A possível redução da jornada semanal de trabalho voltou ao centro do debate econômico no Brasil. Um estudo divulgado pelo Governo Federal indica que o fim da chamada escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias e descansa apenas um — pode gerar até 4,5 milhões de novos empregos no país.
A pesquisa integra o chamado Dossiê 6×1 e foi conduzida pela economista Marilane Teixeira, do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (CESIT), vinculado à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O levantamento reúne contribuições de 63 especialistas e reforça que a redução da jornada pode trazer impactos econômicos positivos.
O tema já mobiliza o Congresso Nacional e integra a agenda prioritária do governo para 2026.
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O que é a escala 6×1?
A escala 6×1 é um modelo de jornada em que o trabalhador atua seis dias consecutivos e descansa apenas um. Esse formato é comum em setores como comércio, serviços e indústria.
Atualmente, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece jornada máxima de 44 horas semanais. No entanto, segundo o estudo, cerca de 21 milhões de trabalhadores cumprem jornadas superiores a esse limite.
Além disso, 76,3% das pessoas ocupadas no Brasil trabalham mais de 40 horas por semana.
O que o estudo propõe?
O levantamento analisa a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas. De acordo com os pesquisadores, essa mudança poderia:
Criar até 4,5 milhões de novos postos de trabalho
Com menos horas por trabalhador, empresas precisariam contratar mais pessoas para manter o mesmo nível de produção.
Elevar a produtividade em cerca de 4%
A hipótese é que jornadas menores aumentam foco, reduzem fadiga e melhoram desempenho.
Reduzir impactos da sobrecarga
Menos horas trabalhadas podem diminuir afastamentos por doenças relacionadas ao estresse e à saúde mental.
Segundo Marilane Teixeira, o atual contexto tecnológico favorece a mudança. “Com os avanços tecnológicos e o nível de produtividade existente, é possível reduzir a jornada sem comprometer a economia”, defende a pesquisadora.
Quantos trabalhadores seriam beneficiados?
O impacto potencial é amplo.
Caso a jornada seja limitada a 40 horas semanais, aproximadamente 45 milhões de trabalhadores poderiam ser beneficiados com a escala 5×2 (cinco dias de trabalho e dois de descanso).
Em um cenário mais amplo, com adoção da escala 4×3 (quatro dias de trabalho e três de descanso), cerca de 76 milhões de trabalhadores seriam impactados.
Impactos na saúde e na qualidade de vida
O estudo também destaca dados preocupantes sobre saúde ocupacional. Em 2024, o Brasil registrou aproximadamente 500 mil afastamentos por doenças psicossociais relacionadas ao trabalho formal.
Excesso de jornada, pressão por metas e falta de descanso adequado estão entre os fatores apontados.
Reduzir a jornada pode contribuir para:
- Melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional
- Menor incidência de burnout
- Redução de afastamentos previdenciários
- Aumento da satisfação no trabalho
Esses fatores têm impacto direto na produtividade e nos custos empresariais com rotatividade e afastamentos.
Debate político e proposta para 2026
A proposta defendida pelo governo é estabelecer jornada máxima de 40 horas semanais, sem redução salarial, com modelo predominante de escala 5×2.
O debate envolve diálogo entre Executivo, Congresso, trabalhadores e setor empresarial. A mudança exigiria alteração legislativa e transição gradual para setores mais impactados.
Experiências internacionais citadas no dossiê indicam que países que reduziram jornada registraram ganhos de produtividade e crescimento econômico, contrariando a tese de que haveria retração do PIB.
A redução pode afetar salários?
A proposta em discussão prevê manutenção da remuneração, mesmo com diminuição da carga horária.
Especialistas argumentam que o aumento da produtividade e a geração de novos empregos podem compensar os custos adicionais para empresas, especialmente em setores intensivos em tecnologia.
O que dizem economistas críticos?
Parte do mercado argumenta que a redução pode elevar custos trabalhistas, principalmente para pequenas empresas.
Por outro lado, defensores afirmam que a modernização das relações de trabalho é inevitável diante das transformações tecnológicas e das novas demandas sociais.
O debate deve ganhar força ao longo de 2026, especialmente em um cenário de discussões sobre crescimento econômico, emprego e qualidade de vida.
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Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital
