Motoristas de aplicativos, como Uber e 99, podem ganhar um importante aliado na compra de veículos próprios: o Projeto de Lei 2552/24, que propõe o uso de até 60% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a aquisição de carros.
Projeto de Lei propõe uso do FGTS para compra de veículos por motoristas de aplicativos
Projeto de Lei propõe que motoristas de aplicativo possam usar até 60% do FGTS para comprar veículos. Veja os requisitos e possíveis impactos.
A proposta, apresentada pelo deputado Marcos Tavares (PDT-RJ), surge para reduzir a dependência dos motoristas de veículos alugados, melhorar a renda mensal e contribuir para a formalização do setor.
Segundo Tavares, muitos profissionais da área atualmente enfrentam dificuldades financeiras por utilizarem carros alugados, o que acaba comprometendo parte significativa de seus ganhos. Assim, a proposta visa aumentar a autonomia e estabilidade dos motoristas, permitindo que invistam em um bem próprio.
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A tramitação da proposta no Congresso Nacional ocorre em um momento de alta demanda por regulamentações e incentivos ao setor de transporte por aplicativos, cada vez mais essencial nas cidades brasileiras. Entenda abaixo o que prevê o projeto, os possíveis impactos e as próximas etapas para sua aprovação.

Quem poderá usar o FGTS para comprar veículos?
Caso o projeto seja aprovado, apenas motoristas que comprovarem vínculo ativo em plataformas de transporte por, no mínimo, seis meses terão direito a sacar parte do FGTS para comprar um veículo.
Além disso, o motorista não poderá possuir outro automóvel registrado em seu nome no momento da solicitação e deverá utilizar o veículo exclusivamente para trabalho via aplicativos. Outro ponto importante do projeto é a exigência de uma comprovação anual de que o veículo está sendo utilizado para transporte de passageiros.
Essa regra visa assegurar que o benefício seja mantido para aqueles que realmente utilizam o automóvel para gerar renda, prevenindo o uso dos recursos do FGTS para fins pessoais sem vínculo com atividades profissionais.
O projeto também prevê que, em caso de descumprimento das condições, o motorista será obrigado a devolver o montante sacado do FGTS, o que reforça a necessidade de uma fiscalização eficiente por parte dos órgãos responsáveis.
Benefícios e desafios da proposta para motoristas de aplicativo
A possibilidade de usar o FGTS para comprar um veículo próprio representa um benefício direto para muitos motoristas, que hoje dependem de aluguéis que, em geral, comprometem cerca de 30% a 40% de sua renda mensal.
Com um carro próprio, esses profissionais podem eliminar esse custo fixo e aumentar a margem de lucro, o que é especialmente relevante em um setor no qual os ganhos variam de acordo com a quantidade de corridas realizadas.
No entanto, especialistas alertam para os riscos financeiros. A liberação de até 60% do FGTS pode não ser suficiente para a compra integral de um veículo, especialmente considerando os valores atuais do mercado automotivo.
Assim, muitos motoristas ainda precisariam recorrer a financiamentos para cobrir o valor total do automóvel, o que pode levar ao endividamento em um setor no qual a instabilidade econômica é uma realidade para diversos trabalhadores.
Outra preocupação é que, ao utilizar o FGTS para essa finalidade, o trabalhador perde parte de sua reserva para situações emergenciais, como demissões ou aposentadoria.
Impactos econômicos para o setor automotivo e para o transporte por aplicativo
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Caso o projeto seja aprovado, o setor automotivo pode vivenciar um impacto positivo, com o aumento na demanda por veículos populares e modelos econômicos, adequados para o trabalho em transporte de passageiros. Essa movimentação pode impulsionar a venda de veículos novos e seminovos, além de fortalecer as atividades de revendedoras e concessionárias.

Para o setor de transporte por aplicativo, a proposta pode gerar uma formalização maior, já que, ao adquirir um bem próprio, os motoristas podem se comprometer de maneira mais estável com a atividade, ao invés de dependerem de contratos de aluguel de curto prazo.
A medida também pode contribuir para a renovação da frota, já que a aquisição de veículos mais novos e em melhor estado tende a melhorar a qualidade do serviço prestado aos passageiros.
Próximos passos para a aprovação do Projeto de Lei 2552/24
O Projeto de Lei 2552/24 ainda precisa passar por várias etapas de tramitação no Congresso Nacional, incluindo análises pelas comissões de Finanças, Transporte e Justiça. Após aprovação pelas comissões, o texto seguirá para votação no plenário da Câmara dos Deputados.
Se aprovado, o projeto seguirá para o Senado e, em seguida, para sanção presidencial.
A aprovação deste projeto pode representar um marco importante na regulação do transporte por aplicativos no Brasil, promovendo maior independência financeira para os motoristas e gerando impactos significativos tanto no setor automotivo quanto no mercado de trabalho.
Com o aumento da formalização e autonomia dos motoristas de aplicativo, a expectativa é de que o projeto traga maior segurança financeira para esses profissionais e contribua para uma melhora geral na qualidade do serviço de transporte via aplicativos no Brasil.
