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Golpe via Pix virou epidemia no Brasil, 28 milhões de fraudes em menos de um ano!

Brasil tem 28 milhões de fraudes com Pix em 2025. Deepfakes e IA ampliam golpes. Veja como se proteger e usar o botão de contestação.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes7 min de leitura
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O sistema de pagamentos instantâneos Pix, criado para facilitar a vida do consumidor brasileiro e agilizar transações financeiras, tem se transformado também em um campo fértil para golpes digitais. Um levantamento divulgado em novembro de 2025 pela Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor (ADDP) aponta que o Brasil registrou 28 milhões de fraudes envolvendo o Pix entre janeiro e setembro deste ano.

A cifra impressiona e acende um alerta sobre a crescente sofisticação dos crimes cibernéticos no país. Impulsionados pela inteligência artificial (IA), pela massificação do uso do Pix e pela baixa educação digital da população, os golpes se tornaram uma indústria estruturada, com quadrilhas especializadas e prejuízos bilionários.

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Fraudes em alta em todos os canais

Segundo o relatório da ADDP, além dos 28 milhões de casos envolvendo o Pix, o Brasil também registrou:

  • 2,7 milhões de golpes em compras online;
  • 1,6 milhão de fraudes via WhatsApp;
  • 1,5 milhão de ataques de phishing (e-mails e mensagens falsas);
  • 1,5 milhão de fraudes com falsas centrais de atendimento.

Essas modalidades se misturam, muitas vezes, no mesmo golpe. O consumidor é enganado por uma mensagem falsa, liga para um número fraudulento e acaba transferindo via Pix para um criminoso. O nível de sofisticação dessas operações tem dificultado a reação das vítimas e das instituições financeiras.

Perfil das vítimas

A faixa etária mais vulnerável às fraudes digitais é a dos brasileiros com mais de 50 anos, que concentra 53% dos casos registrados. Segundo a ADDP, fatores como menor familiaridade com tecnologia, confiança excessiva em contatos telefônicos e dificuldades para reconhecer sinais de golpe contribuem para esse índice elevado.

Golpes financeiros: quase metade das fraudes no país

O estudo aponta que 47% das fraudes digitais no Brasil têm natureza financeira. Outras modalidades incluem:

  • Roubo de identidade (15%)
  • Vazamento de dados e invasões (22%)
  • Fraudes em e-commerce (16%)

Esse cenário deixa claro que os dados pessoais, quando expostos ou mal protegidos, se tornam o elo frágil da cadeia de segurança digital, com potencial para resultar em perdas significativas.

O papel da inteligência artificial nas fraudes

Golpes com deepfakes crescem no país

O relatório da ADDP também destaca o uso crescente de deepfakes — tecnologia que simula vozes e rostos com base em IA — para aplicar golpes de identidade. Um dos exemplos mais comuns é o uso de vídeos falsos de familiares ou autoridades pedindo transferências urgentes via Pix.

Além disso, a IA tem sido usada para automatizar mensagens fraudulentas, clonar sites e construir “kits de fraude” prontos para uso, vendidos em grupos privados na internet.

Brasil é o segundo país com mais ataques cibernéticos no mundo

Com 700 milhões de tentativas de ataques cibernéticos por ano, o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking global, atrás apenas dos Estados Unidos. Isso equivale a impressionantes 1.379 ataques por minuto.

Esse número inclui desde tentativas simples de phishing até invasões sofisticadas a sistemas corporativos e bancos de dados. Segundo especialistas, a facilidade de acesso à tecnologia e a baixa punição no país incentivam a proliferação dos crimes digitais.

Perdas financeiras podem ultrapassar R$ 100 bilhões em 2025

Subnotificação agrava o problema

As perdas financeiras decorrentes de golpes e fraudes variam conforme a fonte. Algumas estimativas falam em R$ 10 bilhões ao ano, enquanto outras, mais abrangentes, apontam para até R$ 112 bilhões em 2024 — número que pode ser ainda maior em 2025.

Segundo Francisco Gomes Junior, presidente da ADDP, a subnotificação das vítimas distorce os dados reais: “Muitas pessoas não registram boletim de ocorrência por vergonha, desconhecimento ou sensação de impunidade. Isso enfraquece o combate e as políticas públicas de prevenção.”

O que está sendo feito: ações do Banco Central e medidas de segurança

Bloqueio de chaves Pix fraudulentas

Desde outubro de 2025, o Banco Central passou a bloquear chaves Pix associadas a golpes e fraudes. A medida, baseada em denúncias e informações fornecidas pelas instituições financeiras, impede o uso contínuo de contas suspeitas para práticas criminosas.

Limite de R$ 15 mil para transferências via Pix e TED

Outra medida implementada para reforçar a segurança é o limite de R$ 15 mil por operação via Pix e TED, adotado para dificultar golpes de alto valor, especialmente os aplicados por quadrilhas que sequestram vítimas digitalmente ou sob coação.

Negativa obrigatória de transações para contas suspeitas

Agora, bancos e instituições de pagamento devem negar automaticamente transações que tenham como destino contas identificadas como envolvidas em fraudes. Essa triagem automática visa interromper a rota dos valores desviados e proteger potenciais novas vítimas.

Botão de contestação: resposta rápida ao golpe

A mais recente inovação é o chamado “botão de contestação”, disponível nos aplicativos das instituições financeiras. Com ele, o usuário que percebe ter sido vítima de um golpe pode:

  • Solicitar o bloqueio imediato da quantia enviada;
  • Iniciar o processo de análise para tentativa de devolução;
  • Gerar provas e registros formais do ocorrido.

Segundo o BC, essa funcionalidade aumenta em até 72% a chance de recuperação do dinheiro, especialmente quando acionada logo após a transação.

Como se proteger das fraudes com Pix

Regras básicas de prevenção

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A ADDP orienta os consumidores a adotarem protocolos simples, mas eficientes, como:

  • Regra das duas confirmações e dez segundos: confirme duas vezes os dados do destinatário e espere 10 segundos antes de concluir o Pix;
  • Jamais informe senhas por telefone, e-mail ou WhatsApp;
  • Evite clicar em links enviados por desconhecidos ou que prometam ofertas irreais;
  • Ative a autenticação em dois fatores em todos os aplicativos financeiros.

Configure limites de valores nas transações

Nos aplicativos bancários é possível estabelecer limites diários e noturnos para o uso do Pix. Isso impede que grandes quantias sejam transferidas sem autorização ou sob coação. Alguns bancos permitem até congelar totalmente a função Pix por períodos pré-definidos.

Cuidado com chamadas de supostas centrais

Muitos golpes começam com uma ligação de uma “falsa central de atendimento”, geralmente usando números que imitam os oficiais dos bancos. Nessas ligações, o golpista induz o cliente a “desbloquear” o app ou “confirmar” uma transação — o que, na verdade, resulta no sequestro da conta.

Dica: Se você receber uma ligação suspeita, desligue e ligue diretamente para o número oficial do banco. Não confie em mensagens que digam que seu Pix está bloqueado ou em risco.

O papel das empresas e do poder público

Campanhas de educação digital

Especialistas defendem que o combate às fraudes deve ser também preventivo e educativo. Bancos, fintechs e instituições públicas estão sendo pressionados a realizar campanhas de conscientização mais efetivas, com foco em idosos e públicos vulneráveis.

Investimentos em tecnologia antifraude

Alguns bancos já usam machine learning e IA para prever e impedir transações suspeitas em tempo real. O desafio agora é expandir essa tecnologia para fintechs menores e integrá-la a sistemas públicos como o Meu INSS e o gov.br.

Caminhos para o futuro: Pix seguro e educação digital

O Pix vai continuar sendo seguro?

Sim. Apesar dos casos de fraude, o Pix ainda é considerado uma das ferramentas mais seguras e eficientes do sistema financeiro. Os problemas ocorrem, em grande parte, por falhas humanas ou por engenharia social, e não por falhas técnicas do sistema.

Educação digital: a grande prioridade

A principal barreira de proteção continua sendo a educação digital. Ensinar os usuários a identificar golpes, configurar limites, desconfiar de mensagens falsas e agir com calma diante da pressão emocional dos golpistas é, hoje, mais eficaz do que qualquer firewall.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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