O Brasil alcançou um novo marco nas exportações de carne bovina em 2026. Entre janeiro e junho, o país embarcou 1,7 milhão de toneladas, volume recorde para um primeiro semestre e 15,5% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
Exportações de carne bovina somam US$ 9,85 bilhões no semestre
Exportações de carne bovina do Brasil atingem recorde no primeiro semestre de 2026, impulsionadas pela China e preços mais altos.
Além do crescimento no volume exportado, o setor também apresentou forte avanço na receita. As vendas externas renderam US$ 9,85 bilhões, um aumento de 36,2% em comparação aos US$ 7,24 bilhões obtidos no primeiro semestre do ano anterior.
Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), e reforçam o papel do Brasil como um dos maiores fornecedores mundiais de carne bovina.
Ao longo dos seis primeiros meses do ano, o país manteve uma média mensal próxima de 284 mil toneladas exportadas, sustentando um ritmo elevado de embarques para diversos mercados internacionais.
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O que impulsionou o crescimento das exportações

O desempenho recorde é resultado da combinação de fatores que favoreceram a carne bovina brasileira no mercado internacional.
Entre os principais motivos estão:
- aumento da demanda da China;
- valorização dos preços internacionais da carne;
- maior diversificação dos mercados compradores;
- competitividade da pecuária brasileira;
- crescimento das vendas para países da Ásia, Oriente Médio e América Latina.
Além do maior volume embarcado, o aumento dos preços médios de exportação contribuiu diretamente para que a receita crescesse em ritmo superior ao das toneladas exportadas.
China permanece como principal destino da carne brasileira
A China continuou sendo, com ampla vantagem, o maior comprador da carne bovina produzida no Brasil.
Durante o primeiro semestre de 2026, o país asiático adquiriu:
- 794,7 mil toneladas;
- crescimento de 24% no volume;
- US$ 4,87 bilhões em receita;
- alta de 49,4% no valor movimentado.
Na prática, os chineses responderam por 46,6% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil, mantendo sua posição como principal parceiro comercial do setor.
Esse protagonismo reforça a importância do mercado chinês para toda a cadeia da pecuária nacional, desde produtores rurais até frigoríficos exportadores.
Cota tarifária pode reduzir embarques para a China no segundo semestre
Apesar do excelente desempenho, o segundo semestre tende a apresentar um cenário diferente.
O Brasil atingiu a cota anual de 1,106 milhão de toneladas destinada à China com isenção de tarifas adicionais. Com o limite já alcançado, novos embarques passam a enfrentar custos maiores.
Como consequência, especialistas do setor esperam uma redução significativa no volume enviado ao mercado chinês até o fim do ano.
Esse movimento pode incentivar as empresas brasileiras a ampliar negócios com outros países, reduzindo parcialmente a dependência do mercado chinês.
Estados Unidos ampliam compras de carne brasileira
Os Estados Unidos permaneceram como o segundo principal destino das exportações brasileiras.
No acumulado do semestre, o país importou:
- 205 mil toneladas;
- crescimento de 13% em volume;
- receita de US$ 1,35 bilhão.
Mesmo diante de discussões comerciais entre os dois países, o mercado norte-americano continuou absorvendo volumes expressivos da produção brasileira.
União Europeia enfrenta novas restrições
A União Europeia ocupou a terceira posição entre os principais compradores no primeiro semestre.
Os países do bloco adquiriram:
- 51,2 mil toneladas;
- receita de US$ 452,3 milhões.
Entretanto, novas restrições comerciais previstas para entrar em vigor em 3 de setembro de 2026 devem reduzir os embarques brasileiros destinados ao bloco europeu durante a segunda metade do ano.
As exigências adicionais tendem a tornar o acesso ao mercado europeu mais restritivo para parte dos exportadores.
Chile e Rússia ganham importância
Enquanto alguns mercados podem perder participação ao longo do segundo semestre, outros vêm ampliando sua relevância.
Chile
O Chile importou:
- 70,7 mil toneladas;
- receita de US$ 420,2 milhões.
O país permanece entre os principais compradores da carne bovina brasileira na América do Sul.
Rússia
A Rússia apresentou um dos maiores crescimentos do período.
Os embarques alcançaram:
- 62,2 mil toneladas;
- receita de US$ 284,1 milhões;
- alta de 53,8% em volume;
- crescimento de 58,9% em valor.
O desempenho indica uma recuperação importante desse mercado para os exportadores brasileiros.
Junho registra o melhor resultado da série histórica
Somente em junho, o Brasil exportou 317,3 mil toneladas de carne bovina.
O volume representa um crescimento de 16,6% sobre o mesmo mês de 2025.
Em receita, o resultado foi ainda mais expressivo:
- US$ 1,975 bilhão;
- alta de 38,1%;
- melhor desempenho mensal da série histórica.
Os números demonstram que o setor encerrou o semestre mantendo forte ritmo de crescimento.
Carne in natura domina as exportações
A carne bovina in natura continuou sendo o principal produto exportado.
Em junho, ela respondeu por:
- 279,7 mil toneladas;
- 88,1% do volume total embarcado;
- US$ 1,83 bilhão em receita;
- 92,6% do faturamento das exportações.
Outros produtos também tiveram participação nas vendas externas.
Carnes industrializadas
- 8,5 mil toneladas;
- US$ 74 milhões.
Miúdos
- 20,1 mil toneladas;
- US$ 46,3 milhões.
Gorduras
- 6,2 mil toneladas;
- US$ 16 milhões.
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Tripas
- 2,7 mil toneladas;
- US$ 9,3 milhões.
Carnes salgadas
- 131 toneladas;
- US$ 754 mil.
Principais destinos das exportações em junho
A liderança da China permaneceu absoluta durante o mês.
China
- 161,9 mil toneladas;
- crescimento de 19%;
- receita de US$ 1,08 bilhão;
- alta de 39,5%.
Estados Unidos
Os embarques totalizaram 6,4 mil toneladas, volume 8,3% menor que no mesmo período do ano anterior.
Mesmo com a queda nas toneladas exportadas, a receita aumentou 16,4%, alcançando US$ 192,9 milhões, reflexo da valorização dos preços.
Chile
As vendas cresceram de forma expressiva:
- 12,9 mil toneladas;
- aumento de 67,5% no volume;
- receita de US$ 81,7 milhões;
- alta de 56,8%.
México
O mercado mexicano apresentou uma das maiores expansões do mês.
Os embarques chegaram a:
- 11,8 mil toneladas;
- crescimento de 153,9%;
- receita de US$ 74 milhões;
- avanço de 136,6%.
Outros mercados fortalecem a diversificação das exportações
Além dos principais compradores, outros países ampliaram sua participação nas exportações brasileiras em junho.
Entre eles estão:
- Indonésia (10,6 mil toneladas);
- Hong Kong (10 mil toneladas);
- Arábia Saudita (9 mil toneladas);
- União Europeia (8,2 mil toneladas);
- Rússia (8,1 mil toneladas);
- Filipinas (6,5 mil toneladas).
A ampliação do número de destinos é considerada estratégica para reduzir riscos diante de eventuais mudanças comerciais envolvendo grandes importadores.
Perspectivas para o restante de 2026

Embora o primeiro semestre tenha sido histórico, o setor deverá enfrentar um cenário mais desafiador na segunda metade do ano.
Entre os fatores que podem limitar o crescimento estão:
- encerramento da cota tarifária para a China;
- novas restrições impostas pela União Europeia;
- oscilações no comércio internacional;
- mudanças na demanda global.
Por outro lado, a abertura e expansão de mercados como México, Rússia, Indonésia e países do Oriente Médio podem compensar parte dessa desaceleração.
A expectativa da indústria é manter elevados níveis de exportação, aproveitando a competitividade da carne bovina brasileira e a crescente diversificação dos destinos internacionais.
Conclusão
O desempenho recorde das exportações de carne bovina no primeiro semestre de 2026 confirma a força do agronegócio brasileiro no mercado internacional. Mesmo com a perspectiva de redução dos embarques para a China e novas restrições na União Europeia, a diversificação dos destinos e a competitividade da produção nacional devem ajudar o setor a manter resultados positivos ao longo do ano. A capacidade de conquistar novos mercados será decisiva para sustentar o crescimento das exportações nos próximos meses.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
