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CNA estima queda de 100% nas vendas de suco de laranja e perdas de US$ 5,8 bi com tarifa

Com tarifa de 50% imposta por Trump, CNA estima queda total nas vendas de suco de laranja para os EUA e perdas de até US$ 5,8 bilhões.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
suco de laranja trump

A recente decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre uma série de produtos brasileiros, incluindo o suco de laranja, acendeu um sinal de alerta no setor agropecuário nacional.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou uma nota técnica na qual estima que, caso a medida entre em vigor, a exportação do suco de laranja para o mercado norte-americano será completamente zerada. O impacto econômico direto pode chegar a US$ 5,8 bilhões, o que representa uma redução de quase 50% no valor total exportado pelo agronegócio brasileiro aos EUA.

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O suco de laranja na mira: um dos produtos mais afetados

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Imagem: Freepik

Brasil domina o mercado global

O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de suco de laranja. Cerca de 60% do suco consumido globalmente vem do país. A América do Norte é um dos principais destinos dessa produção — somente em 2024, mais de um milhão de toneladas foram embarcadas para os Estados Unidos.

Com a nova tarifa de 50% anunciada pelo presidente Donald Trump, o produto se tornaria economicamente inviável para o mercado norte-americano. A CNA aponta que a medida representa um risco quase imediato de interrupção total nas vendas externas do setor para os EUA.

“Alguns produtos sofrerão mais impacto que outros, caso dos sucos de laranja, em que a tarifa se tornaria impeditiva para o produto brasileiro”, destacou a nota técnica da entidade.

Impacto na cadeia produtiva

Além de comprometer as exportações, a medida deve afetar toda a cadeia produtiva da laranja no Brasil. De acordo com entidades do setor, desde os pequenos produtores rurais até grandes cooperativas, todos sentirão o impacto da retração no mercado externo. A preocupação se estende também às usinas processadoras e à indústria de transporte e logística associada.

Outros setores agropecuários também estão em risco

Açúcar e madeira entre os mais prejudicados

Além do suco de laranja, outros produtos da pauta agroexportadora brasileira também devem sofrer consequências severas. A CNA prevê que o volume de exportações de açúcares de cana caia 74% em comparação com o ano anterior. Já a sacarose quimicamente pura, versão refinada do açúcar, deve simplesmente desaparecer das exportações para o território norte-americano.

No caso dos artigos de madeira, considerados produtos agropecuários pelo Ministério da Agricultura, a retração pode chegar a 93%. Exportações de obras em madeira, como móveis, devem registrar queda de 77%.

Café verde deve resistir, mas com atenção

A nota técnica da CNA indica que o café verde pode ser um dos poucos produtos que resistiriam parcialmente à nova política tarifária, devido à menor oferta global da commodity, que restringe as opções de substituição por parte dos importadores.

“Produtos como o café verde teriam um menor impacto relativo, devido à queda na oferta do grão no mercado internacional nos últimos anos”, avalia a CNA.

Perdas bilionárias e instabilidade no comércio bilateral

Projeção de redução de 48% no valor total das exportações

Em 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 12,1 bilhões em produtos agropecuários para os Estados Unidos. Com a nova tarifa de 50%, a CNA projeta uma queda de 48% nesse valor, resultando em perdas que podem ultrapassar US$ 5,8 bilhões.

Essa redução seria um duro golpe para a balança comercial brasileira, especialmente em um momento de instabilidade econômica global e desaceleração no ritmo de crescimento das exportações.

Senadores brasileiros tentam reverter cenário em missão diplomática

bandeiras dos Estados Unidos e Brasil visto cna
Imagem: NINA IMAGES / Shutterstock.com

Agenda nos EUA busca reabrir diálogo com empresários e congressistas

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Diante da gravidade da situação, uma comitiva de senadores brasileiros embarcará nesta sexta-feira (25) para os Estados Unidos. O grupo participará de uma série de encontros entre os dias 28 e 30 com empresários e parlamentares norte-americanos. O objetivo é sensibilizar a classe empresarial local para pressionar o governo Trump a rever a medida.

Antes da viagem, os senadores se reuniram com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que forneceu um briefing sobre os principais discursos contrários ao Brasil em solo americano e orientações para enfrentá-los com argumentos técnicos e diplomáticos.

Tentativa de construir pontes com o setor privado

A estratégia brasileira passa por conquistar aliados no setor privado norte-americano. O governo e o Congresso sabem que muitas empresas americanas dependem das commodities brasileiras, seja pelo custo mais baixo, seja pela qualidade dos produtos. A pressão por parte dessas corporações pode ser decisiva para alterar ou ao menos flexibilizar a nova política tarifária.

Uma crise que pode se alastrar

Consequências além do campo

O impacto da tarifa sobre o suco de laranja vai muito além dos produtores. Ele afeta transportadoras, trabalhadores da indústria de processamento, exportadores e até mesmo cidades cuja economia gira em torno da agroindústria.

Especialistas apontam que, se mantida, a medida pode provocar demissões em massa no setor, afetar a arrecadação de impostos em regiões produtoras e enfraquecer a confiança de investidores internacionais no mercado brasileiro.

Reação da diplomacia brasileira

O Itamaraty tem acompanhado com atenção o desenrolar das negociações. Fontes do Ministério das Relações Exteriores afirmam que o Brasil poderá recorrer a fóruns multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), caso não haja avanço no diálogo bilateral.

Imagem: Freepik

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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