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Ex que fica no imóvel pode ter de pagar aluguel após separação

Uma decisão recente da Justiça reacendeu uma dúvida comum entre brasileiros que passam por separação: afinal, quem fica sozinho no imóvel do casal precisa pagar aluguel ao ex-companheiro? A resposta, embora dependa de cada caso, tem ganhado contornos cada vez mais claros no Judiciário. Tribunais vêm consolidando o entendimento de que sim, pode haver obrigação […]

Avatar de Julia Fernandes Julia Fernandes · · 5 min de leitura
morar sozinho

Uma decisão recente da Justiça reacendeu uma dúvida comum entre brasileiros que passam por separação: afinal, quem fica sozinho no imóvel do casal precisa pagar aluguel ao ex-companheiro?

A resposta, embora dependa de cada caso, tem ganhado contornos cada vez mais claros no Judiciário. Tribunais vêm consolidando o entendimento de que sim, pode haver obrigação de pagar aluguel, especialmente quando o imóvel pertence aos dois e apenas uma das partes continua usufruindo do bem.

Esse tipo de situação é mais comum do que parece e envolve diretamente questões de direito de família e patrimônio.

Quando o ex precisa pagar aluguel ao outro?

A regra geral segue um princípio simples: ninguém pode se beneficiar sozinho de um bem que pertence a duas pessoas.

Leia mais:

Débitos antigos de aluguel podem cair no nome do novo dono

Situação mais comum

Se após a separação o imóvel é de propriedade conjunta, apenas um dos ex-companheiros permanece morando no local e o outro não tem acesso ao bem, pode surgir o direito à chamada indenização pelo uso exclusivo do imóvel, que na prática funciona como um aluguel.

Base legal

Essa interpretação é fundamentada no Código Civil, especialmente nos artigos que tratam de condomínio, quando duas ou mais pessoas são donas de um mesmo bem.

A lógica é clara: quem utiliza o imóvel sozinho deve compensar financeiramente o outro coproprietário.

Como o valor do aluguel é definido?

O valor não é arbitrário e costuma seguir critérios técnicos.

Avaliação do mercado

Na maioria dos casos, o valor é baseado no preço médio de aluguel de imóveis semelhantes na mesma região, em perícias judiciais ou avaliações imobiliárias, e também pode ser definido por acordo entre as partes.

Divisão proporcional

Se o imóvel pertence metade para cada um, por exemplo, o ex que permanece no local pode ter que pagar metade do valor do aluguel estimado ao outro.

A decisão vale automaticamente após a separação?

Não. Esse é um ponto crucial.

É preciso pedir na Justiça

O pagamento não acontece automaticamente. O ex-companheiro que saiu do imóvel precisa entrar com uma ação judicial, comprovar que não está usufruindo do bem e demonstrar que o outro está usando o imóvel de forma exclusiva.

Sem esse pedido formal, o direito pode até existir, mas não será aplicado.

Exemplo prático para entender melhor

Imagine um casal que se separa e possui uma casa avaliada em R$ 300 mil.

Um dos ex permanece morando no imóvel, enquanto o outro precisa alugar outro lugar. Se o aluguel médio na região for de R$ 1.200, a Justiça pode determinar o pagamento de cerca de R$ 600 por mês ao ex que saiu, correspondente à metade do valor.

Há exceções? Quando não há cobrança

Nem sempre o pagamento será exigido. Existem situações específicas em que a Justiça pode afastar essa obrigação.

Quando há filhos envolvidos

Se o imóvel está sendo utilizado como moradia dos filhos do casal, especialmente quando há guarda com residência fixa, o juiz pode entender que não há necessidade de pagamento, pois o uso do bem atende ao interesse da família.

Quando há acordo entre as partes

Se o casal define, em comum acordo, que um ficará no imóvel sem pagar aluguel, essa decisão prevalece.

O que dizem os tribunais brasileiros

Decisões recentes reforçam esse entendimento em diferentes estados do país.

O Judiciário tem reconhecido que o uso exclusivo pode gerar enriquecimento indevido, e o pagamento de aluguel surge como forma de equilíbrio patrimonial. Cada caso, no entanto, deve ser analisado individualmente.

Esse posicionamento também é frequentemente adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, que já consolidou essa interpretação em diversos julgamentos.

Como evitar problemas após a separação

Especialistas recomendam alguns cuidados práticos.

Formalize tudo

Faça acordos por escrito, inclua cláusulas sobre uso do imóvel e defina prazos e responsabilidades.

Busque orientação jurídica

Um advogado especializado pode evitar conflitos, garantir seus direitos e orientar sobre a melhor estratégia.

Avalie vender o imóvel

Em muitos casos, a venda do bem e divisão do valor pode ser a solução mais simples e menos desgastante.

Impacto financeiro para os brasileiros

Essa decisão tem impacto direto no bolso, especialmente em um cenário em que o custo de moradia está elevado e muitos brasileiros dependem da divisão de patrimônio após separações.

Na prática, o pagamento de aluguel pode representar uma despesa relevante ou uma compensação importante para quem deixou o imóvel.

Conclusão

A decisão da Justiça deixa claro que o uso exclusivo do imóvel após a separação pode gerar obrigação de pagamento de aluguel ao ex-companheiro.

No entanto, cada caso deve ser analisado com cuidado, levando em conta fatores como filhos, acordos prévios e divisão da propriedade.

Entender essas regras é essencial para evitar prejuízos financeiros e garantir uma separação mais justa para ambas as partes.

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