Uma novidade importante no acesso ao crédito no Brasil está chamando atenção de milhões de trabalhadores: a possibilidade de usar parte do saldo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) como garantia em empréstimos consignados.
A medida foi implementada pelo governo federal no âmbito do programa Crédito do Trabalhador, que busca ampliar o acesso ao crédito de forma mais segura e com juros menores para quem trabalha com carteira assinada.
Mas, afinal, como funciona essa modalidade, quais são os benefícios e os cuidados necessários antes de contratar?
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Como funciona o consignado com FGTS

O novo modelo é exclusivo para trabalhadores com vínculo CLT ativo. O processo é feito digitalmente, pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, ou por meio de instituições financeiras parceiras.
O trabalhador indica o valor que deseja contratar e recebe diferentes propostas em um sistema que funciona como um “leilão eletrônico”, permitindo comparar taxas de juros, prazos de pagamento e condições.
O desconto das parcelas ocorre diretamente via eSocial, respeitando o limite máximo de 35% do salário mensal. Essa dinâmica garante maior segurança ao credor e, consequentemente, permite juros mais baixos do que os consignados convencionais.
Além disso, o acompanhamento do contrato e das parcelas pode ser feito de forma prática no próprio aplicativo.
Quanto do FGTS pode ser usado
De acordo com as regras do programa, o trabalhador pode usar:
- Até 10% do saldo do FGTS como garantia do empréstimo;
- 100% da multa rescisória em caso de demissão, direcionada automaticamente para a quitação da dívida.
Vale destacar que a troca de emprego não altera o contrato, desde que o trabalhador continue no regime CLT.
Quem pode contratar
Podem acessar a linha de crédito:
- Trabalhadores com carteira assinada (CLT);
- Empregados que já possuem outros consignados, mas desejam migrar para essa modalidade desde 25 de abril;
- Quem possui saldo suficiente no FGTS para servir de garantia.
Por outro lado, aposentados que também trabalham não se beneficiam tanto da novidade, já que o consignado do INSS geralmente apresenta taxas mais competitivas do que o consignado via CLT.
Vantagens da modalidade
O consignado com FGTS traz alguns pontos positivos relevantes:
- Juros mais baixos em comparação a empréstimos convencionais;
- Garantia de pagamento via FGTS + desconto em folha, reduzindo risco de inadimplência;
- Processo digital e transparente, com comparação de propostas em tempo real;
- Possibilidade de quitar dívidas mais caras, como cartão de crédito e cheque especial.
Segundo a planejadora financeira Leticia Camargo, da Planejar (Associação Brasileira de Planejamento Financeiro), o crédito pode ser útil em emergências ou para trocar dívidas mais caras por uma opção com juros menores.
Cuidados antes de contratar
Apesar das vantagens, especialistas alertam que o consignado com FGTS deve ser usado com cautela.
Leticia Camargo lembra que não é recomendado assumir parcelas que comprometam o orçamento. O crédito pode ser interessante para objetivos maiores, como financiar um imóvel, mas não compensa se for apenas para cobrir despesas rotineiras.
Outro ponto importante é verificar sempre o Custo Efetivo Total (CET), que inclui todos os encargos do contrato, mostrando o valor real da dívida.
Como acessar a Carteira de Trabalho Digital
Para contratar o consignado com FGTS, é necessário ter cadastro ativo no Gov.br e acesso ao aplicativo da Carteira de Trabalho Digital. O passo a passo é simples:
- Acesse o site Gov.br;
- Preencha os dados solicitados (CPF, nome, data de nascimento, nome da mãe e estado de nascimento);
- Responda às perguntas sobre seu histórico profissional;
- Receba a senha provisória e altere no primeiro login;
- Acesse a Carteira de Trabalho Digital pelo app (Android e iOS) ou site;
- Após validado, já é possível visualizar vínculos empregatícios e acessar a função de crédito consignado.
De acordo com o governo, todos os brasileiros com CPF ativo já possuem automaticamente a versão digital da carteira. Quem nunca trabalhou formalmente verá apenas seus dados pessoais no documento.
Por que o governo criou essa modalidade
O objetivo central do programa Crédito do Trabalhador é oferecer uma alternativa de crédito mais acessível, com juros menores e menor risco de inadimplência.
Ao atrelar parte do saldo do FGTS como garantia, o sistema reduz riscos para os bancos e aumenta a possibilidade de aprovar crédito para trabalhadores que, em outros cenários, poderiam ter dificuldades de contratação.
Além disso, a medida busca contribuir para o combate ao superendividamento, um problema crescente no Brasil, especialmente com o aumento do uso de cartão de crédito e cheque especial.U8
Comparação com outros tipos de crédito

| Tipo de Crédito | Taxa de Juros Média* | Garantia | Indicado para… |
|---|---|---|---|
| Consignado INSS | 1,7% ao mês | Benefício do INSS | Aposentados e pensionistas |
| Consignado CLT (tradicional) | 2% a 3% ao mês | Salário | Trabalhadores CLT |
| Consignado com FGTS | < 2% ao mês (estim.) | Saldo do FGTS + salário | CLT com saldo FGTS |
| Rotativo do cartão de crédito | > 15% ao mês | Nenhuma | Não recomendado |
| Cheque especial | > 12% ao mês | Nenhuma | Emergências |
*Estimativas médias do mercado.
O uso do FGTS como garantia em empréstimos consignados representa uma alternativa inovadora para trabalhadores brasileiros. A modalidade alia juros mais baixos, maior segurança e praticidade digital, sendo útil especialmente para trocar dívidas caras por crédito mais barato.
Porém, como qualquer operação financeira, exige planejamento e cautela. Antes de contratar, é fundamental avaliar o orçamento, entender o CET e ter clareza de que o crédito deve ser um aliado para organizar as finanças, e não um caminho para o endividamento.
