A Justiça de Goiás determinou o fim da exigência de pedido mínimo no iFood, alegando que a prática configura venda casada e prejudica os consumidores. A decisão, embora tomada em Goiás, se estende a todo o Brasil. No entanto, só entrará em vigor após o trânsito em julgado, ou seja, quando não houver mais possibilidade de recurso.
iFood é proibido pela Justiça de exigir valor mínimo em pedidos
Justiça determina fim do pedido mínimo no iFood, alegando prática abusiva. Decisão vale para todo o Brasil, mas empresa recorrerá. Saiba mais.
O iFood já anunciou que irá recorrer, afirmando que o pedido mínimo é essencial para a sustentabilidade dos negócios dos restaurantes parceiros. A empresa defende que a prática sempre existiu no setor e que sua proibição pode impactar negativamente tanto os estabelecimentos quanto os consumidores.
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Por que o pedido mínimo foi proibido?

Venda casada e impacto para os consumidores
O Ministério Público de Goiás (MPGO) argumentou que o pedido mínimo obriga os consumidores a comprarem itens adicionais sem necessidade, apenas para atingir um valor estabelecido pela loja. Isso, segundo o MPGO, caracteriza venda casada, prática proibida pelo Código de Defesa do Consumidor.
Muitas pessoas já enfrentaram situações como essa: querem comprar apenas um item de R$ 15, mas são obrigadas a adicionar produtos extras para alcançar o mínimo exigido pelo restaurante, como R$ 20 ou R$ 25. Segundo a Justiça, essa imposição prejudica a liberdade de escolha dos clientes e fere os princípios da defesa do consumidor.
Como será a retirada do pedido mínimo no iFood?
Decisão prevê redução gradual do valor
A sentença determina que, assim que o processo for finalizado, o iFood reduza gradualmente o valor do pedido mínimo. O cronograma estabelecido pela Justiça é o seguinte:
Após o trânsito em julgado: o pedido mínimo deve ser reduzido imediatamente para R$ 30
Após seis meses: o valor cai para R$ 20
Após doze meses: a exigência mínima passa para R$ 10
Após dezoito meses: o pedido mínimo deve ser zerado
Caso o iFood descumpra as etapas estabelecidas, poderá ser multado em até R$ 1 milhão por fase não implementada.
O que muda para os restaurantes cadastrados?

Responsabilidade solidária da plataforma
Outro ponto importante da decisão é que as cláusulas contratuais entre o iFood e os restaurantes que exigem pedido mínimo foram anuladas. A Justiça considerou que, embora o iFood atue como intermediário, ele possui responsabilidade solidária sobre as regras impostas aos consumidores.
Isso significa que os restaurantes cadastrados precisarão se adequar às novas normas da plataforma caso a decisão seja mantida.
Multa milionária e indenização ao consumidor
R$ 5,4 milhões em danos morais coletivos
Além de proibir o pedido mínimo, a Justiça condenou o iFood ao pagamento de R$ 5,4 milhões por danos morais coletivos. Esse valor será destinado ao Fundo Estadual de Defesa do Consumidor, que tem o objetivo de financiar iniciativas de proteção aos direitos dos consumidores.
A justificativa para essa multa é o impacto financeiro que a prática do pedido mínimo pode ter causado a milhões de usuários da plataforma ao longo dos anos.
O que diz o iFood sobre a decisão?

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O iFood declarou que a decisão não afeta sua operação e que a possibilidade de os restaurantes estabelecerem pedido mínimo permanece válida enquanto o processo estiver em andamento. A empresa alegou que o pedido mínimo é uma estratégia usada muito antes do surgimento das plataformas de delivery, sendo essencial para cobrir custos operacionais dos estabelecimentos.
A empresa também defende que sem essa prática os restaurantes podem enfrentar dificuldades para operar, especialmente os de pequeno porte. O iFood afirma que essa exigência existe não só na plataforma, mas também em pedidos feitos por telefone, WhatsApp e aplicativos próprios dos restaurantes.
Segundo a companhia, a retirada do pedido mínimo pode acabar prejudicando os consumidores de menor poder aquisitivo, pois alguns restaurantes podem aumentar preços ou restringir opções de produtos mais baratos.
O que esperar daqui para frente?
A decisão ainda não é definitiva, pois cabe recurso. Se o iFood conseguir reverter a decisão em instâncias superiores, a exigência do pedido mínimo poderá ser mantida. No entanto, se a sentença for confirmada, o pedido mínimo será eliminado em todo o Brasil dentro do prazo estabelecido.
Caso isso aconteça, consumidores terão mais liberdade para realizar pedidos sem a necessidade de adquirir produtos adicionais, enquanto restaurantes terão que buscar alternativas para equilibrar custos operacionais.
O caso segue na Justiça e pode levar meses ou anos para uma decisão final. Enquanto isso, o pedido mínimo continua sendo aplicado na plataforma.
Conclusão
A decisão contra o pedido mínimo no iFood fortalece os direitos do consumidor ao coibir a venda casada, mas levanta preocupações sobre o impacto nos restaurantes. Enquanto o iFood recorre, a exigência segue válida. Caso a sentença seja mantida, os consumidores terão mais liberdade nas compras, enquanto os estabelecimentos precisarão se adaptar. O desfecho pode levar tempo, mas o debate sobre a regulamentação do delivery e a proteção do consumidor continua em pauta.
