O sistema de pagamentos instantâneos Pix, criado para facilitar a vida do consumidor brasileiro e agilizar transações financeiras, tem se transformado também em um campo fértil para golpes digitais. Um levantamento divulgado em novembro de 2025 pela Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor (ADDP) aponta que o Brasil registrou 28 milhões de fraudes envolvendo o Pix entre janeiro e setembro deste ano.
Golpe via Pix virou epidemia no Brasil, 28 milhões de fraudes em menos de um ano!
Brasil tem 28 milhões de fraudes com Pix em 2025. Deepfakes e IA ampliam golpes. Veja como se proteger e usar o botão de contestação.
A cifra impressiona e acende um alerta sobre a crescente sofisticação dos crimes cibernéticos no país. Impulsionados pela inteligência artificial (IA), pela massificação do uso do Pix e pela baixa educação digital da população, os golpes se tornaram uma indústria estruturada, com quadrilhas especializadas e prejuízos bilionários.
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Segundo o relatório da ADDP, além dos 28 milhões de casos envolvendo o Pix, o Brasil também registrou:
- 2,7 milhões de golpes em compras online;
- 1,6 milhão de fraudes via WhatsApp;
- 1,5 milhão de ataques de phishing (e-mails e mensagens falsas);
- 1,5 milhão de fraudes com falsas centrais de atendimento.
Essas modalidades se misturam, muitas vezes, no mesmo golpe. O consumidor é enganado por uma mensagem falsa, liga para um número fraudulento e acaba transferindo via Pix para um criminoso. O nível de sofisticação dessas operações tem dificultado a reação das vítimas e das instituições financeiras.
Perfil das vítimas
A faixa etária mais vulnerável às fraudes digitais é a dos brasileiros com mais de 50 anos, que concentra 53% dos casos registrados. Segundo a ADDP, fatores como menor familiaridade com tecnologia, confiança excessiva em contatos telefônicos e dificuldades para reconhecer sinais de golpe contribuem para esse índice elevado.
Golpes financeiros: quase metade das fraudes no país
O estudo aponta que 47% das fraudes digitais no Brasil têm natureza financeira. Outras modalidades incluem:
- Roubo de identidade (15%)
- Vazamento de dados e invasões (22%)
- Fraudes em e-commerce (16%)
Esse cenário deixa claro que os dados pessoais, quando expostos ou mal protegidos, se tornam o elo frágil da cadeia de segurança digital, com potencial para resultar em perdas significativas.
O papel da inteligência artificial nas fraudes
Golpes com deepfakes crescem no país
O relatório da ADDP também destaca o uso crescente de deepfakes — tecnologia que simula vozes e rostos com base em IA — para aplicar golpes de identidade. Um dos exemplos mais comuns é o uso de vídeos falsos de familiares ou autoridades pedindo transferências urgentes via Pix.
Além disso, a IA tem sido usada para automatizar mensagens fraudulentas, clonar sites e construir “kits de fraude” prontos para uso, vendidos em grupos privados na internet.
Brasil é o segundo país com mais ataques cibernéticos no mundo
Com 700 milhões de tentativas de ataques cibernéticos por ano, o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking global, atrás apenas dos Estados Unidos. Isso equivale a impressionantes 1.379 ataques por minuto.
Esse número inclui desde tentativas simples de phishing até invasões sofisticadas a sistemas corporativos e bancos de dados. Segundo especialistas, a facilidade de acesso à tecnologia e a baixa punição no país incentivam a proliferação dos crimes digitais.
Perdas financeiras podem ultrapassar R$ 100 bilhões em 2025
Subnotificação agrava o problema
As perdas financeiras decorrentes de golpes e fraudes variam conforme a fonte. Algumas estimativas falam em R$ 10 bilhões ao ano, enquanto outras, mais abrangentes, apontam para até R$ 112 bilhões em 2024 — número que pode ser ainda maior em 2025.
Segundo Francisco Gomes Junior, presidente da ADDP, a subnotificação das vítimas distorce os dados reais: “Muitas pessoas não registram boletim de ocorrência por vergonha, desconhecimento ou sensação de impunidade. Isso enfraquece o combate e as políticas públicas de prevenção.”
O que está sendo feito: ações do Banco Central e medidas de segurança
Bloqueio de chaves Pix fraudulentas
Desde outubro de 2025, o Banco Central passou a bloquear chaves Pix associadas a golpes e fraudes. A medida, baseada em denúncias e informações fornecidas pelas instituições financeiras, impede o uso contínuo de contas suspeitas para práticas criminosas.
Limite de R$ 15 mil para transferências via Pix e TED
Outra medida implementada para reforçar a segurança é o limite de R$ 15 mil por operação via Pix e TED, adotado para dificultar golpes de alto valor, especialmente os aplicados por quadrilhas que sequestram vítimas digitalmente ou sob coação.
Negativa obrigatória de transações para contas suspeitas
Agora, bancos e instituições de pagamento devem negar automaticamente transações que tenham como destino contas identificadas como envolvidas em fraudes. Essa triagem automática visa interromper a rota dos valores desviados e proteger potenciais novas vítimas.
Botão de contestação: resposta rápida ao golpe
A mais recente inovação é o chamado “botão de contestação”, disponível nos aplicativos das instituições financeiras. Com ele, o usuário que percebe ter sido vítima de um golpe pode:
- Solicitar o bloqueio imediato da quantia enviada;
- Iniciar o processo de análise para tentativa de devolução;
- Gerar provas e registros formais do ocorrido.
Segundo o BC, essa funcionalidade aumenta em até 72% a chance de recuperação do dinheiro, especialmente quando acionada logo após a transação.
Como se proteger das fraudes com Pix
Regras básicas de prevenção
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A ADDP orienta os consumidores a adotarem protocolos simples, mas eficientes, como:
- Regra das duas confirmações e dez segundos: confirme duas vezes os dados do destinatário e espere 10 segundos antes de concluir o Pix;
- Jamais informe senhas por telefone, e-mail ou WhatsApp;
- Evite clicar em links enviados por desconhecidos ou que prometam ofertas irreais;
- Ative a autenticação em dois fatores em todos os aplicativos financeiros.
Configure limites de valores nas transações
Nos aplicativos bancários é possível estabelecer limites diários e noturnos para o uso do Pix. Isso impede que grandes quantias sejam transferidas sem autorização ou sob coação. Alguns bancos permitem até congelar totalmente a função Pix por períodos pré-definidos.
Cuidado com chamadas de supostas centrais
Muitos golpes começam com uma ligação de uma “falsa central de atendimento”, geralmente usando números que imitam os oficiais dos bancos. Nessas ligações, o golpista induz o cliente a “desbloquear” o app ou “confirmar” uma transação — o que, na verdade, resulta no sequestro da conta.
Dica: Se você receber uma ligação suspeita, desligue e ligue diretamente para o número oficial do banco. Não confie em mensagens que digam que seu Pix está bloqueado ou em risco.
O papel das empresas e do poder público
Campanhas de educação digital
Especialistas defendem que o combate às fraudes deve ser também preventivo e educativo. Bancos, fintechs e instituições públicas estão sendo pressionados a realizar campanhas de conscientização mais efetivas, com foco em idosos e públicos vulneráveis.
Investimentos em tecnologia antifraude
Alguns bancos já usam machine learning e IA para prever e impedir transações suspeitas em tempo real. O desafio agora é expandir essa tecnologia para fintechs menores e integrá-la a sistemas públicos como o Meu INSS e o gov.br.
Caminhos para o futuro: Pix seguro e educação digital
O Pix vai continuar sendo seguro?
Sim. Apesar dos casos de fraude, o Pix ainda é considerado uma das ferramentas mais seguras e eficientes do sistema financeiro. Os problemas ocorrem, em grande parte, por falhas humanas ou por engenharia social, e não por falhas técnicas do sistema.
Educação digital: a grande prioridade
A principal barreira de proteção continua sendo a educação digital. Ensinar os usuários a identificar golpes, configurar limites, desconfiar de mensagens falsas e agir com calma diante da pressão emocional dos golpistas é, hoje, mais eficaz do que qualquer firewall.
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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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