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Fim da escala 6×1 pode encarecer imóveis? Entenda o alerta do setor da construção

Abrainc afirma que o fim da escala 6x1 pode aumentar o custo dos imóveis. Entenda os argumentos do setor e o que ainda está em discussão.

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
escala 6x1

O debate sobre o possível fim da escala 6×1 ganhou um novo capítulo após representantes do setor da construção civil afirmarem que a medida poderá elevar o preço dos imóveis e dificultar ainda mais o acesso à casa própria.

Durante um evento realizado em São Paulo, a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) apresentou estudos indicando que a redução da jornada de trabalho poderá aumentar os custos da construção civil e provocar reflexos em diversos setores da economia.

Segundo a entidade, caso a proposta seja aprovada nos moldes atualmente discutidos, os imóveis poderiam ficar mais de 5% mais caros.

Mas por que a mudança teria esse impacto? A proposta já foi aprovada? E quais são os argumentos apresentados pelos diferentes lados do debate?

Confira os principais pontos.

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O que é a escala 6×1?

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A escala 6×1 é um modelo de jornada de trabalho bastante comum no Brasil.

Nele, o trabalhador exerce suas atividades durante seis dias consecutivos e descansa um dia.

Esse formato é utilizado principalmente em setores que funcionam continuamente, como:

  • comércio;
  • supermercados;
  • construção civil;
  • hotéis;
  • restaurantes;
  • hospitais;
  • serviços em geral.

Atualmente, a Constituição Federal estabelece limites para a jornada semanal, enquanto a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) regulamenta diversos aspectos relacionados ao descanso, horas extras e organização do trabalho.

O que está sendo discutido?

Nos últimos meses, propostas que defendem a redução da jornada de trabalho sem redução salarial passaram a ganhar espaço no debate nacional.

Embora existam diferentes projetos em tramitação, o objetivo central é diminuir a quantidade de dias consecutivos de trabalho, alterando o atual modelo 6×1.

Até o momento, porém, nenhuma mudança foi aprovada.

Ou seja, as regras atuais continuam em vigor.

Por que a Abrainc acredita que os imóveis podem ficar mais caros?

Segundo a Abrainc, a redução da jornada exigiria um aumento na contratação de trabalhadores ou uma reorganização das equipes para manter o mesmo ritmo das obras.

Na avaliação da entidade, isso elevaria os custos com mão de obra.

Como consequência, as incorporadoras poderiam repassar parte desse aumento ao preço final dos imóveis.

Impacto estimado nos preços

Os estudos apresentados pela associação apontam que os imóveis poderiam registrar aumento superior a 5%.

Segundo o presidente da Abrainc, Luiz França, esse encarecimento dificultaria ainda mais o acesso da população à casa própria.

A entidade estima que aproximadamente 2,5 milhões de brasileiros poderiam ser impactados pela alta dos custos habitacionais caso esse cenário se concretize.

Os impactos ficariam restritos ao mercado imobiliário?

Não, segundo a avaliação apresentada pela Abrainc.

A entidade argumenta que setores intensivos em mão de obra também poderiam enfrentar aumento de custos operacionais.

Entre os segmentos citados estão:

  • alimentos;
  • bebidas;
  • vestuário;
  • comércio;
  • serviços.

Na visão da associação, empresas que precisarem contratar mais funcionários para manter o mesmo nível de atendimento poderão repassar parte desses custos aos consumidores.

Juros altos continuam sendo um dos maiores desafios

Embora a discussão sobre a escala 6×1 tenha dominado parte do evento, representantes do setor afirmaram que o principal desafio continua sendo o elevado custo do crédito.

Como a Selic afeta o mercado imobiliário?

A taxa Selic serve como referência para os juros cobrados na economia.

Quando ela permanece elevada, o financiamento imobiliário tende a ficar mais caro.

Isso reduz o número de famílias aptas a comprar um imóvel financiado e diminui a demanda pelo setor.

Segundo representantes da Abrainc, o cenário atual já é desafiador devido ao alto custo do crédito e ao aumento do endividamento das famílias brasileiras.

Endividamento reduz capacidade de compra

Outro ponto destacado durante o evento é que muitas famílias já comprometem parte significativa da renda com outras dívidas.

Nessa situação, a compra de um imóvel acaba sendo adiada, principalmente quando as parcelas do financiamento aumentam por causa dos juros.

Outros fatores também influenciam o preço dos imóveis

Especialistas lembram que o valor de um imóvel depende de diversos fatores, não apenas da mão de obra.

Entre eles estão:

Materiais de construção

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Oscilações no preço de insumos como:

  • cimento;
  • aço;
  • concreto;
  • vidro;
  • cobre;
  • alumínio.

podem impactar diretamente o custo das obras.

Taxa de juros

Juros elevados aumentam tanto o custo para financiar empreendimentos quanto para conceder crédito aos compradores.

Disponibilidade de terrenos

Em grandes cidades, a escassez de áreas para construção também influencia o preço final dos imóveis.

Inflação

A inflação afeta praticamente toda a cadeia produtiva, desde transporte até aquisição de materiais e contratação de serviços.

O debate ainda está em andamento

Apesar das preocupações apresentadas pelo setor imobiliário, qualquer impacto econômico dependerá do formato final de eventual mudança na legislação trabalhista.

Ainda não há definição sobre:

  • como seria a nova jornada;
  • quais setores seriam alcançados;
  • se haveria regras de transição;
  • quais mecanismos poderiam ser adotados para reduzir impactos às empresas.

Por isso, especialistas ressaltam que projeções divulgadas por entidades representam estimativas baseadas em determinados cenários e podem variar conforme o texto que eventualmente venha a ser aprovado.

O que muda para quem pretende comprar um imóvel?

Imóvel
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Neste momento, nada muda.

A possível redução da jornada de trabalho ainda faz parte das discussões legislativas e não altera as condições atuais do mercado imobiliário.

Quem pretende financiar um imóvel continua sendo mais impactado, no curto prazo, por fatores como:

  • taxa de juros;
  • renda familiar;
  • valor da entrada;
  • condições de financiamento;
  • inflação do setor da construção.

Considerações finais

O debate sobre o fim da escala 6×1 passou a envolver também o mercado imobiliário, após a Abrainc afirmar que a redução da jornada poderá elevar os custos da construção e aumentar o preço dos imóveis. Segundo a entidade, o impacto ocorreria principalmente devido ao crescimento das despesas com mão de obra.

Por outro lado, o tema ainda está em discussão e dependerá do formato que eventualmente venha a ser aprovado pelo Congresso Nacional. Até lá, fatores como juros elevados, inflação e custo dos materiais continuam sendo os principais elementos que influenciam o mercado imobiliário e o acesso da população à casa própria.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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