A promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de zerar a fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ainda não saiu do discurso para a prática. Passados quase dois anos desde o início do atual governo, a lista de espera por benefícios e serviços previdenciários mais que dobrou.
Fila do INSS explode e deixa quase 3 milhões de segurados à espera
Fila do INSS mais que dobra no governo Lula, impulsionada pelo BPC, apesar da redução no tempo médio de atendimento.
Em janeiro de 2023, início do terceiro mandato de Lula, cerca de 1,2 milhão de pessoas aguardavam a análise de pedidos como aposentadorias, pensões, Benefício de Prestação Continuada (BPC), licença-maternidade e perícias para auxílio-doença. Em outubro deste ano, esse número saltou para 2,86 milhões de requerimentos pendentes, evidenciando um gargalo que segue longe de ser resolvido.
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Crescimento da fila e explicações oficiais
Argumentos apresentados pelo INSS
Em nota enviada à imprensa, o INSS atribuiu o aumento da fila a mudanças recentes na legislação que ampliaram o acesso a benefícios sociais. O órgão também apontou fatores estruturais, como o envelhecimento da população brasileira, que naturalmente eleva a demanda por aposentadorias e benefícios assistenciais.
Mudança no cálculo do BPC
Outro fator citado foi a adoção de uma nova metodologia para o cálculo da renda familiar de quem solicita o BPC. O benefício, equivalente a um salário mínimo, é destinado a idosos de baixa renda com mais de 65 anos ou a pessoas com deficiência que comprovem vulnerabilidade social.
Segundo o instituto, a implementação dessa nova regra exigiu adaptações nos sistemas de tecnologia e nos processos internos, o que levou à suspensão temporária de milhares de requerimentos.
Comitê e mutirões como resposta
“O crescimento do estoque de requerimentos trata-se de um desafio complexo, cuja resolução vai além das ações do INSS”, afirmou o órgão, destacando que a análise de benefícios frequentemente envolve outros órgãos públicos. Entre as medidas adotadas estão mutirões de atendimento e a criação de um comitê específico para o enfrentamento da fila.
BPC impulsiona alta, aposentadorias recuam
Avanço expressivo no Benefício de Prestação Continuada
Os dados revelam comportamentos distintos conforme o tipo de benefício. A fila do BPC apresentou crescimento significativo durante o atual governo. Em junho de 2023, havia cerca de 511 mil pessoas aguardando a concessão. Em setembro deste ano, o número subiu para 898 mil requerimentos pendentes.
Esse aumento está diretamente relacionado às mudanças no cálculo da renda familiar e à ampliação do acesso ao benefício, que passou a alcançar um público maior em situação de vulnerabilidade.
Queda na fila das aposentadorias
Em sentido oposto, a fila das aposentadorias apresentou redução. No mesmo período, o número de pedidos pendentes caiu de 357 mil para 283 mil pessoas. O INSS atribui essa melhora ao fato de que aposentadorias, quando toda a documentação está correta, não dependem de perícia médica e podem ser concedidas de forma automática.
Tempo médio menor, mas desigual
Redução no prazo geral de atendimento
Apesar do aumento expressivo da fila total, o tempo médio geral de atendimento no INSS caiu de forma relevante. No fim do governo Michel Temer, a espera média era de 57 dias. Durante o governo Jair Bolsonaro, em dezembro de 2022, esse prazo subiu para 79 dias. No atual governo, a média caiu para 35 dias.
Gargalos persistentes em benefícios específicos
Quando a análise é segmentada por tipo de serviço, porém, surgem gargalos importantes. O BPC é o principal exemplo. Em janeiro de 2024, o tempo médio de concessão era de 62 dias. Atualmente, o prazo chegou a 193 dias, superando inclusive os piores índices registrados nos dois governos anteriores.
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O INSS explicou que a mudança no limite de renda, fixado em um quarto do salário mínimo por pessoa, exigiu o sobrestamento de processos até que os sistemas fossem ajustados. Esse acúmulo temporário contribuiu diretamente para o aumento da fila.
Perícias médicas seguem como entrave
Já no caso dos benefícios que dependem de perícia médica, como o auxílio-doença, o Ministério da Previdência não comentou os atrasos. A escassez de peritos e a dificuldade de agendamento seguem como obstáculos frequentes apontados por especialistas e segurados.
Promessas reiteradas e cobranças públicas
Compromisso assumido na campanha e na posse
Durante a campanha eleitoral de 2022, Lula prometeu acabar com a fila do INSS, destacando o avanço da digitalização e a possibilidade de reforço no quadro de servidores. A promessa foi reafirmada no discurso de posse, em janeiro de 2023, quando classificou a fila como uma “vergonhosa injustiça”.
Declarações posteriores e tom crítico
Em julho de 2023, diante do crescimento da fila para mais de 1,4 milhão de pessoas, o presidente voltou ao tema em entrevista ao programa Café com o Presidente. Na ocasião, cobrou explicações e admitiu a possibilidade de falta de recursos, servidores ou gestão.
“Se é falta de funcionário, tem que colocar funcionário. Se é falta de competência, tem que trocar quem não tem competência”, afirmou Lula, em um tom de cobrança pública aos responsáveis pela área.
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Imagem: Vietnam Stock Images shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital
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