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Tesouro Direto ganha força com fim da isenção para títulos privados

O fim da isenção de Imposto de Renda sobre investimentos privados, como LCI, LCA, CRI e CRA, trará impactos diretos no mercado, veja!

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
tesouro direto

Nos últimos meses, o governo federal tem tomado medidas para aumentar a arrecadação e reestruturar o mercado de investimentos no Brasil. Entre essas ações, destaca-se a proposta de acabar com a isenção de Imposto de Renda (IR) para determinados tipos de investimentos privados, como a Letra de Crédito Imobiliário (LCI), Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), a partir de 2026. Essa proposta já foi apresentada por meio de uma Medida Provisória (MP), mas ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional.

Essa mudança vem sendo discutida intensamente no mercado, uma vez que os papéis isentos de IR têm sido uma alternativa atrativa para os investidores, especialmente pessoas físicas, que buscam uma forma de diversificar suas aplicações financeiras. No entanto, o fim da isenção pode alterar significativamente o equilíbrio entre o mercado de crédito privado e o Tesouro Direto, além de representar um movimento estratégico do governo para aumentar sua arrecadação tributária.

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Imagem: Freepik e Canva

A proposta do governo e suas implicações

A Medida Provisória que revê as regras de isenção de IR sobre investimentos privados tem como objetivo gerar mais arrecadação para o governo federal. Atualmente, títulos como LCI, LCA, CRI e CRA não são sujeitos ao Imposto de Renda, o que torna esses ativos mais atraentes para o investidor. De acordo com a proposta, esses papéis perderiam a isenção a partir das emissões realizadas em 2026, sendo tributados com uma alíquota de 5%. Já os títulos públicos, como os emitidos pelo Tesouro Direto, seriam tributados de forma fixa em 17,5%, sem mais a aplicação da tabela regressiva do IR.

Segundo o governo, essa medida visa reduzir a dependência do país do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e criar um ambiente mais competitivo para o Tesouro Direto, favorecendo as finanças públicas. Para especialistas, a proposta pode trazer impacto tanto para os investidores quanto para as empresas que operam com crédito privado.

Repercussões para o mercado de investimentos

A mudança pode mexer diretamente no equilíbrio do mercado de investimentos, já que os papéis isentos de IR têm sido uma escolha popular entre os investidores que buscam rentabilidade com isenção tributária. Se o fim da isenção se concretizar, a atratividade de ativos privados como LCI, LCA, CRI e CRA diminuirá, especialmente quando comparados com os títulos públicos.

Para Tsai Chi-Yu, fundador da Stay, a isenção atual cria um desequilíbrio entre os títulos públicos e privados. “A isenção de IR funciona como um atrativo para os investidores escolherem produtos do crédito privado. Com remunerações que já competem com os títulos públicos, essa vantagem fiscal desequilibra a disputa”, afirma.

Ao eliminar essa vantagem fiscal, o governo busca aumentar a competitividade do Tesouro Direto, o que também pode resultar em um financiamento mais barato da dívida pública. Isso pode beneficiar tanto o governo quanto os investidores que preferem a segurança dos títulos públicos.

A mudança no perfil do investidor

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Imagem: LookerStudio/Shutterstock

De acordo com Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o fim da isenção dos papéis privados provavelmente reorganizará as preferências dos investidores no mercado de renda fixa, mas não provocará um desespero. “Haverá um ganho de competitividade para os títulos públicos no curto prazo, pois passam a concorrer em bases mais niveladas com debêntures incentivadas, CRIs, CRAs e cotas de FIDCs isentos”, afirma Lima.

No entanto, ele ressalta que os títulos privados ainda oferecem vantagens, como a exposição a setores produtivos, o que proporciona uma maior diversificação e maior potencial de retorno ajustado ao risco. Isso é algo que pode continuar atraindo investidores qualificados, mesmo com a alteração nas regras fiscais.

Além disso, para André Matos, presidente da MA7 Negócios, o fim da isenção pode impulsionar uma mudança estrutural na forma como as empresas veem o custo de oportunidade e a alocação de capital. “Para as empresas, especialmente aquelas que dependem do mercado de dívida, o cenário exige mais planejamento financeiro e alternativas de captação de recursos”, afirma Matos.

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O impacto da proposta sobre o estoque de investimentos

Um ponto que gerou debate entre os especialistas foi o impacto da mudança sobre os investimentos já emitidos antes da aprovação da MP. Segundo a proposta do governo, os ativos emitidos e liquidados até 31 de dezembro de 2025 permanecem isentos de IR, mesmo que sejam negociados no mercado secundário. Isso significa que os investidores que já possuem esses papéis continuarão a ter a isenção até o vencimento dos títulos, o que evita grandes prejuízos para quem já investiu nesses ativos.

Essa medida, portanto, garante que a mudança nas regras de tributação não afete os investidores que já estão alocados nesses papéis, dando um prazo de transição até 2026 para se adaptarem às novas condições.

O que esperar do futuro?

Imagem do Congresso Nacional do Brasil, casa do governo brasileiro.
Imagem: Alejandro Zambrana / Shutterstock

Apesar de a proposta de fim da isenção de IR sobre investimentos privados já estar em discussão, ainda há uma série de questões a serem debatidas no Congresso Nacional. Como destaca Tiago Sbardelotto, economista da XP Investimentos, a tributação fixa de 17,5% sobre os títulos públicos pode reduzir o incentivo de longo prazo para os investidores que buscam construir patrimônio de forma consistente.

No entanto, Sbardelotto acredita que, no geral, a queda da isenção de IR em títulos privados não comprometerá sua relevância no mercado, já que esses papéis continuam oferecendo vantagens específicas e uma rentabilidade ajustada ao risco. “A queda da isenção torna o Tesouro Direto mais competitivo, mas a tributação sobre os títulos privados ainda é menor, e a finalidade de cada tipo de investimento tem suas particularidades”, conclui.

Imagem: Number1411 / shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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