A partir de 8 de junho, os brasileiros que desejam obter a primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas categorias A, destinada a motocicletas, e B, para automóveis, precisarão cumprir uma nova etapa obrigatória: a realização do exame toxicológico.
Detrans ampliam implementação das novas regras da CNH para categorias A e B
Novos candidatos à CNH precisarão fazer exame toxicológico antes do processo. Entenda as regras, prazos, custos e impactos.
A medida foi estabelecida pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), com base na Lei nº 15.153/2025 e na Resolução nº 1.020 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Até então, essa exigência era aplicada exclusivamente aos motoristas profissionais das categorias C, D e E, utilizadas para caminhões, ônibus e veículos de grande porte.
Com a mudança, o exame passa a integrar o processo inicial de habilitação e se torna um requisito indispensável para o avanço das demais etapas. Sem a apresentação de um resultado válido, o candidato não poderá sequer agendar o exame de aptidão física e mental realizado pelos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans).
A iniciativa faz parte de um conjunto de ações voltadas ao fortalecimento da segurança viária e à redução dos riscos associados ao uso de substâncias psicoativas por futuros condutores.
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O que muda no processo para tirar a CNH

A principal alteração está na ordem das etapas exigidas para obtenção da habilitação.
Até então, o candidato iniciava o processo realizando exames médicos e psicológicos, seguido das aulas teóricas e práticas. Agora, o exame toxicológico passa a ser uma etapa preliminar obrigatória.
Nova sequência para obtenção da CNH
De forma simplificada, o processo passará a seguir a seguinte ordem:
- Realização do exame toxicológico;
- Apresentação do resultado aprovado;
- Agendamento do exame médico;
- Avaliação psicológica, quando exigida;
- Curso teórico;
- Prova teórica;
- Aulas práticas;
- Exame prático de direção.
Caso o candidato não apresente um resultado válido, o processo permanecerá bloqueado.
Como funciona o exame toxicológico
O exame toxicológico é um teste laboratorial de larga janela de detecção, capaz de identificar o uso contínuo ou frequente de determinadas substâncias ao longo dos últimos meses.
Diferentemente de exames convencionais de sangue ou urina, a análise costuma ser realizada a partir de amostras de cabelo ou pelos corporais.
Essa metodologia permite identificar o histórico de consumo de drogas mesmo quando o indivíduo não apresenta sinais de uso recente.
Quais substâncias podem ser detectadas
O exame é capaz de identificar diversas substâncias psicoativas, entre elas:
- Cocaína;
- Maconha;
- Anfetaminas;
- Metanfetaminas;
- Ecstasy;
- Heroína;
- Fentanil;
- Metadona;
- Morfina;
- Codeína;
- Rebites e outros estimulantes utilizados por motoristas.
A lista pode variar de acordo com os protocolos laboratoriais autorizados pelos órgãos reguladores.
Exame toxicológico não substitui o bafômetro
Uma dúvida comum entre os candidatos é acreditar que o exame toxicológico funciona da mesma forma que o bafômetro. No entanto, os dois procedimentos possuem objetivos completamente diferentes.
Diferenças entre os testes
O bafômetro é utilizado em fiscalizações de trânsito para verificar a presença de álcool no organismo naquele exato momento.
Já o exame toxicológico não identifica se a pessoa está sob efeito de drogas no dia da coleta. Sua finalidade é apontar um histórico de consumo de determinadas substâncias durante um período prolongado.
Isso significa que uma pessoa pode estar totalmente sóbria quando realiza o exame e, ainda assim, apresentar resultado positivo em razão de um consumo ocorrido semanas ou meses antes.
Resultado tem prazo de validade
Outro ponto importante é o prazo de validade do exame.
O resultado poderá ser utilizado por apenas três meses dentro do processo de habilitação.
O que acontece se o exame vencer
Se o candidato realizar o teste e não concluir as demais etapas da CNH dentro desse período, será necessário:
- Fazer uma nova coleta;
- Solicitar um novo laudo;
- Arcar novamente com os custos do procedimento.
Por esse motivo, especialistas recomendam que o exame seja realizado apenas quando o candidato estiver preparado para iniciar efetivamente o processo de habilitação.
Quanto custa o exame toxicológico
Os valores variam conforme a região do país e o laboratório credenciado.
Atualmente, o custo médio do exame toxicológico no Brasil costuma variar entre R$ 100 e R$ 250.
O preço pode sofrer alterações dependendo do estado, da cidade e da concorrência entre os laboratórios autorizados.
Como o exame passa a ser uma etapa obrigatória para milhões de novos candidatos à CNH, existe expectativa de aumento na procura pelo serviço nos próximos meses.
Resultado positivo impede a emissão da CNH
Um dos pontos mais relevantes da nova regra é o impacto direto do resultado positivo.
Caso seja identificada alguma das substâncias analisadas, o candidato não poderá prosseguir com o processo de habilitação.
Como regularizar a situação
Nesses casos, o interessado deverá:
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- Interromper o processo temporariamente;
- Aguardar o período necessário para eliminação dos vestígios detectáveis;
- Realizar um novo exame;
- Apresentar resultado negativo para retomar a habilitação.
Somente após a aprovação no teste será possível continuar as demais etapas exigidas pelo Detran.
Atenção ao uso de medicamentos controlados
A nova regra também exige atenção de pessoas que utilizam medicamentos prescritos por profissionais de saúde.
Determinados remédios contêm substâncias derivadas de anfetaminas ou opioides que podem influenciar o resultado do exame.
Como evitar problemas na análise
Especialistas orientam que o candidato informe ao laboratório, no momento da coleta, qualquer tratamento médico em andamento.
Também é recomendável apresentar:
- Receita médica atualizada;
- Relatórios clínicos;
- Laudos médicos, quando disponíveis;
- Comprovantes do tratamento.
Essa documentação auxilia na interpretação correta dos resultados e reduz o risco de questionamentos durante a análise.
Por que o governo ampliou a exigência
A ampliação da obrigatoriedade do exame toxicológico está relacionada à busca por maior segurança no trânsito brasileiro.
Segundo especialistas em mobilidade, o uso de substâncias psicoativas pode comprometer habilidades fundamentais para a condução de veículos, como:
- Atenção;
- Tempo de reação;
- Coordenação motora;
- Capacidade de tomada de decisões.
Ao exigir o exame já na fase inicial da habilitação, o governo pretende ampliar o controle preventivo e reduzir potenciais riscos antes mesmo de o motorista ingressar oficialmente no sistema de trânsito.
O que os candidatos devem fazer agora

Com a entrada em vigor da nova regra em 8 de junho, quem pretende iniciar o processo da primeira CNH deve se organizar para cumprir essa etapa adicional.
A recomendação é buscar informações diretamente no Detran do estado e verificar quais laboratórios estão autorizados a realizar o exame toxicológico.
Também é importante considerar o prazo de validade de três meses para evitar gastos extras com uma nova coleta.
A mudança representa uma das maiores alterações recentes nas regras para obtenção da CNH nas categorias A e B e deve impactar milhões de brasileiros que pretendem conquistar a habilitação nos próximos anos.
Conclusão
A exigência do exame toxicológico para candidatos à primeira CNH representa uma mudança significativa no processo de habilitação no Brasil. A partir de 8 de junho, quem pretende obter a carteira nas categorias A ou B precisará incluir essa etapa no planejamento, observando os prazos e as regras estabelecidas pelos órgãos de trânsito. A medida busca reforçar a segurança viária e ampliar a prevenção contra o uso de substâncias psicoativas por futuros condutores. Por isso, estar bem informado e cumprir todas as exigências será fundamental para evitar atrasos e garantir a continuidade do processo de obtenção da CNH.
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