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Ex-funcionários do Itaú confessam atuar em outras empresas enquanto estavam no banco

Ex-funcionários do Itaú revelam trabalhar em outras empresas; banco fecha acordo e reforça ética e produtividade no home office.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
ChatGPT Image 27 de out. de 2025, 12 56 47

O Itaú Unibanco confirmou nesta sexta-feira (24) que parte dos funcionários desligados mantinha vínculo com outras empresas enquanto trabalhava remotamente. A declaração foi feita pelo presidente do banco, Milton Maluhy Filho, durante o GAN Summit 2025, no Teatro ESPM, em São Paulo. O caso gerou ampla repercussão e reacendeu o debate sobre ética, produtividade e limites do home office nas grandes corporações.

Segundo Maluhy, cerca de mil profissionais foram demitidos após uma investigação interna identificar baixa produtividade e condutas irregulares no regime remoto. Ele destacou que o comportamento desses colaboradores ameaçava a confiança no modelo híbrido de trabalho, amplamente adotado pela instituição.

“Tinham 1,1 mil pessoas fazendo um péssimo trabalho, entregando 20% do que era esperado e registrando hora extra”, afirmou o presidente do banco. “Isso é um desvio de conduta e gera sobrecarga no restante da equipe, colocando em risco um modelo em que acreditamos muito.”

De forma surpreendente, Maluhy revelou que muitos demitidos reconheceram o erro. Segundo ele, a maioria pediu desculpas e admitiu atuar em mais de um emprego durante o expediente.

“A maior parte dos que saíram pediram desculpas, reconheceram o mau uso, admitiram que estavam fazendo jornada dupla, tripla e trabalhando virtualmente para outros lugares”, disse o executivo.

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Demissões no Itaú provocam reação do sindicato

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Imagem: Joa Souza / shutterstock.com

O episódio gerou repercussão imediata. O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região informou que o banco justificou os cortes com base em “registros de inatividade nas máquinas corporativas”, indicando ociosidade superior a quatro horas diárias em alguns casos.

“É um momento delicado. Reconhecemos que alguns colaboradores apresentaram menor produtividade, mas entendemos que a forma como a gestão conduz a fiscalização pode gerar tensão”, afirmou Carlos Silva, presidente do sindicato.

Por outro lado, o Itaú negou que tenha realizado uma demissão em massa tradicional. Em nota, afirmou que os desligamentos foram resultado de uma “revisão criteriosa de condutas relacionadas ao trabalho remoto e ao registro de jornada”. O episódio expôs o choque entre a visão das entidades trabalhistas e a estratégia de gestão do maior banco privado do país, destacando a tensão entre produtividade, ética e flexibilidade.


Itaú fecha acordo milionário com demitidos

Após semanas de negociações, o Itaú Unibanco firmou acordo com o Sindicato dos Bancários. O trato garante até 10 salários mínimos extras, um bônus fixo de R$ 9 mil, o 13º da cesta-alimentação e a manutenção de benefícios imobiliários aos ex-funcionários.

O entendimento foi mediado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2). O banco também se comprometeu a não encerrar o modelo de teletrabalho, e os ex-funcionários terão seis meses para aderir ao acordo. Com isso, o Itaú tenta encerrar a polêmica e preservar sua reputação em meio à crescente atenção pública sobre práticas de controle remoto.

Especialistas em direito trabalhista afirmam que o acordo é uma forma estratégica do banco para mitigar impactos negativos e evitar ações judiciais. “O Itaú buscou conciliar a defesa da produtividade com a manutenção da imagem corporativa”, explica a advogada Mariana Torres, especialista em relações trabalhistas.


Home office e os desafios da economia digital

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Imagem: timeimage / Freepik

O caso evidencia uma realidade preocupante: desde a pandemia, o trabalho remoto transformou a economia e as relações entre empresas e funcionários. No entanto, também ampliou os riscos de baixa produtividade e múltiplos vínculos profissionais. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que cerca de 40% das empresas brasileiras adotaram modelos híbridos, mas apenas metade possui sistemas de monitoramento eficazes de desempenho.

Segundo especialistas, o episódio do Itaú reforça a urgência de políticas de transparência e monitoramento digital. “As organizações precisam encontrar um equilíbrio entre confiança e controle. Sem isso, o home office pode gerar prejuízos financeiros e administrativos”, explica o consultor em gestão corporativa Eduardo Mello.

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Além disso, a experiência mostra que empresas de grande porte devem investir em treinamentos e cultura organizacional que incentivem ética e responsabilidade. “Não é apenas sobre tecnologia, mas sobre engajamento e comunicação clara das expectativas”, acrescenta Mello.


Impacto na cultura corporativa e no mercado financeiro

O episódio do Itaú também chama atenção para a importância de preservar a cultura organizacional mesmo em ambientes remotos. A adoção do teletrabalho exige que líderes desenvolvam mecanismos de feedback contínuo e acompanhamento de resultados. A falta de supervisão direta pode gerar interpretações equivocadas sobre a produtividade e motivar comportamentos inadequados.

No mercado financeiro, o caso serve como alerta. Instituições que dependem de alta confiabilidade e sigilo profissional precisam reforçar protocolos internos. A transparência e a ética passam a ser tão importantes quanto resultados financeiros, sobretudo quando os colaboradores atuam em home office.


Nova fase para o Itaú e alerta para outras empresas

O Itaú busca virar a página, mas o caso serve de alerta para outras empresas que enfrentam dilemas semelhantes. As demissões e confissões de duplo vínculo expuseram os riscos de ambientes em que a flexibilidade pode ser mal utilizada.

Com repercussão nacional, o episódio simboliza uma nova fase das relações trabalhistas no Brasil. O maior banco privado do país envia uma mensagem clara: produtividade e transparência são inegociáveis, mesmo em tempos de economia digital. Para especialistas, o episódio pode influenciar novas regras sobre teletrabalho e acompanhamento de jornada.

“Este caso deve servir de exemplo para outras empresas: a flexibilidade é valiosa, mas precisa de limites claros. Sem isso, o risco de conflitos e perda de produtividade aumenta”, afirma Mariana Torres.

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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