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Nubank reforça aposta em cripto e ex-Tesla se surpreende com evolução

Entenda como Michael Rihani analisa a evolução da criptoeconomia e por que o Brasil se tornou referência mundial em regulação e adoção do bitcoin.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa··7 min de leitura
Nubank

A criptoeconomia deixou de ser um experimento tecnológico para se tornar um fenômeno global que redesenha finanças, infraestrutura digital e a relação das pessoas com o dinheiro. Em 2025, esse movimento alcançou um novo patamar, impulsionado por avanços regulatórios, adoção institucional e o surgimento de mecanismos que tornam o uso cotidiano de criptomoedas mais acessível. No centro desse debate está Michael Rihani, diretor de cripto do Nubank, cuja trajetória acompanha a evolução do setor desde seus primeiros passos.

Rihani, que fundou sua primeira startup nos Estados Unidos em 2008 – o mesmo ano em que Satoshi Nakamoto publicou o white paper do bitcoin –, testemunhou a transformação do mercado de um território de nicho para um ecossistema multibilionário, integrado a grandes corporações, governos e mercados regulados. Sua visão é clara: a criptoeconomia entrou em uma fase definitiva, na qual adoção em larga escala e regras consolidadas constroem um ambiente mais seguro, transparente e maduro.

Este artigo detalha essa evolução, discute o papel central do Brasil no novo ciclo global e analisa as afirmações de Rihani sobre segurança, confiança e permanência do setor.

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A evolução da criptoeconomia segundo Michael Rihani

Do anonimato aos trilhões movimentados

Para Rihani, a mudança vivida pela indústria de criptomoedas é tão profunda que, em suas palavras, ele “precisa se beliscar” ao perceber o salto histórico. O mercado saiu de fóruns online e discussões de entusiastas para um universo que movimenta trilhões de dólares, com empresas listadas na bolsa, ETFs aprovados nos Estados Unidos, adoção governamental e presença em produtos financeiros tradicionais.

A transição do foco no preço para a permanência

Um dos pontos mais enfatizados por Rihani é que a análise do setor deixou de se apoiar exclusivamente no preço do bitcoin. Na avaliação dele, a evolução regulatória somada à adoção institucional cria um novo nível de confiança no mercado.

Segundo o executivo, “não dá para negar que Wall Street está comprando cripto todo santo dia”. O movimento de fundos, gestoras, empresas de tecnologia e serviços financeiros reforça a visão de que o bitcoin não é apenas um ativo especulativo, mas também infraestrutura.

Adoção institucional e segurança

Rihani destaca que, ao longo da última década, o ritmo de crescimento surpreendeu até os mais otimistas. Corporações globais como Apple, Tesla e Coinbase criaram produtos e serviços integrados à criptoeconomia. Hoje, países utilizam bitcoin como reserva estratégica e investidores institucionais movimentam volumes que antes seriam inimagináveis.

Esse amadurecimento técnico e regulatório, segundo ele, cria um ambiente que garante permanência: a combinação de adoção em massa com regras claras gera um mercado mais robusto.

Adoção em massa: um caminho sem volta

Da curiosidade ao uso cotidiano

A criptoeconomia atravessou uma barreira importante: deixou de ser apenas uma curiosidade tecnológica para se integrar ao cotidiano de milhões de pessoas. Hoje, governos adotam bitcoin como reserva, instituições financeiras oferecem produtos em blockchain e soluções de pagamento se tornam cada vez mais ágeis.

O papel da Lightning Network

Entre os avanços técnicos citados por Rihani está a Lightning Network, uma camada que permite transações de bitcoin mais rápidas e baratas. Isso viabiliza pagamentos instantâneos, tarifas muito baixas e operações de pequeno valor – algo antes impraticável na blockchain principal.

Simplificação das carteiras digitais

A experiência do usuário também melhorou significativamente, com carteiras mais intuitivas, tecnologias de recuperação de contas, biometria, integração com aplicativos financeiros e compatibilidade com diferentes blockchains.

Falta de conhecimento ainda é desafio

Mesmo com o avanço, Rihani alerta para um problema persistente: muitas pessoas ainda não entendem o funcionamento básico do bitcoin ou por que ele é relevante. Segundo ele, o tema dinheiro costuma gerar ansiedade, e isso afeta a compreensão sobre segurança, valor e tecnologia.

Por que o Brasil é destaque na criptoeconomia global

Ambiente propício entre emergentes

Nos mercados emergentes, a busca por alternativas ao sistema financeiro tradicional é comum devido a inflação, desvalorização cambial e acesso limitado a serviços bancários. O Brasil, porém, tem vantagens adicionais.

Pix como base para adoção de cripto

Rihani acredita que o Pix deu ao país uma posição única na América Latina. A população se acostumou com transferências instantâneas, QR codes, pagamentos rápidos e operações 24/7. Para ele, a jornada do usuário brasileiro já está alinhada à mentalidade das criptomoedas.

Cultura de digitalização financeira

O Brasil tem um dos mercados mais digitalizados do mundo em termos de bancos, fintechs e meios de pagamento. Isso torna o consumidor local mais receptivo à criptoeconomia.

Regulação brasileira: um modelo elogiado internacionalmente

O marco regulatório do BC

Em novembro, o Banco Central definiu as normas que entrarão em vigor a partir de 2026 para regular empresas de cripto. Entre os pontos principais estão:

  • autorização prévia para funcionamento
  • segregação obrigatória entre ativos de clientes e da empresa
  • auditorias recorrentes
  • regras de governança
  • transparência sobre reservas e liquidez

Segregação de ativos

Um dos pilares é a proteção dos recursos dos clientes. Com as novas regras, o dinheiro do usuário precisa ser legalmente separado do da plataforma. Isso impede que a empresa utilize valores dos clientes para cobrir dívidas ou operações próprias.

Rihani compara diretamente o modelo brasileiro ao caso da FTX, que utilizou dinheiro dos clientes para cobrir prejuízos, resultando em um escândalo bilionário e na prisão de Sam Bankman-Fried.

Auditorias e provas de reservas

As empresas deverão submeter-se a auditorias constantes para comprovar a integridade das reservas e a segregação de ativos. Esse mecanismo aumenta transparência, garante liquidez e reduz riscos sistêmicos.

Supervisão contínua

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Outro diferencial é que o Banco Central será o único órgão responsável pela supervisão. Ao contrário dos Estados Unidos — onde SEC, CFTC e FinCEN disputam competências — o Brasil criou uma estrutura clara e unificada.

Rihani afirma que esse modelo fornece credibilidade, simplicidade e padrões de nível bancário para o setor.

Por que o modelo do Brasil se tornou referência

Clareza regulatória

Ter um único órgão supervisor e regras padronizadas facilita a operação das empresas e aumenta a confiança de investidores e consumidores.

Ambiente favorável à inovação

Com segurança jurídica, fintechs e instituições financeiras podem inovar com mais previsibilidade.

Modelo replicável

Especialistas internacionais já apontam o Brasil como exemplo de equilíbrio entre proteção ao consumidor e incentivo ao crescimento tecnológico.

A visão de futuro: cripto como infraestrutura financeira

De volatilidade para utilidade

O mercado, segundo Rihani, está deixando de tratar cripto como mera especulação. O foco agora recai sobre infraestrutura, pagamentos, reservas estratégicas, eficiência operacional e autonomia econômica.

Instituições estão comprando todos os dias

O aumento do interesse institucional é um dos motores mais fortes dessa fase. ETFs de bitcoin registram bilhões em aportes, gestoras tradicionais criam produtos cripto, grandes empresas adicionam ativos digitais ao balanço e governos começam a formar estoques estratégicos.

Bitcoin como ouro digital — e além

A discussão atual não é apenas se o bitcoin é um “ouro digital”, mas se ele se tornará parte da infraestrutura financeira global, como forma de lastro, meio de proteção, reserva e mecanismo de liquidação internacional.

Conclusão

A análise de Michael Rihani mostra uma transformação irreversível na criptoeconomia global. A combinação de avanços tecnológicos, adoção em massa e regulamentação clara cria um ambiente de confiança e credibilidade. O Brasil se destaca mundialmente por oferecer um modelo regulatório seguro, simples e inovador, capaz de atrair empresas, investidores e consumidores.

A visão do executivo é clara: o mercado de cripto deixou de ser uma promessa futurista e se tornou uma realidade permanente, integrada ao sistema financeiro e à vida cotidiana.

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