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Fim de Uber e iFood? CPI põe serviços de app em xeque

Confira as principais irregularidades apresentadas no relatório da CPI dos serviços de app, com mais de mil páginas de informações.

Januária VargasPor Januária Vargas4 min de leitura
motorista com mão esquerda no volante e mão direita segurando o celular com tela incial do app Uber em aberto.

Depois de 14 meses de investigações, os vereadores da cidade de São Paulo aprovaram, por unanimidade, o relatório da CPI dos serviços de app. A documentação, com mais de mil páginas, foi apresentada na última segunda-feira, 12/11. 

O relatório desenvolvido pela Comissão Parlamentar de Inquérito a respeito dos serviços de app denuncia centenas de irregularidades, insegurança e abusos trabalhistas cometidos pelas empresas de aplicativos. 

Desse modo, foram apresentadas medidas que visam regulamentar as ações dos serviços de entrega e carona na capital paulista. O intuito é apresentar novas regras e fornecer melhores condições de trabalho aos motoristas e motofretistas.

Além disso, esse tipo de investigação foi considerada pioneira no país. Portanto, a proposta foi encaminhada ao Ministério do Trabalho e Previdência, Congresso Nacional, Ministério Público Estadual e Federal do Trabalho e órgãos do Procon.

O propósito é que esse assunto seja pautado em âmbito nacional. Assim, outras localidades, que sofrem com a precarização dos serviços de app, podem estar aptas para também regulamentar as plataformas. 

Precarização e insegurança nos serviços de app

Conforme dados do relatório final da investigação, a CPI dos aplicativos afirma que o serviço de app compromete a segurança dos trabalhadores e também dos clientes. 

Segundo os dados levantados, as empresas de aplicativos de entrega e carona não seguem as recomendações de segurança determinadas pela legislação municipal. E, ainda, há abuso sobre os trabalhadores. Os principais problemas apontados foram:

  • Falta de inspeção dos carros e motos utilizados para trabalho;
  • Os profissionais são incentivados a trabalhar em condições perigosas, por exemplo, durante as enchentes, com o argumento de que terão maior remuneração;
  • Falta autonomia a esses trabalhadores, já que não os é permitido definir a carga horária de trabalho realizado; 
  • 49% dos entregadores trabalham mais de 10 horas por dia;
  • 28% dos motociclistas que morreram em São Paulo atuavam como entregadores nos serviços de app. 

Irregularidades das empresas de aplicativos

Segundo o relatório da CPI dos aplicativos, muitos profissionais das empresas como a Uber e a 99 não foram cadastrados na prefeitura. Dessa forma, boa parte do valor pago pelos usuários destes serviços não foram convertidos em impostos

Outra forma de burlar o pagamento de impostos, segundo o documento, é a transferência da sede das duas empresas para a cidade de Osasco/SP. Segundo os vereadores da comissão, a mudança ocorreu devido ao menor valor da alíquota de ISS (Imposto Sobre Serviços), ato que se caracteriza como evasão fiscal. 

Ademais, o relatório questiona a caracterização dos serviços de app, que estão definidas no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Intelectual) na categoria Tecnologia. Os vereadores afirmam que deveriam estar categorizadas como empresas de Transporte.

A mudança de status poderia melhorar a situação vivida pelos trabalhadores, além de proporcionar maior transparência nas políticas de segurança, alterações da forma de pagamento por quilômetros rodados, etc.

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Declaração das empresas de app 

Em sua defesa, a Uber declarou que as afirmações dadas na CPI não são verdadeiras, e que as informações contidas no relatório são caluniosas e contêm conclusões vazias. A Uber ainda garante que a plataforma gera renda para a cidade, facilita a vida de muitas pessoas e que está em dia com o pagamento dos tributos. 

Já o Ifood informou não ter tido acesso ao relatório, mas que está disposto ao diálogo para garantir avanços e oportunidade aos entregadores.

O Rappi, por sua vez, declarou que recolhe todos os impostos conforme a legislação do município e, ainda, tem decisão favorável da Justiça do Trabalho, devido à ação pública realizada contra a empresa em situação anterior. 

A 99 informou que a empresa cumpre todas as normas vigentes e o pagamento de tributos está em dia. A plataforma disse estar à disposição para o debate e para aprimorar o serviço, a fim de oferecer melhores condições para os clientes, motoristas e a cidade.

Imagem: Lutsenko Oleksandr/Shutterstock

Januária Vargas

Autor

Januária Vargas

Jornalista, graduada pelo Centro Universitário UNA, com 10 anos de experiência em produção de textos e assessoria de comunicação. Atualmente, estuda Nutrição & Saúde Integrativa e trabalha como redatora do portal Seu Crédito Digital.

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