A criptoeconomia deixou de ser um experimento tecnológico para se tornar um fenômeno global que redesenha finanças, infraestrutura digital e a relação das pessoas com o dinheiro. Em 2025, esse movimento alcançou um novo patamar, impulsionado por avanços regulatórios, adoção institucional e o surgimento de mecanismos que tornam o uso cotidiano de criptomoedas mais acessível. No centro desse debate está Michael Rihani, diretor de cripto do Nubank, cuja trajetória acompanha a evolução do setor desde seus primeiros passos.
Rihani, que fundou sua primeira startup nos Estados Unidos em 2008 – o mesmo ano em que Satoshi Nakamoto publicou o white paper do bitcoin –, testemunhou a transformação do mercado de um território de nicho para um ecossistema multibilionário, integrado a grandes corporações, governos e mercados regulados. Sua visão é clara: a criptoeconomia entrou em uma fase definitiva, na qual adoção em larga escala e regras consolidadas constroem um ambiente mais seguro, transparente e maduro.
Este artigo detalha essa evolução, discute o papel central do Brasil no novo ciclo global e analisa as afirmações de Rihani sobre segurança, confiança e permanência do setor.
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A evolução da criptoeconomia segundo Michael Rihani
Do anonimato aos trilhões movimentados
Para Rihani, a mudança vivida pela indústria de criptomoedas é tão profunda que, em suas palavras, ele “precisa se beliscar” ao perceber o salto histórico. O mercado saiu de fóruns online e discussões de entusiastas para um universo que movimenta trilhões de dólares, com empresas listadas na bolsa, ETFs aprovados nos Estados Unidos, adoção governamental e presença em produtos financeiros tradicionais.
A transição do foco no preço para a permanência
Um dos pontos mais enfatizados por Rihani é que a análise do setor deixou de se apoiar exclusivamente no preço do bitcoin. Na avaliação dele, a evolução regulatória somada à adoção institucional cria um novo nível de confiança no mercado.
Segundo o executivo, “não dá para negar que Wall Street está comprando cripto todo santo dia”. O movimento de fundos, gestoras, empresas de tecnologia e serviços financeiros reforça a visão de que o bitcoin não é apenas um ativo especulativo, mas também infraestrutura.
Adoção institucional e segurança
Rihani destaca que, ao longo da última década, o ritmo de crescimento surpreendeu até os mais otimistas. Corporações globais como Apple, Tesla e Coinbase criaram produtos e serviços integrados à criptoeconomia. Hoje, países utilizam bitcoin como reserva estratégica e investidores institucionais movimentam volumes que antes seriam inimagináveis.
Esse amadurecimento técnico e regulatório, segundo ele, cria um ambiente que garante permanência: a combinação de adoção em massa com regras claras gera um mercado mais robusto.
Adoção em massa: um caminho sem volta
Da curiosidade ao uso cotidiano
A criptoeconomia atravessou uma barreira importante: deixou de ser apenas uma curiosidade tecnológica para se integrar ao cotidiano de milhões de pessoas. Hoje, governos adotam bitcoin como reserva, instituições financeiras oferecem produtos em blockchain e soluções de pagamento se tornam cada vez mais ágeis.
O papel da Lightning Network
Entre os avanços técnicos citados por Rihani está a Lightning Network, uma camada que permite transações de bitcoin mais rápidas e baratas. Isso viabiliza pagamentos instantâneos, tarifas muito baixas e operações de pequeno valor – algo antes impraticável na blockchain principal.
Simplificação das carteiras digitais
A experiência do usuário também melhorou significativamente, com carteiras mais intuitivas, tecnologias de recuperação de contas, biometria, integração com aplicativos financeiros e compatibilidade com diferentes blockchains.
Falta de conhecimento ainda é desafio
Mesmo com o avanço, Rihani alerta para um problema persistente: muitas pessoas ainda não entendem o funcionamento básico do bitcoin ou por que ele é relevante. Segundo ele, o tema dinheiro costuma gerar ansiedade, e isso afeta a compreensão sobre segurança, valor e tecnologia.
Por que o Brasil é destaque na criptoeconomia global
Ambiente propício entre emergentes
Nos mercados emergentes, a busca por alternativas ao sistema financeiro tradicional é comum devido a inflação, desvalorização cambial e acesso limitado a serviços bancários. O Brasil, porém, tem vantagens adicionais.
Pix como base para adoção de cripto
Rihani acredita que o Pix deu ao país uma posição única na América Latina. A população se acostumou com transferências instantâneas, QR codes, pagamentos rápidos e operações 24/7. Para ele, a jornada do usuário brasileiro já está alinhada à mentalidade das criptomoedas.
Cultura de digitalização financeira
O Brasil tem um dos mercados mais digitalizados do mundo em termos de bancos, fintechs e meios de pagamento. Isso torna o consumidor local mais receptivo à criptoeconomia.
Regulação brasileira: um modelo elogiado internacionalmente
O marco regulatório do BC
Em novembro, o Banco Central definiu as normas que entrarão em vigor a partir de 2026 para regular empresas de cripto. Entre os pontos principais estão:
- autorização prévia para funcionamento
- segregação obrigatória entre ativos de clientes e da empresa
- auditorias recorrentes
- regras de governança
- transparência sobre reservas e liquidez
Segregação de ativos
Um dos pilares é a proteção dos recursos dos clientes. Com as novas regras, o dinheiro do usuário precisa ser legalmente separado do da plataforma. Isso impede que a empresa utilize valores dos clientes para cobrir dívidas ou operações próprias.
Rihani compara diretamente o modelo brasileiro ao caso da FTX, que utilizou dinheiro dos clientes para cobrir prejuízos, resultando em um escândalo bilionário e na prisão de Sam Bankman-Fried.
Auditorias e provas de reservas
As empresas deverão submeter-se a auditorias constantes para comprovar a integridade das reservas e a segregação de ativos. Esse mecanismo aumenta transparência, garante liquidez e reduz riscos sistêmicos.
Supervisão contínua
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Outro diferencial é que o Banco Central será o único órgão responsável pela supervisão. Ao contrário dos Estados Unidos — onde SEC, CFTC e FinCEN disputam competências — o Brasil criou uma estrutura clara e unificada.
Rihani afirma que esse modelo fornece credibilidade, simplicidade e padrões de nível bancário para o setor.
Por que o modelo do Brasil se tornou referência
Clareza regulatória
Ter um único órgão supervisor e regras padronizadas facilita a operação das empresas e aumenta a confiança de investidores e consumidores.
Ambiente favorável à inovação
Com segurança jurídica, fintechs e instituições financeiras podem inovar com mais previsibilidade.
Modelo replicável
Especialistas internacionais já apontam o Brasil como exemplo de equilíbrio entre proteção ao consumidor e incentivo ao crescimento tecnológico.
A visão de futuro: cripto como infraestrutura financeira
De volatilidade para utilidade
O mercado, segundo Rihani, está deixando de tratar cripto como mera especulação. O foco agora recai sobre infraestrutura, pagamentos, reservas estratégicas, eficiência operacional e autonomia econômica.
Instituições estão comprando todos os dias
O aumento do interesse institucional é um dos motores mais fortes dessa fase. ETFs de bitcoin registram bilhões em aportes, gestoras tradicionais criam produtos cripto, grandes empresas adicionam ativos digitais ao balanço e governos começam a formar estoques estratégicos.
Bitcoin como ouro digital — e além
A discussão atual não é apenas se o bitcoin é um “ouro digital”, mas se ele se tornará parte da infraestrutura financeira global, como forma de lastro, meio de proteção, reserva e mecanismo de liquidação internacional.
Conclusão
A análise de Michael Rihani mostra uma transformação irreversível na criptoeconomia global. A combinação de avanços tecnológicos, adoção em massa e regulamentação clara cria um ambiente de confiança e credibilidade. O Brasil se destaca mundialmente por oferecer um modelo regulatório seguro, simples e inovador, capaz de atrair empresas, investidores e consumidores.
A visão do executivo é clara: o mercado de cripto deixou de ser uma promessa futurista e se tornou uma realidade permanente, integrada ao sistema financeiro e à vida cotidiana.
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