A indústria calçadista da Argentina sofreu mais um impacto com o anúncio do fechamento da fábrica do Grupo Dass em Eldorado, na província de Misiones. A unidade, responsável pela produção de calçados para as marcas Nike e Adidas desde 2008, encerrará suas atividades e deixará mais de 150 trabalhadores desempregados.
Grupo Dass desativa fábrica de calçados da Nike e Adidas e demite 150 funcionários
Grupo Dass fecha fábrica que produzia para Nike e Adidas na Argentina, demite mais de 150 trabalhadores e muda sua estratégia de negócios.
A decisão representa mais um capítulo da reestruturação promovida pela companhia no país e ocorre em um momento de profundas mudanças na economia argentina. Segundo o Grupo Dass, o encerramento da produção está relacionado ao novo ambiente comercial, marcado pelo aumento das importações e pela perda de competitividade da fabricação local.
Embora a empresa garanta que continuará operando na Argentina por meio de atividades comerciais e logísticas, o fechamento da fábrica reacendeu o debate sobre os desafios enfrentados pela indústria nacional diante da abertura do mercado.
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Por que a fábrica foi fechada?

O Grupo Dass informou que a decisão faz parte de uma estratégia de adaptação às novas condições econômicas do país. A empresa afirma que a produção de calçados em território argentino deixou de ser competitiva diante do crescimento das importações, tornando mais vantajoso trazer produtos prontos do exterior.
Segundo a companhia, a medida não foi motivada por dificuldades financeiras. O objetivo seria reorganizar a operação para atender às mudanças no mercado, concentrando esforços em atividades comerciais e de distribuição.
A empresa também informou que todos os trabalhadores afetados receberão integralmente as indenizações previstas pela legislação trabalhista argentina.
Unidade produzia calçados para Nike e Adidas desde 2008
A fábrica de Eldorado iniciou suas operações em 2008 e tornou-se uma das principais unidades industriais do Grupo Dass na Argentina.
Durante quase duas décadas, o local fabricou calçados esportivos destinados principalmente às marcas Nike e Adidas, atendendo ao mercado argentino e contribuindo para a geração de centenas de empregos diretos e indiretos na região.
Ao longo dos anos, a unidade consolidou sua importância para a economia local, tornando-se uma das maiores empregadoras do município de Eldorado.
Com o encerramento das atividades, trabalhadores, fornecedores e pequenos negócios que dependiam da movimentação econômica da fábrica também devem sentir os efeitos da decisão.
Reestruturação começou antes do fechamento
O anúncio não surpreendeu completamente o setor.
Desde o início de 2025, o Grupo Dass já vinha reduzindo sua estrutura industrial na Argentina.
Em janeiro daquele ano, a empresa encerrou as atividades da unidade localizada em Coronel Suárez, responsável pela fabricação de produtos da Adidas. Na ocasião, cerca de 360 trabalhadores foram desligados.
Pouco tempo depois, a fábrica de Eldorado também sofreu uma redução em seu quadro de funcionários, com a demissão de outros 43 empregados.
Representantes sindicais já alertavam naquele período que a carteira de pedidos garantiria a produção apenas até o primeiro semestre, o que aumentava a preocupação sobre o futuro da unidade.
O fechamento definitivo confirmou as previsões feitas pelos trabalhadores meses antes.
O impacto da abertura comercial na indústria argentina
A decisão do Grupo Dass acontece em um contexto de mudanças econômicas promovidas pelo governo argentino.
Nos últimos meses, o país intensificou medidas voltadas à abertura comercial, reduzindo barreiras para importação de diversos produtos.
Na prática, isso aumentou a concorrência entre fabricantes locais e empresas estrangeiras.
Para segmentos intensivos em mão de obra, como a indústria calçadista, a diferença de custos de produção passou a representar um desafio ainda maior.
Em muitos casos, tornou-se economicamente mais vantajoso importar produtos acabados do que mantê-los em fabricação dentro do país.
Esse movimento não afeta apenas o setor de calçados. Outros segmentos industriais também acompanham com atenção os impactos da maior concorrência internacional.
Sindicato critica decisão e cobra proteção à indústria
A União dos Trabalhadores da Indústria do Calçado da República Argentina (UTICRA) reagiu ao anúncio com críticas.
Segundo a entidade, o fechamento da fábrica é consequência direta da ampliação das importações, da retração do consumo interno e da ausência de políticas públicas capazes de preservar a indústria nacional.
Para o sindicato, a combinação desses fatores reduziu significativamente a competitividade das empresas instaladas no país.
Os representantes dos trabalhadores defendem medidas que incentivem a produção local e preservem os empregos industriais, principalmente em regiões cuja economia depende fortemente desse tipo de atividade.
Grupo Dass continuará operando na Argentina
Apesar do encerramento da produção em Eldorado, o Grupo Dass não deixará o mercado argentino.
A empresa informou que manterá suas operações comerciais, logísticas e de importação no país.
Como parte da nova estratégia, as estruturas localizadas em Coronel Suárez e Cañuelas passarão a funcionar como centros de apoio logístico.
Além disso, o grupo continuará responsável pela representação e importação das marcas Fila, Umbro e Asics, cujas licenças administra na Argentina.
A mudança representa uma transformação no modelo de negócios da companhia, que deixa de priorizar a fabricação local para concentrar esforços na distribuição e comercialização de produtos.
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O que muda para Nike e Adidas?
O fechamento da fábrica não significa que Nike e Adidas deixarão de atuar no mercado argentino.
Os consumidores continuarão encontrando produtos das marcas nas lojas.
A principal diferença é que boa parte dos calçados passará a ser importada de outras unidades produtivas instaladas em diferentes países.
Na prática, a mudança ocorre na origem da fabricação, sem alterar a presença das marcas no varejo argentino.
Ainda assim, especialistas apontam que a dependência maior das importações pode tornar o mercado mais sensível às variações cambiais e aos custos logísticos.
Os maiores impactos serão sentidos pelos trabalhadores
Embora o Grupo Dass tenha garantido o pagamento das indenizações, o fechamento da unidade representa um duro golpe para os funcionários e para a economia regional.
Além dos empregos diretos, empresas fornecedoras, prestadores de serviços, transportadoras e pequenos comércios podem enfrentar redução na atividade econômica.
Em cidades de menor porte, grandes indústrias costumam exercer papel fundamental na geração de renda, movimentando diversos setores ao redor de suas operações.
Por isso, o encerramento das atividades tende a produzir efeitos que vão além das demissões anunciadas.
O futuro da indústria calçadista argentina

O caso do Grupo Dass evidencia os desafios enfrentados pela indústria argentina em um ambiente econômico cada vez mais competitivo.
Enquanto parte das empresas busca reduzir custos por meio da importação, sindicatos e representantes do setor defendem políticas capazes de fortalecer a produção nacional.
Nos próximos meses, o comportamento do consumo interno, a evolução da política econômica e as condições do comércio exterior poderão determinar se outras empresas seguirão o mesmo caminho ou optarão por manter suas fábricas em funcionamento.
Independentemente desse cenário, o fechamento da unidade de Eldorado simboliza uma mudança importante na estratégia industrial de uma das maiores fabricantes de calçados esportivos da América Latina.
Conclusão
O encerramento da fábrica do Grupo Dass em Eldorado marca o fim de uma operação que, durante 17 anos, produziu calçados para Nike e Adidas na Argentina e gerou centenas de empregos. A empresa atribui a decisão às mudanças no ambiente comercial, que tornaram a importação de produtos mais competitiva do que a fabricação local.
Apesar de manter sua presença no país por meio de atividades logísticas, comerciais e de importação, o impacto imediato será sentido pelos trabalhadores e pela economia da região. O episódio também reforça o debate sobre os desafios enfrentados pela indústria argentina diante da abertura comercial e da crescente concorrência internacional.
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