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INSS mira movimentação estranha de R$ 600 mil em conta de zelador no DF, confira os detalhes

Conta de zelador no DF movimentou R$ 600 mil em um mês e entrou na mira da CPMI do INSS. Coaf aponta indícios de fraude e laranjas.

Bruna MachadoPor Bruna Machado7 min de leitura
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A investigação sobre a chamada Farra do INSS ganhou novos contornos após a revelação de que a conta bancária de um zelador desempregado, morador do Gama, no Distrito Federal, movimentou mais de R$ 600 mil em apenas um mês de 2024.

O caso, apontado em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), reforça as suspeitas de uso de “laranjas” para ocultar o rastro de recursos desviados de aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social.

O documento foi encaminhado à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS e descreve movimentações financeiras consideradas incompatíveis com o perfil econômico do titular da conta. A análise do Coaf indica indícios claros de lavagem de dinheiro, fracionamento de valores e repasses quase imediatos após os créditos, dificultando o rastreamento dos recursos.

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Conta de zelador chama atenção por volume atípico de movimentações

Valores circularam em apenas 30 dias

De acordo com o relatório, a conta bancária do zelador registrou a circulação de R$ 610 mil em um intervalo aproximado de um mês. Do total, R$ 302,4 mil entraram como créditos e R$ 307,9 mil saíram em forma de débitos. O padrão acelerado e fragmentado das transações acendeu o alerta dos órgãos de controle.

Perfil financeiro incompatível, segundo o Coaf

Para o Coaf, as movimentações são totalmente incompatíveis com a condição financeira do titular da conta, descrito como desempregado. O órgão ressalta que o histórico bancário não condiz com renda formal ou atividade econômica capaz de justificar valores dessa magnitude.

Empresas ligadas à AAB aparecem como origem dos recursos

Transferências feitas por empresas de Lucineide dos Santos

Parte expressiva dos valores creditados na conta do zelador teve origem em duas empresas: Solution Serviços de Locação e Impacto Serviços de Apoio. Ambas pertencem a Lucineide dos Santos de Oliveira, sócia da Associação dos Aposentados do Brasil (AAB), uma das entidades investigadas por envolvimento em descontos irregulares em benefícios previdenciários.

As transferências teriam sido realizadas à vista, o que reforça a suspeita de tentativa de pulverização rápida dos valores.

Pix de servidores públicos também entrou na conta

Além das empresas, a conta recebeu transferências diretas de pessoas físicas. Um bombeiro militar do Distrito Federal realizou um Pix de R$ 70 mil, enquanto outro servidor público enviou R$ 38 mil, divididos em duas operações. As circunstâncias desses repasses ainda são apuradas.

Transações fracionadas reforçam indícios de lavagem de dinheiro

Transferências repetidas chamaram atenção do Coaf

Um dos pontos destacados no relatório envolve um homem identificado como Dennys Bezerra, que realizou 14 transferências ao longo de um mês, totalizando R$ 63.627,00. O fracionamento do valor, segundo o Coaf, é uma estratégia comum para evitar alertas automáticos dos sistemas bancários.

Repasse imediato após o recebimento

Outro aspecto considerado suspeito foi a rapidez com que os valores saíam da conta logo após os créditos. Em muitos casos, o dinheiro era transferido no mesmo dia, dificultando a identificação do destino final dos recursos.

Dinheiro circulou por contas do próprio zelador

Segunda conta recebeu mais de R$ 150 mil

Após os créditos iniciais, parte dos valores foi enviada para uma segunda conta registrada em nome do próprio zelador. Nessa etapa, R$ 150,1 mil foram transferidos em apenas cinco operações, o que reforça a hipótese de uso indevido de dados pessoais.

Saídas para terceiros completam o caminho do dinheiro

Outras transferências relevantes incluem R$ 93,2 mil enviados para Dennys Bezerra em seis transações e R$ 27,2 mil destinados a uma enfermeira via Pix. O valor restante foi fracionado e enviado a outras contrapartes não detalhadas no relatório.

Conta já havia sido alvo de alertas anteriores

Relatórios anteriores apontaram movimentações suspeitas

O Coaf informou à CPMI do INSS que a conta do zelador já havia sido reportada outras duas vezes antes do envio do relatório mais recente. Isso indica um padrão recorrente de uso da conta em operações financeiras atípicas.

Indícios de uso por terceiros

O órgão também menciona explicitamente a possibilidade de que a conta estivesse sendo utilizada em benefício de terceiros, sem o conhecimento ou consentimento do titular, prática comum em esquemas de ocultação de patrimônio.

Zelador nega conhecimento das transações

Titular afirma desconhecer movimentações

Procurado pela reportagem, o zelador afirmou não reconhecer os valores movimentados em sua conta e disse desconhecer completamente as transações descritas no relatório do Coaf.

Registro de ocorrência na Polícia Civil

Segundo ele, a intenção é procurar a Polícia Civil do Distrito Federal para registrar boletim de ocorrência, alegando possível uso indevido de seus dados bancários.

Associação dos Aposentados do Brasil entra no foco da CPMI

Entidade é investigada por descontos indevidos

A Associação dos Aposentados do Brasil figura entre as organizações investigadas por envolvimento em um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em benefícios do INSS.

Vínculos com a Conafer levantam suspeitas

Relatórios apontam conexões financeiras e administrativas entre a AAB e a Confederação Nacional dos Agricultores e Empreendedores Familiares (Conafer). As duas entidades compartilham endereço, além de telefones e e-mails associados a CNPJs ligados às organizações.

Empresas suspeitas e possível uso de empresas fantasmas

Igreja e CNPJ no mesmo endereço

Lucineide dos Santos também é dona de uma igreja evangélica localizada no Recanto das Emas, no Distrito Federal. Curiosamente, um CNPJ pertencente ao contador da Conafer, Samuel Chrisostomo do Bonfim Júnior, aparece registrado no mesmo endereço.

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Fiscalização encontrou apenas templo religioso

Ao visitar o local, foi encontrada apenas a igreja, sem indícios de funcionamento da empresa registrada. Apesar disso, dados da Receita Federal indicam que o CNPJ está ativo, levantando suspeitas de empresa fantasma.

Repasse a lobista amplia alcance do esquema

Transferência de R$ 100 mil chama atenção

Outro relatório enviado à CPMI identificou uma transferência de R$ 100 mil feita pela Impacto Serviços de Apoio para a conta do lobista Danilo Berndt Trento.

Banco investigado por lavagem de dinheiro

O repasse foi realizado por meio do BK Bank, instituição investigada por suspeita de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), o que agrava ainda mais o cenário investigativo.

Operação Sem Desconto avança em todo o país

Ação mobilizou forças federais em 17 estados

Em novembro, a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram nova fase da Operação Sem Desconto. A ofensiva ocorreu simultaneamente em 17 estados e no Distrito Federal.

Mandados e prisões

Foram cumpridos 63 mandados de busca e apreensão, além de 10 mandados de prisão preventiva. Entre os presos estão ex-dirigentes do INSS, empresários e representantes de entidades associativas.

Como funcionava o esquema de descontos indevidos

Inclusão fraudulenta de beneficiários

As investigações apontam que os suspeitos inseriam dados falsos em sistemas oficiais para vincular aposentados e pensionistas a associações fictícias ou sem consentimento.

Descontos mensais sem autorização

Com isso, valores eram descontados diretamente dos benefícios, muitas vezes sem que os segurados percebessem ou compreendessem a origem das cobranças.

Crimes investigados

O grupo é investigado por estelionato previdenciário, organização criminosa, corrupção ativa e passiva, além de ocultação e lavagem de dinheiro.

Considerações finais

O caso da conta do zelador do Distrito Federal evidencia a complexidade e a dimensão do esquema investigado na Farra do INSS. A utilização de contas de pessoas com perfil financeiro incompatível, a pulverização de valores e o envolvimento de entidades associativas reforçam a necessidade de maior fiscalização e transparência no sistema previdenciário.

As investigações seguem em andamento, e novos desdobramentos podem surgir a partir da análise detalhada das movimentações financeiras e dos vínculos entre os investigados.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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