Lei 21/2020, que busca estabelecer princípios e diretrizes para uso ético da IA.
Reação das empresas: entre compromisso e cautela

Preocupação com inovação
Mesmo entre as empresas que assinaram o código, há críticas. O Google, por exemplo, declarou que apoia os princípios da UE, mas teme que uma regulamentação rígida atrase o avanço da tecnologia no continente.
“Continuamos preocupados que a Lei de IA e o Código possam desacelerar o desenvolvimento e a implantação da IA na Europa”, afirmou Kent Walker, presidente de assuntos globais da Alphabet.
Equilíbrio entre controle e inovação
Esse debate evidencia um dilema global: como regular tecnologias disruptivas sem sufocar o seu potencial de transformação? A resposta, ao menos para a União Europeia, passa pela adoção de um modelo de responsabilidade compartilhada entre governos e setor privado.
Futuro da IA na Europa: mais segurança, menos riscos
Caminho sem volta para a regulação
Com a entrada em vigor da Lei de IA e a adesão das maiores empresas do setor ao código de conduta, a Europa pavimenta um futuro onde a inovação tecnológica andará lado a lado com a proteção de direitos fundamentais e da segurança pública.
Papel dos consumidores e da sociedade civil
Além do setor empresarial, espera-se uma participação ativa da sociedade civil, pesquisadores e órgãos de controle na fiscalização e aperfeiçoamento da legislação.
Imagem: RaffMaster / Shutterstock
