A proposta de emenda à Constituição (PEC) que pode encerrar a escala de trabalho 6×1 — regime em que o trabalhador atua seis dias e descansa apenas um — avançou na Câmara dos Deputados e já estabelece um cronograma de transição que pode começar a valer ainda em 2026, caso seja aprovada também pelo Senado.
Projeto que muda escala 6×1 ainda precisa definir regras trabalhistas
PEC que pode encerrar a escala 6x1 avança na Câmara e prevê transição até 40h semanais sem redução salarial. Veja impactos e prazos.
O acordo firmado entre o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o governo federal prevê mudanças graduais na jornada semanal, com redução das atuais 44 horas para 40 horas e a garantia de ao menos dois dias de descanso por semana, sem redução salarial.
A proposta vem sendo tratada como uma das principais pautas trabalhistas em discussão no Congresso e pode impactar cerca de milhões de trabalhadores formais no país, segundo estimativas baseadas em dados do IBGE.
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O que muda com a proposta da PEC
Transição da jornada de trabalho
O texto estabelece uma implementação escalonada:
- 60 dias após a promulgação da PEC: passa a valer a obrigatoriedade de ao menos dois dias de folga semanais
- Também após 60 dias: jornada reduzida de 44 para 42 horas semanais
- Após 1 ano: redução final para 40 horas semanais
A proposta determina que não haverá redução de salários durante a transição, o que deve exigir ajustes de produtividade e reorganização das empresas.
Como fica a escala 6×1
A escala 6×1, ainda comum em setores como comércio, serviços, indústria e atendimento ao público, tende a ser diretamente impactada pela mudança constitucional.
Com a nova regra, o modelo passa a perder espaço para jornadas com maior equilíbrio entre trabalho e descanso, aproximando o Brasil de padrões já adotados em alguns países com semana de quatro dias ou jornadas reduzidas.
Segundo o parecer do relator da PEC, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), até mesmo categorias com regimes especiais deverão se adaptar inicialmente às novas regras gerais, com posterior regulamentação específica.
Categorias especiais e exceções previstas
O texto prevê que algumas categorias poderão ter regras próprias de compensação de jornada, como:
- Trabalhadores embarcados em aeronaves
- Profissionais de navios e plataformas
- Setores com jornadas historicamente diferenciadas
Nesses casos, uma legislação complementar deverá definir como será feita a compensação de horas dentro do novo limite constitucional.
Alta renda e flexibilização da jornada
Uma das mudanças mais polêmicas incluídas no parecer prevê que trabalhadores com curso superior e renda acima de 2,5 vezes o teto do INSS não estarão submetidos ao limite constitucional de jornada.
Na prática, esse grupo poderia negociar diretamente suas condições de trabalho, sem obrigatoriedade dos dois dias de folga previstos na PEC, desde que acordos individuais ou coletivos estabeleçam regras específicas.
O governo argumenta que a medida pode reduzir a contratação como pessoa jurídica (PJ) em determinados setores de alta renda, incentivando a formalização.
Tramitação da PEC no Congresso
A proposta ainda está em análise em comissão especial da Câmara dos Deputados. Após isso, precisará:
- Ser aprovada no plenário da Câmara
- Seguir para o Senado Federal
- Ser aprovada em dois turnos nas duas Casas com o mesmo texto
Como se trata de uma emenda constitucional, qualquer alteração no Senado obriga o retorno do texto à Câmara.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ainda não indicou posição definitiva sobre o avanço da proposta, o que pode influenciar o ritmo da tramitação.
Impactos econômicos e debate no país
Argumentos favoráveis
Defensores da mudança afirmam que a redução da jornada pode:
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- Melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores
- Reduzir desgaste físico e mental
- Diminuir rotatividade em empregos formais
- Aumentar produtividade no médio prazo
A mobilização social liderada por movimentos trabalhistas, como o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), também ajudou a impulsionar o tema no Congresso.
Argumentos contrários
Críticos alertam para possíveis efeitos econômicos, como:
- Aumento de custos para empresas
- Possível impacto na inflação
- Risco de maior informalidade
- Redução de contratações formais em alguns setores
Especialistas em mercado de trabalho destacam que o efeito final dependerá da capacidade de adaptação das empresas e da produtividade do trabalho.
O que dizem os economistas
Estudos citados no debate parlamentar apontam que mudanças anteriores na jornada, como a redução de 48 para 44 horas na Constituição de 1988, não provocaram colapso econômico, contrariando previsões da época.
Por outro lado, economistas destacam que a transição atual é mais ampla, atingindo cerca de 20 milhões de trabalhadores formais, o que exige planejamento mais cuidadoso por parte das empresas.
Segundo análises de mercado, o curto período de transição pode ser um desafio para setores com alta dependência de mão de obra, como comércio e serviços.
Possíveis impactos no mercado de trabalho
Caso aprovada, a PEC pode provocar mudanças estruturais no modelo de trabalho no Brasil, incluindo:
- Reorganização de escalas em empresas
- Reavaliação de contratos de trabalho
- Maior uso de turnos e automação em alguns setores
- Pressão por ganhos de produtividade
Ao mesmo tempo, trabalhadores podem experimentar maior tempo de descanso semanal, o que tende a impactar diretamente a rotina de consumo, saúde e qualidade de vida.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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