O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já ressarciu 84% dos credores do Banco Master S/A. Até as 10h desta quarta-feira (18), o fundo havia desembolsado R$ 37,2 bilhões em garantias, o equivalente a 92% do total estimado a ser pago.
Seu banco quebrou? FGC já liberou R$ 3,77 bi a credores do Master e Will
FGC já desembolsou R$ 37,2 bi a credores do Banco Master. Veja quem tem direito e como solicitar a garantia.
Ao todo, o FGC calcula que precisará reembolsar cerca de R$ 40,6 bilhões a aproximadamente 800 mil credores do conglomerado Master. O caso é considerado um dos maiores da história do sistema financeiro brasileiro em termos de acionamento do fundo garantidor.
A atuação do FGC ocorre após a decretação de liquidação pelo Banco Central do Brasil (BC), que é o órgão responsável por supervisionar e intervir em instituições financeiras no país.
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O que aconteceu com o Banco Master?
Desde novembro de 2025, oito instituições ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro foram liquidadas. Entre elas:
- Banco Master S/A
- Banco Master de Investimento S/A
- Banco Letsbank S/A
- Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários
- CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (antiga Reag Trust)
- Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento
- Banco Pleno S.A.
- Pleno Distribuidora Títulos e Valores Mobiliário S.A.
A liquidação significa o encerramento formal das atividades da instituição, com levantamento de ativos e pagamento de credores conforme a ordem legal.
Caso Will Bank: pagamento antecipado para pequenos valores
No caso do Will Bank, liquidado pelo Banco Central em janeiro, o FGC informou que já foram pagos R$ 53 milhões dos R$ 6,3 bilhões previstos.
O fundo iniciou, em 13 de fevereiro, o pagamento antecipado das garantias para clientes que tinham até R$ 1 mil a receber — medida que visa agilizar o atendimento a pequenos credores.
Esse modelo de pagamento escalonado tem sido adotado para reduzir impactos sociais e dar mais rapidez a quem depende de valores menores para despesas imediatas.
Liquidação do Banco Pleno amplia impacto
Com a liquidação do Banco Pleno S.A. nesta quarta-feira (18), o FGC estima reembolsar R$ 4,9 bilhões a cerca de 160 mil credores.
Apesar de o Banco Pleno ter sido adquirido pelo Banco Master em 2024, a instituição passou a ser controlada por Augusto Ferreira Lima em julho de 2025. Assim, no momento da liquidação, já não integrava o conglomerado de Daniel Vorcaro.
Somando os casos do Banco Master, Will Bank e Banco Pleno, o custo total estimado ao FGC chega a R$ 51,8 bilhões.
Como funciona a garantia do FGC na prática?
Qual é o valor máximo garantido?
O FGC cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, considerando o total de depósitos e créditos garantidos em cada instituição ou conglomerado prudencial.
Além disso, há um teto global de R$ 1 milhão por CPF ou CNPJ a cada período de quatro anos, caso ocorram quebras sucessivas de diferentes instituições.
Quais investimentos são protegidos?
Entre os produtos cobertos pelo FGC estão:
- Conta corrente
- Poupança
- CDB (Certificado de Depósito Bancário)
- LCI (Letra de Crédito Imobiliário)
- LCA (Letra de Crédito do Agronegócio)
Importante: fundos de investimento, ações, debêntures e criptomoedas não são protegidos pelo FGC.
Como o credor recebe o dinheiro?
O processo funciona da seguinte forma:
- O liquidante da instituição envia ao FGC a lista de credores e valores devidos.
- Após receber a base de dados, o FGC libera o sistema para solicitação da garantia.
- O credor precisa manifestar formalmente o interesse em receber o valor.
- O pagamento implica cessão de crédito ao FGC, com sub-rogação de direitos.
Pessoa física (CPF)
A solicitação é feita pelo aplicativo do FGC. Após cadastro completo, o cliente visualiza o valor disponível e assina digitalmente o termo.
Pessoa jurídica (CNPJ)
O pedido é realizado pelo site do FGC. Após análise documental, o termo é enviado por e-mail para assinatura.
O andamento pode ser acompanhado pelo site ou aplicativo oficial do fundo.
Por que o FGC consegue pagar valores tão altos?
O FGC é uma entidade privada, sem fins lucrativos, mantida por contribuições obrigatórias das instituições financeiras associadas. Ele não utiliza recursos do Tesouro Nacional.
O fundo funciona como um mecanismo de proteção ao sistema financeiro, semelhante ao FDIC nos Estados Unidos. Ao garantir depósitos, reduz o risco de corridas bancárias e aumenta a confiança dos investidores.
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Casos como o do Banco Master mostram que, apesar de falhas individuais, o sistema de proteção brasileiro tem capacidade operacional para lidar com eventos de grande porte.
O que o investidor brasileiro deve aprender com esse caso?
A liquidação de múltiplas instituições em curto intervalo acende um alerta importante:
1. Diversificação é essencial
Mesmo com a cobertura do FGC, concentrar valores acima de R$ 250 mil em uma única instituição aumenta o risco de exposição.
2. Atenção ao risco de crédito
Taxas muito acima da média do mercado podem indicar maior risco. É fundamental avaliar o emissor do título e não apenas a rentabilidade.
3. Verifique se a instituição é associada ao FGC
Nem todas as instituições financeiras ou produtos contam com a garantia. Sempre confirme antes de investir.
4. Entenda o teto global de R$ 1 milhão em quatro anos
Quem distribui valores entre vários bancos deve considerar esse limite acumulado.
Impacto no sistema financeiro brasileiro
O volume de R$ 51,8 bilhões estimado em garantias coloca este episódio entre os mais relevantes da história recente do crédito no Brasil.
Apesar disso, o sistema bancário nacional permanece sólido e altamente regulado pelo Banco Central. O próprio pagamento acelerado pelo FGC ajuda a evitar contágio e manter a estabilidade.
Para o investidor pessoa física, o principal ponto é informação: conhecer as regras do FGC, acompanhar comunicados oficiais e agir rapidamente quando necessário.
A atuação do fundo demonstra que a proteção existe — mas também reforça a importância de decisões conscientes na hora de aplicar o dinheiro.
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(Foto: Adobe Stock)
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