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Escândalo do ICMS: Fast Shop decide fechar lojas e centro de distribuição

Após investigação do MP-SP por fraude no ICMS, a Fast Shop fecha lojas e centro de distribuição em reestruturação interna.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
icms fast shop

A rede de eletrônicos Fast Shop anunciou o fechamento de 11 lojas físicas e de um centro de distribuição, em meio a uma profunda reestruturação interna. A decisão ocorre pouco mais de dois meses após a Operação Ícaro, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que revelou um suposto esquema bilionário de ressarcimento fraudulento de créditos de ICMS, com o envolvimento de servidores públicos e executivos da empresa.

Segundo comunicado oficial, a companhia alega que o processo faz parte de uma “reavaliação constante de estrutura e operação” com foco em eficiência e sustentabilidade. No entanto, o contexto jurídico e financeiro indica que a reestruturação é também uma resposta direta aos desdobramentos da investigação.

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Operação Ícaro: o escândalo que atingiu a varejista

Sefaz São Paulo
Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com

Como funcionava o esquema

A Operação Ícaro teve início em 12 de agosto de 2025, com a deflagração de mandados de busca e apreensão contra servidores e empresários suspeitos de participar de um esquema de propinas para inflar ressarcimentos de créditos de ICMS.

De acordo com o Gedec (Grupo de Atuação Especial de Recuperação de Ativos e Repressão aos Crimes de Formação de Cartel e Lavagem de Dinheiro), o auditor fiscal Artur Silva Neto seria o principal articulador da rede de corrupção. Ele teria recebido pagamentos ilícitos em troca de acelerar e ampliar a devolução de créditos tributários de grandes varejistas — entre elas, a Fast Shop.

Conforme os autos da investigação, entre 2021 e 2025, a empresa teria obtido R$ 1,5 bilhão em créditos de ICMS, dos quais R$ 1,04 bilhão teriam sido inflados de forma irregular. Apenas cerca de R$ 553 milhões seriam legítimos.


Acordos e devolução milionária aos cofres públicos

Os sócios-proprietários Milton Kazuyuki Kakumoto e Júlio Atsushi Kakumoto, além do diretor Mário Otávio Gomes, firmaram acordos de não persecução penal com o MP-SP, comprometendo-se a restituir R$ 100 milhões aos cofres públicos.

Em depoimentos prestados à promotoria, os executivos admitiram participação na fraude e detalharam o funcionamento do esquema, que teria operado de forma sistemática durante quatro anos. O objetivo seria reduzir a carga tributária da rede e melhorar artificialmente os resultados financeiros.

Em nota, a Fast Shop reiterou que “mantém colaboração integral com as autoridades e reforça seu compromisso com a ética, a legalidade e a conformidade”.


Fechamentos e cortes: a nova fase da Fast Shop

Lojas e centro de distribuição encerram atividades

O processo de reestruturação começou a ganhar forma em outubro de 2025, com o fechamento escalonado de unidades em diversos estados.

Na primeira etapa, realizada no dia 8, encerraram as atividades:

  • A loja A2You do Shopping Barigui, em Curitiba;
  • As Fast Shop Aricanduva, Boulevard Tatuapé e Interlagos, em São Paulo.

Na segunda etapa, no dia 12, foram fechadas as unidades Fast Shop Iguatemi Salvador, M1 Itaquera, M1 SP Market, Fast Shop SP Market e Fast Shop RioMar Fortaleza, além do centro de distribuição em Fortaleza.

Por fim, no último dia do mês, está previsto o fechamento das lojas Fast Shop Barra Salvador e M1 Litoral Plaza, em Praia Grande (SP).

Impacto nos empregos

A companhia confirmou que as mudanças envolvem cortes de pessoal, mas não divulgou números oficiais. Em comunicado, afirmou apenas que houve “alterações no quadro de profissionais” e que as medidas buscam “aumentar a eficiência operacional diante de um cenário de juros altos e consumo em desaceleração”.

Especialistas do setor avaliam que o movimento é uma tentativa de contenção de danos — tanto financeiros quanto reputacionais — após a perda de credibilidade no mercado.


Mudanças no comando e busca por governança

Fast Shop icms
Imagem: Divulgação

Novo CEO e auditoria independente

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Após quase quatro décadas sem um comando executivo formal, a família Kakumoto nomeou Rodrigo Ogawa como CEO interino. Engenheiro e professor de compliance e gestão de riscos no Insper, Ogawa foi contratado com a missão de conduzir uma reestruturação ética e operacional.

Paralelamente, o advogado e consultor de governança Francisco Petros foi designado para liderar uma auditoria independente, com o objetivo de revisar as práticas contábeis e os processos internos da companhia.

Em nota, a empresa destacou que pretende “fortalecer os mecanismos de controle e governança corporativa, garantindo transparência e integridade em todas as operações”.


Do auge à crise: a trajetória de uma gigante do varejo

Fundada há quase 40 anos, a Fast Shop se consolidou como uma das principais redes de eletrônicos e eletrodomésticos do país. Com forte presença em shopping centers e um e-commerce robusto, a varejista sempre apostou na experiência de compra personalizada e no atendimento premium.

Até meados do primeiro semestre de 2025, a empresa anunciava planos de expansão, com novas lojas previstas para Bahia e Paraná. O escândalo do ICMS, no entanto, interrompeu a trajetória de crescimento e mergulhou a marca em uma das maiores crises de sua história.

Com cerca de 80 lojas ativas sob as bandeiras Fast Shop, M1 e A2You, a companhia agora enfrenta o desafio de recuperar a confiança de clientes, fornecedores e investidores.


Desafios à frente

Reestruturação e reconstrução da imagem

A Fast Shop tenta equilibrar duas frentes complexas: a reestruturação operacional e a reconstrução da imagem pública. A criação de mecanismos de compliance e a auditoria externa são passos importantes, mas o desafio maior está em reverter a percepção negativa associada à marca.

Para o consultor de varejo Fernando Pastore, a companhia terá que investir fortemente em transparência e comunicação, mostrando resultados concretos para retomar a confiança do consumidor. “A perda de credibilidade é mais difícil de recuperar do que os prejuízos financeiros”, afirma.

Com Informações de: Folha de S. Paulo

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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