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Fila do INSS mais que dobra desde que Lula prometeu zerar

A fila do INSS mais que dobrou desde a promessa do presidente Lula de zerar os pedidos atrasados. Entenda os motivos!

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
INSS VAGAS

A fila de espera do INSS mais do que dobrou desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu acabar com o represamento de benefícios previdenciários.

Dois anos e meio de mandato depois, o cenário é outro. Em agosto de 2025, os dados do Portal da Transparência do Ministério da Previdência Social mostraram que 2,63 milhões de pedidos aguardavam análise — um aumento de 114% em relação aos 1,23 milhão de requerimentos pendentes no início do governo.

Crescimento recorde e comparação histórica

INSS
Imagem: Freepik e Canva

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O aumento da fila do INSS tem sido contínuo, superando inclusive o recorde registrado durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), que chegou a 2 milhões de pedidos em janeiro de 2020.

De 2024 a 2025: salto de 135%

Entre agosto de 2024 e agosto de 2025, o número de pedidos em análise subiu de 1,12 milhão para 2,63 milhões, um avanço de 135% em apenas um ano. O pico do governo Lula ocorreu em março de 2025, com 2,7 milhões de requerimentos pendentes — o maior volume já registrado desde o início da série histórica.

Greve e paralisações agravaram o cenário

A greve do INSS em 2024

Um dos principais fatores que contribuíram para o crescimento da fila foi a greve dos servidores do INSS, iniciada em 16 de julho de 2024 e encerrada apenas em 6 de novembro do mesmo ano, totalizando 114 dias de paralisação.

Durante o período, praticamente todos os atendimentos presenciais e análises de processos foram suspensos. Mesmo com a retomada das atividades, o volume de pedidos acumulados foi tão grande que o sistema não conseguiu se recuperar completamente.

Efeitos pós-greve

Antes da paralisação, o governo havia conseguido reduzir o tempo médio de concessão dos benefícios, que caiu de 69 dias para 34 dias. No entanto, após a greve, o indicador voltou a subir, atingindo 64 dias em março de 2025.

Embora o índice tenha recuado posteriormente — ficando em 49 dias em agosto de 2025 —, o ritmo ainda é insuficiente para dar vazão à fila crescente.

Governo Lula tenta reagir com novas medidas

O governo federal anunciou uma série de ações emergenciais para tentar conter o avanço da fila. Entre elas estão a contratação temporária de servidores, o uso de inteligência artificial para triagem de documentos e o mutirão de análises com foco em aposentadorias e pensões mais antigas.

Contratações e tecnologia

O Ministério da Previdência autorizou, em 2024, a contratação de milhares de servidores temporários para reforçar o atendimento e acelerar as análises. Além disso, foi implementado um sistema de triagem automatizada, capaz de identificar processos com pendências simples e encaminhá-los para conclusão mais rápida.

Apesar disso, o volume de novos requerimentos continua alto — em média, 700 mil pedidos por mês, segundo dados oficiais. Assim, mesmo com medidas de reforço, o estoque acumulado segue em expansão.

Desafios estruturais e gargalos administrativos

Especialistas apontam que o problema da fila do INSS é estrutural e vai além de greves ou atrasos momentâneos. Entre os principais gargalos estão a falta de pessoal, a lentidão dos sistemas de análise e o número crescente de solicitações digitais.

Envelhecimento da população e aumento da demanda

Com o envelhecimento da população brasileira e o crescimento do número de segurados que atingem a idade mínima para aposentadoria, a demanda por benefícios tem aumentado continuamente.

Somado a isso, a digitalização dos serviços — embora tenha modernizado o processo — trouxe novos desafios, como erros em cadastros, documentos ilegíveis e dificuldades de acesso para pessoas idosas ou de baixa renda.

Déficit de servidores

Desde 2016, o INSS enfrenta uma redução constante de seu quadro de funcionários. Muitos servidores se aposentaram sem reposição, e concursos públicos não têm sido suficientes para suprir as vagas.

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Atualmente, o número de servidores ativos é cerca de 30% menor do que há dez anos, o que impacta diretamente a capacidade operacional do órgão.

Promessas e cobranças políticas

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Imagem: Angela Macario / shutterstock.com

A promessa de Lula de “zerar a fila do INSS” foi uma das mais destacadas em seu discurso de posse e vem sendo usada pela oposição como alvo de críticas políticas.

Deputados e senadores da base adversária cobram explicações sobre o aumento expressivo da fila e questionam a eficiência das políticas de digitalização e contratações emergenciais.

Governo defende avanços

O Ministério da Previdência, por sua vez, afirma que o governo vem obtendo melhorias graduais, destacando que o tempo médio de concessão caiu quase 20% entre março e agosto de 2025. A pasta também sustenta que os mutirões e o uso de tecnologia devem mostrar resultados mais consistentes até o início de 2026.

FAQ – Perguntas frequentes

1. Qual é o tamanho atual da fila do INSS?
Em agosto de 2025, havia cerca de 2,63 milhões de pedidos aguardando análise, segundo o Portal da Transparência.

2. O que causou o aumento da fila?
A principal causa foi a greve de 2024, que paralisou o atendimento por mais de 100 dias, somada à alta demanda e à falta de servidores.

3. O tempo médio de concessão dos benefícios melhorou?
Parcialmente. Após a greve, o tempo médio subiu para 64 dias e depois caiu para 49 dias, ainda acima da meta do governo.

4. O governo Lula prometeu zerar a fila?
Sim. Em seu discurso de posse, Lula afirmou que iria acabar com a fila do INSS, promessa ainda não cumprida.

Considerações finais

A promessa de zerar a fila do INSS se transformou em um dos maiores desafios do governo Lula. Mesmo com esforços para modernizar o sistema e reforçar o quadro de servidores, o número de pedidos pendentes atingiu níveis recordes. O cenário revela não apenas uma falha de gestão pontual, mas um problema estrutural que exige soluções duradouras e investimentos contínuos na Previdência Social brasileira.

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Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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