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Menos horas de trabalho pode ampliar vagas no mercado

Estudo aponta que reduzir jornada para 36h pode criar 4,5 mi empregos e elevar produtividade no Brasil.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes4 min de leitura
escala 6x1

A possível redução da jornada semanal de trabalho voltou ao centro do debate econômico no Brasil. Um estudo divulgado pelo Governo Federal indica que o fim da chamada escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias e descansa apenas um — pode gerar até 4,5 milhões de novos empregos no país.

A pesquisa integra o chamado Dossiê 6×1 e foi conduzida pela economista Marilane Teixeira, do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (CESIT), vinculado à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O levantamento reúne contribuições de 63 especialistas e reforça que a redução da jornada pode trazer impactos econômicos positivos.

O tema já mobiliza o Congresso Nacional e integra a agenda prioritária do governo para 2026.

Leia mais:

Escala 6×1: entenda o efeito da mudança para 2026

O que é a escala 6×1?

A escala 6×1 é um modelo de jornada em que o trabalhador atua seis dias consecutivos e descansa apenas um. Esse formato é comum em setores como comércio, serviços e indústria.

Atualmente, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece jornada máxima de 44 horas semanais. No entanto, segundo o estudo, cerca de 21 milhões de trabalhadores cumprem jornadas superiores a esse limite.

Além disso, 76,3% das pessoas ocupadas no Brasil trabalham mais de 40 horas por semana.

O que o estudo propõe?

O levantamento analisa a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas. De acordo com os pesquisadores, essa mudança poderia:

Criar até 4,5 milhões de novos postos de trabalho

Com menos horas por trabalhador, empresas precisariam contratar mais pessoas para manter o mesmo nível de produção.

Elevar a produtividade em cerca de 4%

A hipótese é que jornadas menores aumentam foco, reduzem fadiga e melhoram desempenho.

Reduzir impactos da sobrecarga

Menos horas trabalhadas podem diminuir afastamentos por doenças relacionadas ao estresse e à saúde mental.

Segundo Marilane Teixeira, o atual contexto tecnológico favorece a mudança. “Com os avanços tecnológicos e o nível de produtividade existente, é possível reduzir a jornada sem comprometer a economia”, defende a pesquisadora.

Quantos trabalhadores seriam beneficiados?

O impacto potencial é amplo.

Caso a jornada seja limitada a 40 horas semanais, aproximadamente 45 milhões de trabalhadores poderiam ser beneficiados com a escala 5×2 (cinco dias de trabalho e dois de descanso).

Em um cenário mais amplo, com adoção da escala 4×3 (quatro dias de trabalho e três de descanso), cerca de 76 milhões de trabalhadores seriam impactados.

Impactos na saúde e na qualidade de vida

O estudo também destaca dados preocupantes sobre saúde ocupacional. Em 2024, o Brasil registrou aproximadamente 500 mil afastamentos por doenças psicossociais relacionadas ao trabalho formal.

Excesso de jornada, pressão por metas e falta de descanso adequado estão entre os fatores apontados.

Reduzir a jornada pode contribuir para:

  • Melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional
  • Menor incidência de burnout
  • Redução de afastamentos previdenciários
  • Aumento da satisfação no trabalho

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Esses fatores têm impacto direto na produtividade e nos custos empresariais com rotatividade e afastamentos.

Debate político e proposta para 2026

A proposta defendida pelo governo é estabelecer jornada máxima de 40 horas semanais, sem redução salarial, com modelo predominante de escala 5×2.

O debate envolve diálogo entre Executivo, Congresso, trabalhadores e setor empresarial. A mudança exigiria alteração legislativa e transição gradual para setores mais impactados.

Experiências internacionais citadas no dossiê indicam que países que reduziram jornada registraram ganhos de produtividade e crescimento econômico, contrariando a tese de que haveria retração do PIB.

A redução pode afetar salários?

A proposta em discussão prevê manutenção da remuneração, mesmo com diminuição da carga horária.

Especialistas argumentam que o aumento da produtividade e a geração de novos empregos podem compensar os custos adicionais para empresas, especialmente em setores intensivos em tecnologia.

O que dizem economistas críticos?

Parte do mercado argumenta que a redução pode elevar custos trabalhistas, principalmente para pequenas empresas.

Por outro lado, defensores afirmam que a modernização das relações de trabalho é inevitável diante das transformações tecnológicas e das novas demandas sociais.

O debate deve ganhar força ao longo de 2026, especialmente em um cenário de discussões sobre crescimento econômico, emprego e qualidade de vida.

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Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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