Segundo dados do Ministério da Cidadania obtidos pelo Estadão/Broadcast, o governo Bolsonaro teria dado prioridade para o Sul e o Sudeste na concessão de novos benefícios do Bolsa Família em janeiro. De acordo com o levantamento, apenas 3% dos novos benefícios foram destinados à famílias no Nordeste. Por outro lado, 75% dos novos benefícios foram destinados a famílias do Sul e do Sudeste.

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Famílias do Nordeste estariam sendo preteridas por questões políticas

O exemplo mais gritante dessa distorção o de Santa Catarina, estado governado por Carlos Moisés, do PSL (partido pelo qual Bolsonaro se elegeu presidente). Santa Catarina possui população 8 vezes menor do que a do Nordeste, entretanto recebeu o dobro de recursos do que todos o Nordeste. Conforme alguns analistas, tal distorção pode ter motivação política, pois a maioria dos governadores nordestinos são opositores de Jair Bolsonaro.

Analisando a evolução dos dados, houve pico em janeiro de novos benefícios do Bolsa Família em todas as regiões, menos no Nordeste.

Em 2018, o Nordeste foi a única região brasileira na qual Bolsonaro não saiu vitorioso. Lá, o candidato petista Fernando Haddad teve 69,7% dos votos válidos, contra apenas 30,3% de Jair Bolsonaro. Por outro lado, na Região Sul foi onde Bolsonaro conseguiu sua vitória mais expressiva, recebendo 68,3% dos votos válidos.

Além da pequena quantidade de novos benefícios do Bolsa Família destinados a famílias do Nordeste, já houve outra polêmica envolvendo Bolsonaro e a região. Segundo outro levantamento do Estadão/Broadcast, a quantidade de novos empréstimos da Caixa destinados ao Nordeste também foi reduzida.

Alcance do Bolsa Família diminuiu em todo o Brasil

Entre junho e dezembro de 2019, a média de novos benefícios do Bolsa Família caiu para 5.600 por mês. Antes disso, costumam ser incluídas mais de 200 mil novas famílias por mês. Para tornar a situação ainda mais crítica, é crescente o número de famílias em situação de extrema pobreza à espera do benefício.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) criticou o baixo número de novas famílias do Nordeste beneficiadas pelo Bolsa Família. Segundo Calheiros, “os números mostram um favorecimento no pagamento do benefício aos eleitores de regiões fiéis ao presidente Bolsonaro. Cabe aos presidentes da Câmara e do Senado pedir explicações para manter a eficácia do programa.”

O baixo número de famílias do Nordeste incluídas no Bolsa Família chama a atenção justamente porque é essa a região que reúne o maior número de famílias carentes que ainda não recebem o auxílio. Em dezembro de 2019, 939,6 mil famílias do Nordeste estavam em situação de extrema pobreza (ou seja, com renda familiar per capita inferior a R$ 89 por mês) e não recebiam o benefício. Em todo o país, há 2,39 milhões de famílias nessa situação. Portanto, o Nordeste reúne 39,31% das famílias em extrema pobreza que ainda não ganham Bolsa Família.

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Imagem: Shutterstock.