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Plano da Fictor prevê desconto de até 95% para parte dos credores

Fictor propõe duas alternativas aos credores. Veja como funciona o plano, os riscos do DIP e o impacto para investidores.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa8 min de leitura
Fictor

A Fictor protocolou seu plano de recuperação judicial propondo duas alternativas distintas para os credores, em uma das etapas mais importantes do processo que envolve aproximadamente R$ 4,3 bilhões em dívidas declaradas.

A estratégia chama atenção por não estabelecer uma única forma de pagamento. Em vez disso, os credores deverão escolher entre aderir a um fundo que concentrará ativos e direitos econômicos do grupo ou optar por uma modalidade vinculada à obtenção de um financiamento de até R$ 150 milhões.

A decisão pode ter impacto direto sobre o valor efetivamente recuperado por investidores, fornecedores e demais credores. Isso porque uma das opções prevê riscos significativos caso a empresa não consiga captar os recursos necessários dentro do prazo estipulado.

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O que é a recuperação judicial da Fictor?

Fictor
Imageem: Freepik

A recuperação judicial é um mecanismo previsto na Lei nº 11.101/2005, reformulada pela Lei nº 14.112/2020, que permite que empresas em dificuldades financeiras reorganizem suas dívidas e operações para evitar a falência.

No caso da Fictor, o pedido foi apresentado em fevereiro de 2026, inicialmente envolvendo a Fictor Holding e a Fictor Invest. Posteriormente, o processo foi ampliado para incluir diversas subsidiárias do grupo.

Desde então, a recuperação judicial tem sido marcada por disputas envolvendo investidores, contratos de Sociedades em Conta de Participação (SCPs), ativos empresariais e operações ligadas ao setor de energia.

Com a apresentação do plano, inicia-se uma nova fase do processo, na qual os credores precisam avaliar as condições propostas antes de eventual aprovação em assembleia.

Como funciona o plano apresentado pela Fictor?

O plano foi estruturado em duas alternativas principais:

  • Fundo Credores;
  • Modalidade vinculada ao financiamento DIP de até R$ 150 milhões.

Na prática, cada credor poderá analisar os cenários e optar pela alternativa que considerar mais vantajosa.

A escolha envolve uma relação clássica entre risco e potencial de recuperação dos créditos.

Opção 1: Fundo Credores

A primeira alternativa consiste na criação de uma estrutura que reunirá ativos e direitos econômicos pertencentes ao grupo.

Os credores que aderirem a essa modalidade poderão se tornar cotistas do chamado Fundo Credores, passando a participar dos resultados gerados pela monetização dos ativos transferidos para o veículo.

Como será dividido o fundo?

Segundo o plano apresentado, a distribuição das cotas ocorrerá da seguinte forma:

  • 65% para credores quirografários, incluindo investidores das SCPs;
  • 10% para credores com garantia real e micro e pequenas empresas;
  • 25% permanecerão com a própria Fictor.

Dessa forma, os credores deixam de ter apenas um direito de cobrança e passam a ter participação econômica em uma estrutura responsável por recuperar e monetizar ativos.

Existe garantia de retorno?

Não.

O próprio plano destaca que não existe garantia de:

  • rentabilidade mínima;
  • retorno mínimo;
  • prazo determinado para recuperação dos valores investidos.

O sucesso da estratégia dependerá diretamente da capacidade de transformar ativos em caixa.

Quais ativos poderão compor o fundo?

O plano prevê a criação de veículos específicos para administração e recuperação de ativos.

Entre os exemplos citados está uma estrutura voltada para a gestão de créditos inadimplidos, conhecidos no mercado como NPLs (Non-Performing Loans).

São créditos que podem estar:

  • vencidos;
  • judicializados;
  • em negociação;
  • em processo de recuperação.

O objetivo é gerar receitas por meio da cobrança, renegociação ou venda desses ativos.

Opção 2: Financiamento DIP de até R$ 150 milhões

A segunda alternativa está vinculada à obtenção de um financiamento na modalidade DIP (Debtor-in-Possession).

Esse tipo de financiamento ganhou força no Brasil após as alterações promovidas na Lei de Recuperação Judicial e tem como objetivo permitir que empresas em crise obtenham recursos para manter operações e executar seus planos de reestruturação.

O que é um financiamento DIP?

O financiamento DIP é um empréstimo concedido a empresas que já estão em recuperação judicial.

Seu principal diferencial é a prioridade conferida ao financiador em caso de falência futura.

Isso reduz parte do risco para quem empresta os recursos e aumenta as chances de a empresa conseguir captar dinheiro mesmo em um cenário de dificuldades financeiras.

Como a Fictor pretende usar os recursos?

Segundo o plano, os até R$ 150 milhões captados poderão ser utilizados para:

  • recomposição de capital de giro;
  • fortalecimento do fluxo de caixa;
  • execução do plano de negócios;
  • pagamento de despesas da recuperação judicial;
  • antecipação de pagamentos aos credores.

A estratégia busca acelerar parte da recuperação dos créditos.

Como serão feitos os pagamentos aos credores?

Caso o financiamento seja efetivamente obtido, os pagamentos seguirão uma ordem de prioridade.

Primeiro serão atendidas as micro e pequenas empresas credoras.

Depois, os recursos serão direcionados aos credores quirografários com créditos de até R$ 100 mil.

Tabela de pagamentos prevista

Valor do créditoValor a receber
Até R$ 5 mil100%
De R$ 5 mil a R$ 10 milR$ 5 mil + 75% do excedente
De R$ 10 mil a R$ 25 milR$ 8,75 mil + 50% do excedente
De R$ 25 mil a R$ 55 milR$ 16,25 mil + 25% do excedente
De R$ 55 mil a R$ 100 milR$ 23,75 mil fixos

Na prática, a proposta favorece credores de menor valor, buscando concentrar os pagamentos iniciais em créditos reduzidos.

O maior risco do plano: deságio de 95%

O ponto mais sensível da proposta está justamente na modalidade vinculada ao financiamento DIP.

O plano estabelece que a Fictor terá até 18 meses após a homologação para conseguir captar os recursos.

O que acontece se a captação fracassar?

Caso o financiamento não seja contratado dentro do prazo previsto, os credores que aderirem a essa modalidade sofrerão um deságio de 95%.

Isso significa que receberão apenas 5% do valor originalmente devido.

Além disso:

  • haverá carência de cinco anos;
  • o pagamento ocorrerá em 15 parcelas anuais;
  • os valores serão corrigidos pela Taxa Referencial (TR);
  • haverá juros de apenas 1% ao ano.

Exemplo prático

Um credor com crédito de R$ 100 mil teria seu valor reduzido para R$ 5 mil.

Esse montante seria pago ao longo de 15 anos, após cinco anos de carência.

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Por isso, especialistas costumam considerar esse tipo de cláusula como um dos elementos mais relevantes para análise de risco dentro de um plano de recuperação judicial.

O impacto para investidores das SCPs

Os investidores das Sociedades em Conta de Participação estão entre os grupos mais afetados pela recuperação judicial da Fictor.

Ao longo do processo, surgiu uma discussão relevante sobre a natureza jurídica dessas operações.

A controvérsia sobre os contratos

Os credores argumentam que os contratos funcionavam como investimentos com rentabilidade previamente prometida.

Já a administradora judicial Laspro concluiu que as operações possuíam características de mútuo, ou seja, empréstimos realizados ao grupo.

Essa interpretação pode influenciar diretamente o tratamento dos créditos dentro da recuperação judicial.

Além disso, a administradora chegou a defender que a atualização dos valores ocorresse com base na taxa Selic, e não necessariamente nas condições originalmente previstas nos contratos.

Venda de ativos será fundamental para o plano

Além das alternativas oferecidas aos credores, a Fictor pretende gerar recursos por meio da venda de ativos.

O plano também prevê a criação de Unidades Produtivas Isoladas (UPIs).

O que são UPIs?

As UPIs são mecanismos amplamente utilizados em recuperações judiciais brasileiras.

Elas permitem que determinados ativos ou unidades de negócio sejam vendidos sem que o comprador assuma passivos anteriores da empresa.

Isso costuma aumentar o interesse de investidores e potencializar o valor obtido nas alienações.

As vendas poderão ocorrer por:

  • processos competitivos;
  • leilões;
  • negociações diretas.

Como ficam os credores trabalhistas?

Os créditos trabalhistas receberam tratamento específico no plano.

A proposta prevê o pagamento integral dos créditos de até 150 salários mínimos em até 12 meses após a homologação da recuperação judicial.

Essa condição segue diretrizes previstas na legislação brasileira, que confere proteção especial aos trabalhadores em processos de recuperação.

Quais são os próximos passos?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Após a apresentação do plano, os credores terão prazo para analisar as condições e apresentar eventuais objeções.

Caso haja contestação relevante, o plano deverá ser submetido à Assembleia Geral de Credores (AGC).

Nessa etapa, os credores votarão pela aprovação, rejeição ou modificação da proposta.

A decisão será determinante para o futuro da Fictor e para as chances de recuperação dos valores devidos aos milhares de credores envolvidos.

Conclusão

O plano de recuperação judicial da Fictor apresenta uma estrutura incomum ao oferecer duas alternativas distintas aos credores: participação em um fundo baseado na monetização de ativos ou adesão a uma modalidade vinculada à captação de um financiamento DIP.

Enquanto o Fundo Credores aposta no potencial de valorização e recuperação de ativos ao longo do tempo, a alternativa do financiamento busca antecipar pagamentos, mas carrega um risco expressivo caso a captação não seja concretizada.

Para investidores, fornecedores e demais credores, a análise detalhada das condições propostas será fundamental. A escolha entre liquidez imediata, participação em ativos ou aceitação de riscos futuros poderá determinar o percentual efetivamente recuperado em uma das maiores recuperações judiciais em curso no país.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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