O aumento das temperaturas no Brasil passou a impactar não apenas a rotina das cidades, mas também o ambiente de trabalho. Em meio às ondas de calor mais frequentes registradas nos últimos anos, a Justiça do Trabalho voltou a reforçar que a exposição excessiva ao calor pode gerar direito ao adicional de insalubridade.
Exposição a calor no trabalho entra em debate sobre insalubridade
TST mantém adicional de insalubridade para trabalhador exposto a calor extremo e reforça alerta sobre riscos à saúde no trabalho.
Uma decisão recente da 3ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) manteve a condenação de uma empresa do setor agroindustrial ao pagamento do benefício para um trabalhador submetido a condições térmicas consideradas inadequadas.
O caso reacendeu o debate sobre os limites da exposição ao calor no ambiente profissional e chamou atenção para os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde dos trabalhadores brasileiros.
Leia mais:
Insalubridade no trabalho: veja quando a lei garante o adicional
TST reconhece risco à saúde causado por calor excessivo
O processo envolve um borracheiro que trabalhou durante anos em uma empresa localizada em São José do Rio Preto, interior de São Paulo.
Segundo a ação trabalhista, o funcionário realizava atividades em ambiente fechado, com pouca ventilação e sem proteção adequada contra o calor intenso.
Durante a perícia técnica, foram identificados diversos problemas no local de trabalho:
- ausência de exaustão;
- ventilação insuficiente;
- exposição contínua ao calor;
- falta de controle térmico;
- inexistência de medidas efetivas de proteção.
O laudo também apontou que o ambiente ultrapassava os limites de tolerância previstos nas normas trabalhistas brasileiras.
O que é o índice IBUTG?
A análise utilizou o chamado Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo (IBUTG), uma das principais métricas utilizadas para medir exposição ocupacional ao calor.
O índice considera fatores como:
- temperatura do ambiente;
- umidade do ar;
- velocidade do vento;
- radiação térmica.
No caso analisado, o índice registrado foi de 27,6°C.
Para atividades consideradas pesadas, o limite permitido era de 25°C, segundo as normas técnicas aplicáveis.
Empresa foi condenada a pagar adicional de 20%
Com base no laudo pericial, a Justiça determinou o pagamento do adicional de insalubridade em grau médio.
Na prática, isso representa um adicional de 20% sobre a base de cálculo definida pela legislação trabalhista.
A empresa tentou reverter a decisão alegando que a perícia deveria desconsiderar períodos do ano em que as temperaturas ficaram abaixo do limite máximo permitido.
No entanto, tanto o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região quanto o TST mantiveram o entendimento favorável ao trabalhador.
TST relaciona calor extremo às mudanças climáticas
O relator do caso, ministro Alberto Balazeiro, destacou que o aumento do estresse térmico no ambiente profissional está diretamente ligado às mudanças climáticas.
Segundo ele, o problema deixou de ser apenas uma questão operacional e passou a representar um desafio global para saúde e segurança no trabalho.
O ministro também afirmou que a proteção dos trabalhadores contra riscos ambientais passou a integrar os princípios fundamentais reconhecidos pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).
O que caracteriza insalubridade por calor?
A insalubridade ocorre quando o trabalhador é exposto continuamente a agentes nocivos à saúde acima dos limites permitidos.
No caso do calor, a avaliação depende de fatores técnicos definidos em normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho.
Entre os principais elementos observados estão:
Intensidade da exposição
O nível de calor precisa ultrapassar os limites previstos para a atividade exercida.
Tempo de permanência
Quanto maior o tempo de exposição ao calor excessivo, maior o risco à saúde.
Tipo de atividade
Funções com esforço físico intenso costumam possuir limites mais baixos de tolerância térmica.
Condições do ambiente
A ausência de ventilação, exaustão ou proteção térmica pode agravar a situação.
Empresas precisam adotar medidas preventivas
A legislação trabalhista determina que o empregador deve reduzir ou neutralizar riscos ocupacionais sempre que possível.
No caso do calor excessivo, algumas medidas consideradas essenciais incluem:
- instalação de sistemas de ventilação;
- exaustores industriais;
- pausas regulares;
- hidratação adequada;
- redução do tempo de exposição;
- fornecimento de equipamentos de proteção.
Segundo especialistas em segurança do trabalho, apenas o fornecimento de água nem sempre é suficiente para eliminar a insalubridade.
Calor extremo aumenta riscos à saúde
A Organização Internacional do Trabalho alerta que bilhões de pessoas no mundo já trabalham expostas a temperaturas perigosas.
Os impactos do estresse térmico podem incluir:
- desidratação;
- exaustão física;
- queda de pressão;
- doenças renais;
- problemas respiratórios;
- agravamento de doenças cardíacas;
- transtornos mentais.
Em atividades mais pesadas, o calor intenso também aumenta significativamente o risco de acidentes de trabalho.
Ondas de calor ampliam preocupação no Brasil
Nos últimos anos, diversas regiões brasileiras registraram temperaturas recordes.
Especialistas afirmam que setores como:
- construção civil;
- agricultura;
- indústria;
- logística;
- limpeza urbana;
- metalurgia;
estão entre os mais vulneráveis aos efeitos das altas temperaturas.
Em muitos casos, trabalhadores permanecem horas expostos ao calor sem estrutura adequada para recuperação térmica.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Adicional de insalubridade é automático?
Não.
O adicional depende de avaliação técnica e análise das condições reais de trabalho.
Na maioria dos casos, é necessária perícia para comprovar:
- exposição acima dos limites;
- ausência de proteção eficaz;
- impacto potencial à saúde.
Por isso, trabalhadores que acreditam atuar em condições inadequadas costumam recorrer à Justiça do Trabalho para solicitar reconhecimento do direito.
Qual a diferença entre insalubridade e periculosidade?
Embora os dois adicionais estejam ligados à proteção do trabalhador, eles possuem diferenças importantes.
Insalubridade
Está relacionada à exposição contínua a agentes nocivos, como:
- calor;
- ruído;
- agentes químicos;
- poeira;
- radiação.
Periculosidade
Envolve risco iminente de morte ou acidente grave, como:
- inflamáveis;
- explosivos;
- eletricidade;
- segurança armada.
Justiça do Trabalho amplia debate sobre clima e trabalho
O caso analisado pelo TST mostra que o impacto das mudanças climáticas começa a influenciar diretamente decisões trabalhistas no Brasil.
Além da proteção individual dos trabalhadores, especialistas afirmam que empresas precisarão adaptar ambientes profissionais para enfrentar períodos de calor cada vez mais intensos.
O tema já vem sendo discutido internacionalmente como uma questão de saúde pública e produtividade econômica.
Trabalhadores devem registrar condições inadequadas
Especialistas recomendam que funcionários expostos a calor extremo guardem provas das condições de trabalho.
Entre os registros que podem ajudar estão:
- fotos do ambiente;
- mensagens internas;
- relatos de colegas;
- exames médicos;
- documentos sobre pausas e jornada.
Caso existam sintomas frequentes relacionados ao calor, o ideal é procurar atendimento médico e comunicar formalmente a empresa.
Segurança térmica deve ganhar mais atenção nos próximos anos
Com temperaturas cada vez mais elevadas em diversas regiões do país, a tendência é que o debate sobre segurança térmica no ambiente de trabalho cresça.
Especialistas afirmam que empresas que ignorarem medidas preventivas poderão enfrentar:
- ações trabalhistas;
- aumento de afastamentos;
- queda de produtividade;
- custos com saúde ocupacional.
Ao mesmo tempo, decisões recentes da Justiça indicam que a proteção à saúde do trabalhador continuará sendo prioridade diante dos efeitos das mudanças climáticas no Brasil.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
Informacoes Atualizadas 2026:
