O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, acendeu um alerta vermelho durante a abertura do 15° Congresso de Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo (PLDFT), realizado nesta quarta-feira (22), em São Paulo. Em seu discurso, Sidney classificou as apostas esportivas ilegais como uma nova e grave vulnerabilidade do sistema financeiro nacional e defendeu um endurecimento imediato das leis e da fiscalização.
CRIMES financeiros ‘explodiram’ desde legalização das bets, alerta Febraban
Isaac Sidney, da Febraban, aponta apostas ilegais como risco crescente ao sistema financeiro e defende leis rigorosas contra crimes econômicos.
Leia mais:
Febraban comunica bancos sobre movimentações atípicas

Legalização mal conduzida e explosão de riscos
Segundo o presidente da Febraban, a legalização das chamadas bets — os jogos de apostas online — provocou um aumento significativo nos riscos de atividades ilícitas. “O Estado errou bem a mão”, declarou Sidney. Para ele, embora a atividade tenha se tornado legal, faltaram mecanismos eficazes para prevenir sua exploração criminosa, o que acabou gerando uma “explosão” de operações de origem duvidosa.
“O que temos de fazer é fortalecer os nossos laços contra qualquer trilha que faça do que é legal o ilegal”, afirmou Isaac.
Na avaliação da Febraban, a proliferação de plataformas de apostas, muitas com sedes no exterior e pouca transparência sobre sua estrutura financeira, abriu brechas que facilitam a lavagem de dinheiro, evasão de divisas e movimentações ligadas ao crime organizado.
Apostas ilegais e o crime organizado
Rota alternativa para dinheiro ilícito
Sidney alertou que o crime organizado está se infiltrando em cadeias lícitas da economia brasileira, utilizando plataformas aparentemente legais para lavar dinheiro e movimentar grandes somas em espécie.
Operações em dinheiro vivo preocupam
Outro ponto de preocupação é o trânsito de grandes quantidades em espécie, que ainda é comum em transações suspeitas. O presidente da Febraban afirmou que os bancos defendem com urgência a criação de uma lei federal que permita o bloqueio preventivo de operações suspeitas, antes que os valores se percam em camadas complexas de engenharia financeira.
“Não há mais espaço para permissividade”, pontuou.
Cooperação entre agentes do sistema financeiro
União entre bancos, Coaf e Banco Central
Isaac Sidney defendeu o compartilhamento de informações entre bancos, Banco Central, Coaf e órgãos públicos, destacando que essa integração é vital para antecipar ações estratégicas contra crimes financeiros. Para ele, a resposta precisa ser rápida, estruturada e apoiada por mudanças legais e regulatórias.
“A omissão não pode ser tolerada nem pelo setor público, nem pela sociedade”, disse.
Proliferação de instituições vulneráveis
Abertura do setor financeiro preocupa
Apesar de reconhecer a importância da abertura do mercado financeiro, Sidney demonstrou preocupação com o que chamou de “proliferação de instituições frágeis e vulneráveis”, muitas vezes sem preparo ou estrutura para lidar com as exigências da legislação de prevenção à lavagem de dinheiro (PLD) e combate ao financiamento do terrorismo (CFT).
“Investigações recentes escancaram a gravidade do cenário sombrio. Precisamos elevar a integridade do setor”, reforçou o presidente.
Tolerância zero para brechas e omissões
Entrada, permanência e exclusão de criminosos
Sidney afirmou que o sistema bancário deve ser intolerante com qualquer brecha que permita a entrada, permanência ou reingresso de criminosos travestidos de clientes. Segundo ele, o padrão de vigilância precisa ser comum a todos os elos do setor.
“Não pode haver cabo de guerra entre quem quer e quem não quer contribuir com o combate ao crime”, destacou.
Fiscalização mais dura
O presidente da Febraban também fez um apelo para que instituições financeiras omissas ou coniventes com o crime financeiro sejam alcançadas pelas sanções do Banco Central, do Coaf e de outros órgãos reguladores.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
“Os bancos sérios do Brasil — e não são poucos — renovam o compromisso de estar na linha de frente na defesa da integridade do sistema financeiro nacional.”
Papel das bets e desafios para o futuro

Riscos em crescimento com apostas online
Desde que as apostas online foram legalizadas, o setor viu um crescimento exponencial em transações financeiras relacionadas. Porém, a ausência de fiscalização adequada abriu portas para movimentações ilícitas, que hoje desafiam o sistema regulatório e exigem resposta urgente.
De acordo com relatórios recentes do Coaf, o número de comunicações de operações suspeitas envolvendo o setor de apostas cresceu mais de 250% nos últimos dois anos.
Medidas defendidas pela Febraban
Lei federal para bloqueio de transações
Entre as principais propostas apresentadas por Isaac Sidney durante o evento estão:
- Criação de lei federal que permita bloqueios de operações bancárias suspeitas antes da conclusão de investigações;
- Fortalecimento dos canais de comunicação entre instituições financeiras, reguladores e órgãos de controle;
- Implementação de padrões mais rígidos de governança e integridade para todas as instituições que atuam no setor financeiro, inclusive fintechs;
- Revisão da legislação sobre apostas esportivas online, com foco em rastreamento financeiro e registro de operações.
Bancos como escudo contra o crime

O presidente da Febraban encerrou seu discurso reforçando que os bancos continuarão agindo como escudo contra as “engenharias financeiras criminosas”. Ele reconheceu que o momento é desafiador, mas também reiterou que o setor financeiro brasileiro está empenhado em não permitir que criminosos manchem a reputação das instituições.
“Prevenir e combater o crime não é favor, é obrigação. E quem não estiver alinhado com esse compromisso não pode mais fazer parte do sistema”, concluiu.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
