Se 2022 foi o ano com a menor quantidade de pedidos de recuperação judicial da história, 2023 pode ser muito diferente. Já que especialistas da área relatam que houve um aumento das empresas endividadas no último ano e que muitas delas não têm condições de cumprir com seus compromissos.
O que aconteceu em muitos casos é que os negócios aproveitaram os juros baixos durante a pandemia para pegar empréstimos com bancos. Naquela época, a taxa de juros dos contratos girava em torno de 3% ao ano.
Acontece que, depois da pandemia, o país continuou em crise e a taxa de juros passou para 13,75%. Além disso, o consumo caiu, o que reduziu a receita de muitas empresas. Consequentemente, elas não têm dinheiro para pagar suas dívidas e precisam apelar para recuperação judicial para se manter ativas.
Prieto pede recuperação judicial
A Prieto Alimentos é uma empresa paulista especializada em linguiças, cortes suínos temperados e embutidos. Em 2023, ela comemora 60 anos de existência e começou o ano entrando com um pedido de recuperação judicial.
O pedido foi feito à Justiça no dia 13 de fevereiro, de acordo com os advogados que cuidam do caso, sendo a alta taxa de juros, o crescimento do valor dos insumos e a diminuição do poder de compra das pessoas os principais responsáveis pela situação.
Ela afirma que diante da crise econômica, a Prieto não teve como repassar aos clientes o aumento nos custos de produção. Dessa forma, a empresa acabou ficando estrangulada e sem espaço para fazer uma nova renegociação dos débitos.
Valor da dívida
Atualmente, a dívida da empresa é de cerca de R$ 150 milhões, sendo que várias instituições financeiras são os credores. Apesar disso, o processo de recuperação judicial já está em andamento e algumas soluções estão próximas.
Para o CEO do escritório da advocacia responsável pela recuperação, Douglas Duek, a Prieto está tratando com investidores uma forma de captação de recursos e pretende conversar com os bancos para conseguir um alongamento dos passivos.
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