Um novo projeto em tramitação no Congresso Nacional pode criar uma possibilidade inédita de uso do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS): a retirada de recursos para compra de armas de fogo, munições e acessórios destinados à defesa pessoal.
A proposta já avançou na Câmara dos Deputados após receber aprovação da Comissão de Segurança Pública, mas ainda não está valendo. O texto precisa passar por outras análises antes de uma possível transformação em lei.
O Projeto de Lei 3824/25 prevê que trabalhadores com carteira assinada possam utilizar parte do saldo do FGTS uma vez por ano, sempre no mês de aniversário. No entanto, a liberação não seria automática: o interessado teria que cumprir uma série de exigências legais relacionadas à compra e ao registro do armamento.
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Como funcionaria o uso do FGTS para comprar armas?
De acordo com a proposta, o trabalhador poderia solicitar o saque do FGTS exclusivamente para custear:
- armas de fogo;
- munições;
- acessórios relacionados ao armamento.
O valor liberado ficaria limitado ao custo total dos itens adquiridos.
Ou seja, o projeto não prevê a retirada livre do dinheiro do FGTS para qualquer finalidade. O recurso teria uma destinação específica e dependeria da comprovação da compra.
A utilização também estaria condicionada ao cumprimento das regras previstas nos sistemas nacionais de controle de armas.
Quais seriam as exigências para liberar o saque?
Caso a proposta seja aprovada e entre em vigor, o trabalhador precisaria apresentar documentação que comprove:
- autorização legal para adquirir a arma;
- regularidade junto aos órgãos responsáveis pelo controle de armas;
- cumprimento dos requisitos exigidos pela legislação.
A ideia é impedir que o saldo do FGTS seja utilizado para compras irregulares ou fora das normas estabelecidas pelos órgãos competentes.
Saque seria permitido todo ano?
O projeto estabelece que o trabalhador poderia solicitar o uso do FGTS uma vez por ano, sempre no mês de aniversário.
Essa regra segue lógica semelhante a outras modalidades de saque vinculadas ao calendário do trabalhador.
No entanto, a proposta ainda não define todos os detalhes operacionais, já que isso dependeria de regulamentação posterior caso o texto seja aprovado.
Projeto ainda precisa passar por outras etapas
Apesar da aprovação na Comissão de Segurança Pública da Câmara, o projeto ainda está em fase de tramitação.
O texto deverá ser analisado pelas seguintes comissões:
- Comissão de Trabalho;
- Comissão de Finanças e Tributação;
- Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).
Depois dessas etapas, a proposta ainda poderá precisar passar pelo plenário da Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.
Somente após a aprovação pelo Congresso e eventual sanção presidencial a medida poderia começar a valer.
Quem apresentou o projeto?
O Projeto de Lei 3824/25 foi apresentado pelo deputado Marcos Pollon (PL-MS).
O relator da proposta na Comissão de Segurança Pública foi o deputado Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP), que apresentou parecer favorável ao texto.
Na justificativa, os defensores da proposta argumentam que a medida poderia ampliar as possibilidades de defesa pessoal diante do aumento da criminalidade.
Segundo os parlamentares favoráveis, o acesso a recursos do FGTS para essa finalidade poderia reduzir situações de vulnerabilidade de cidadãos que buscam adquirir equipamentos legalizados.
O que muda no FGTS se a proposta for aprovada?
Atualmente, o FGTS possui regras específicas de utilização definidas em lei.
Entre as principais situações de saque estão:
- demissão sem justa causa;
- compra da casa própria;
- aposentadoria;
- doenças graves previstas na legislação;
- situações de calamidade;
- outras hipóteses autorizadas.
A proposta criaria uma nova modalidade de saque, permitindo uma utilização diferente do dinheiro acumulado pelo trabalhador.
Conselho Curador do FGTS teria papel importante
Se o projeto avançar e for sancionado, o Conselho Curador do FGTS teria até 90 dias para regulamentar a nova modalidade.
Esse órgão seria responsável por definir detalhes como:
- documentos necessários;
- procedimentos para solicitação;
- formas de comprovação da compra;
- regras para liberação dos valores.
A regulamentação seria fundamental para determinar como o trabalhador poderia acessar o recurso na prática.
Projeto gera debate sobre uso dos recursos do FGTS
A proposta abre uma discussão sobre quais devem ser as finalidades permitidas para o dinheiro do FGTS.
O Fundo foi criado originalmente como uma proteção financeira ao trabalhador, funcionando como uma reserva para momentos específicos, principalmente relacionados ao desemprego e à estabilidade econômica.
Com novas modalidades de saque sendo discutidas ao longo dos anos, o debate envolve o equilíbrio entre ampliar a liberdade de uso dos recursos e preservar a função social do fundo.
Trabalhador já poderá usar o FGTS para comprar armas?

Não.
Até o momento, a medida ainda não está em vigor.
A aprovação em uma comissão representa apenas uma etapa do processo legislativo. O projeto ainda precisa passar por novas análises, ser aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo presidente da República.
Enquanto isso, continuam valendo as regras atuais de saque do FGTS.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
