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Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida não faz sucesso entre os brasileiros

Faixa 4 do Minha Casa Minha Vida está abaixo da meta; governo e setor buscam ajustes para acelerar contratações e lançamentos.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
faixa 4 mcmv

Lançada em maio de 2025, a faixa 4 do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) foi anunciada pelo governo Lula como uma medida estratégica para atender à classe média e reaquecer o setor habitacional. Com foco em famílias com renda mensal de até R$ 12 mil, a nova modalidade permite a compra de imóveis de até R$ 500 mil, com condições de financiamento mais atrativas. No entanto, números atualizados mostram que o ritmo das contratações está bem abaixo das expectativas, o que já mobiliza conversas sobre possíveis ajustes no programa.

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faixa 4
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Meta distante: apenas 7 mil contratos assinados

Desde que entrou em vigor, a faixa 4 resultou em apenas 7.000 contratos assinados pela Caixa Econômica Federal — o equivalente a cerca de 5,8% da meta de 120 mil moradias prometidas pelo governo até 2026. Outros 15 mil contratos estão em fase de negociação, segundo dados obtidos com exclusividade pela reportagem. Apesar do baixo volume efetivo, há mais de 1 milhão de simulações realizadas, o que indica grande interesse por parte da população.

“O número de simulações é um bom sinal”, avaliou Roberto Ceratto, diretor de crédito imobiliário da Caixa.

Essa discrepância entre a intenção e a efetivação revela um descompasso entre demanda e oferta, além de entraves estruturais enfrentados tanto por compradores quanto pelas construtoras.

O que é a faixa 4 do Minha Casa Minha Vida?

Novo público-alvo: famílias de classe média

A faixa 4 foi criada para atender um público que até então estava fora do escopo dos programas habitacionais federais: famílias com renda mensal de até R$ 12 mil. Antes, o teto do programa era voltado principalmente às faixas 1 a 3, que contemplam famílias de baixa renda com imóveis até R$ 350 mil.

Condições diferenciadas de financiamento

Entre os principais atrativos da faixa 4 estão:

  • Financiamento de até 420 meses (35 anos);
  • Taxa de juros anual subsidiada de 10%, inferior à média de 13% no mercado tradicional;
  • Possibilidade de financiamento de imóveis novos ou usados até R$ 500 mil.

Essas condições visam ampliar o acesso da classe média à casa própria, especialmente em um contexto de juros altos que encarece o crédito imobiliário no setor privado.

Por que a faixa 4 ainda não deslanchou?

Faltam imóveis adequados no mercado

Segundo o vice-presidente de Habitação de Interesse Social da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Clausens Duarte, o principal gargalo está na oferta:

“O setor não estava preparado para essa nova faixa. Foi uma surpresa positiva, mas havia pouco estoque de imóveis enquadrados nos critérios.”

A maioria dos imóveis vendidos até agora são usados ou unidades novas já lançadas, adaptadas para se encaixar no programa. Para atender à faixa 4 com mais eficácia, as construtoras precisarão desenvolver novos projetos — o que exige tempo, financiamento e segurança regulatória.

Produção habitacional ainda depende de crédito caro

Outro obstáculo apontado por Clausens Duarte é o financiamento à produção para as construtoras. Atualmente, as empresas estão recorrendo a recursos próprios ou de tesouraria da Caixa, sem acesso a juros subsidiados, como ocorre no financiamento ao consumidor.

“Isso torna a operação menos atrativa. O governo estuda uma fonte com custo mais competitivo para viabilizar lançamentos”, disse Duarte.

Governo reconhece ritmo lento e estuda alternativas

Minha Casa Minha Vida
Imagem: luciodiasfilho / shutterstock – Edição: Seu Crédito Digital

Orçamento de R$ 30 bilhões até 2026

A faixa 4 do Minha Casa Minha Vida conta com um orçamento robusto de R$ 30 bilhões, sendo:

  • 50% provenientes do fundo social do pré-sal;
  • 50% oriundos da tesouraria da Caixa.

De acordo com Daniel Sigelmann, diretor do Departamento de Planejamento e Política Nacional de Habitação do Ministério das Cidades, a expectativa é que todo o orçamento seja utilizado até 2026.

“É natural o programa começar mais lento e depois ganhar tração”, disse ele à imprensa, descartando por ora mudanças nos parâmetros da faixa 4.

Construtoras avaliam cenário e sinalizam otimismo cauteloso

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Direcional vê espaço para ajustes

O presidente da Direcional, Ricardo Ribeiro, acredita que ajustes podem ser benéficos, especialmente se o consumo dos recursos seguir abaixo do planejado.

“Caso o orçamento siga sendo utilizado em ritmo mais lento, é possível que o governo faça algum tipo de adequação. Isso seria positivo para melhorar o poder de compra”, disse o executivo.

MRV aposta na adaptação gradual

Já Ricardo Paixão, diretor da MRV&CO, vê o cenário com naturalidade:

“Estamos tendo um bom desempenho, mas é normal que o público e os times comerciais levem um tempo para se ajustar ao novo modelo.”

A empresa está ofertando unidades de empreendimentos já prontos que antes não se enquadravam nas faixas mais populares do programa.

O que pode mudar na faixa 4?

Possíveis medidas discutidas no setor

  1. Subvenção à produção habitacional:
    Incentivos para que construtoras desenvolvam imóveis dentro dos critérios da faixa 4.
  2. Crédito com juro mais baixo para empresas:
    Financiamento mais barato para Pessoa Jurídica, via FGTS ou outro fundo.
  3. Ampliação do teto de imóvel em regiões metropolitanas:
    Adaptar os limites ao custo real da moradia em cidades como São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro.
  4. Ajustes nas garantias bancárias:
    Maior flexibilidade nas garantias exigidas para facilitar o acesso ao crédito.

Expectativas para os próximos meses

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Imagem: Monster Ztudio/Shutterstock

Com mais de 1 milhão de simulações já realizadas e 15 mil contratos em análise, a expectativa é que a faixa 4 do Minha Casa Minha Vida ganhe ritmo no segundo semestre de 2025 e, especialmente, ao longo de 2026. Para isso, será fundamental:

  • Ampliar a oferta de imóveis dentro do limite de R$ 500 mil;
  • Garantir crédito competitivo para a produção habitacional;
  • Estabelecer previsibilidade para construtoras e consumidores.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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