O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou na terça-feira (16) que a proposta de empréstimo aos Correios já está em análise pela equipe econômica e pode chegar ao valor de até R$ 12 bilhões. Segundo o ministro, o plano de reestruturação apresentado pela estatal está sendo avaliado pelo Tesouro Nacional e a expectativa é de que a análise seja concluída até sexta-feira (19), em um prazo considerado apertado diante da situação financeira da empresa.
Haddad diz que crédito aos Correios pode chegar a R$ 12 bilhões e decisão sai até sexta
Haddad afirma que a Fazenda analisa empréstimo de até R$ 12 bilhões aos Correios, com plano de reestruturação e limite de juros.
A declaração ocorre em meio a um cenário de agravamento das contas dos Correios, que acumulam prejuízos bilionários nos últimos anos e enfrentam dificuldades para honrar compromissos com funcionários e fornecedores. O governo busca uma solução que respeite as regras fiscais, evite riscos excessivos ao Tesouro e permita a continuidade das operações da estatal.
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Proposta já está na Fazenda, diz Haddad
De acordo com Haddad, a documentação enviada pelos Correios inclui um plano de reestruturação que está sendo analisado tecnicamente pelo Tesouro Nacional. O objetivo é verificar a consistência das medidas propostas e a viabilidade financeira do empréstimo dentro dos parâmetros definidos pelo governo.
“Já enviou. Já tá aqui, já enviou com plano de reestruturação. Nós estamos ultimando a análise do Tesouro para verificar a consistência do projeto e encaminhar”, afirmou o ministro.
Avaliação técnica do Tesouro Nacional
A análise conduzida pelo Tesouro envolve aspectos como capacidade de pagamento, impacto fiscal, riscos para a União e adequação às normas que regem operações de crédito com garantia pública. O governo tem reforçado que não pretende flexibilizar regras fiscais para viabilizar o socorro à estatal.
Limite de juros como condição central
Um dos principais pontos do acordo é o teto para a taxa de juros do empréstimo. Segundo Haddad, o Tesouro deixou claro que não dará garantia a operações com juros superiores a 120% do CDI, parâmetro considerado máximo pela equipe econômica para esse tipo de financiamento.
Negociação com pool de bancos
Além da análise interna da proposta dos Correios, a Fazenda também negociou com um pool de bancos interessados em participar do financiamento. A condição imposta pelo governo foi clara: o empréstimo precisa respeitar o teto de juros estabelecido e seguir rigorosamente as regras fiscais.
“Também fizemos uma negociação com o pool de bancos que estariam dispostos a entrar no financiamento dentro das regras estabelecidas, pré-estabelecidas, sem romper o teto”, explicou Haddad.
Taxa de juros já definida pela Fazenda
Embora não tenha detalhado a taxa exata que será aplicada, o ministro afirmou que os parâmetros já foram negociados e que a taxa máxima aceita está dentro do limite de 120% do CDI. Isso representou um recado direto ao sistema financeiro, após tentativas anteriores frustradas de fechar um acordo.
“A taxa já tá negociada pela Fazenda, a taxa máxima já tá negociada com a Fazenda. E aí, com isso, o porte vai ficar dentro dos parâmetros que nós consideramos razoáveis”, disse.
Aporte direto da União está descartado
Haddad foi enfático ao descartar, neste momento, a possibilidade de um aporte direto de recursos da União aos Correios. Segundo ele, a prioridade é estruturar uma operação de crédito que minimize riscos fiscais e evite impacto imediato nas contas públicas.
“Aporte da União direto está descartado nesse momento”, afirmou.
Opção por empréstimo com garantia
A estratégia do governo é optar por um empréstimo bancário com garantia do Tesouro, desde que as condições sejam consideradas adequadas. Esse modelo transfere parte do risco ao sistema financeiro, ao mesmo tempo em que mantém algum nível de proteção aos credores.
Prazo apertado para decisão
Questionado sobre o curto prazo para a conclusão da análise, Haddad reconheceu que o calendário é apertado, mas garantiu que a equipe econômica já trabalha no projeto há semanas. A urgência se deve à necessidade imediata de caixa por parte dos Correios.
“Se fechar a taxa corretamente, o plano for validado pelo Tesouro, tá feito. É pouco tempo, mas nós estamos trabalhando algum tempo já, algumas semanas, nesse projeto”, concluiu o ministro.
Expectativa dos Correios
A estatal espera que o empréstimo seja aprovado ainda nesta semana para garantir recursos suficientes para o pagamento de salários e fornecedores. Qualquer atraso pode agravar ainda mais a crise operacional e financeira da empresa.
Tentativa anterior foi frustrada
Em novembro, os Correios chegaram a negociar uma proposta de empréstimo da ordem de R$ 20 bilhões com bancos. No entanto, em dezembro, o Tesouro Nacional rejeitou a operação ao se recusar a oferecer garantia para empréstimos com taxas superiores a 120% do CDI.
Juros considerados excessivos
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Na proposta anterior, a taxa de juros apresentada pelos bancos chegava a 136% do CDI, patamar considerado elevado demais para uma operação com garantia do governo federal. A negativa do Tesouro travou o acordo e forçou a revisão do plano.
Situação financeira crítica dos Correios
Os números recentes evidenciam a gravidade da crise enfrentada pelos Correios. Em 2023, a estatal registrou prejuízo de R$ 633 milhões. Em 2024, o resultado negativo saltou para R$ 2,6 bilhões.
Déficit recorde em 2025
No acumulado de janeiro a setembro de 2025, os Correios já contabilizam um déficit de R$ 6 bilhões. A projeção interna aponta que o resultado negativo pode chegar a R$ 10 bilhões até o fim do ano, caso não haja uma intervenção financeira significativa.
Impacto nas operações
O déficit crescente compromete investimentos, manutenção da infraestrutura, modernização dos serviços e até mesmo o pagamento regular de despesas básicas, colocando em risco a capacidade operacional da estatal.
Plano de reestruturação em discussão
Diante do agravamento da situação, os Correios apresentaram em novembro um plano de reestruturação mais robusto. O pacote inclui medidas duras, voltadas à redução de custos e geração de caixa.
Principais medidas previstas
Entre as ações propostas estão:
- Programa de demissão voluntária para cerca de 15 mil funcionários
- Venda de imóveis considerados não estratégicos
- Captação de empréstimo inicialmente estimada em R$ 20 bilhões
Com a resistência do Tesouro às condições anteriores, o valor do empréstimo foi revisto para baixo e deve ficar em torno de R$ 12 bilhões.
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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
