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Dono da Riachuelo critica fim da escala 6×1 e prevê alta de até 20% nos custos

Dono da Riachuelo afirma que fim da escala 6x1 pode elevar inflação, pressionar preços e afetar empregos no Brasil.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
riachuelo

O empresário Flávio Rocha, herdeiro do Grupo Guararapes e controlador da Riachuelo, afirmou no sábado (23) que a proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1 pode gerar aumento de preços, pressionar a inflação e provocar redução no número de empregos, especialmente no comércio varejista.

A declaração foi feita durante participação no Fórum Brasil 2026, realizado no Guarujá, litoral de São Paulo, em meio ao avanço da discussão no Congresso Nacional sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que busca reduzir a jornada semanal e ampliar modelos como a escala 5×2.

Segundo Rocha, os cálculos feitos pela companhia apontam um impacto médio de 13% nos custos gerais da economia caso a proposta seja aprovada.

“No caso do varejo, o impacto é maior, porque o setor é mais dependente de mão de obra. Então, imaginamos que o custo vá subir na casa de 18% a 20%”, afirmou o empresário durante o evento.

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O que é a escala 6×1 e por que o tema ganhou força

A escala 6×1 é um modelo de jornada em que o trabalhador atua durante seis dias consecutivos e folga um dia na semana. O formato é amplamente utilizado em setores como:

  • Comércio varejista
  • Supermercados
  • Indústrias
  • Restaurantes
  • Hotéis
  • Salões de beleza
  • Serviços essenciais

A discussão sobre o fim da escala ganhou força nos últimos meses após movimentos sindicais, parlamentares e setores do governo defenderem jornadas consideradas mais equilibradas entre trabalho e vida pessoal.

A proposta em debate no Congresso busca reduzir a carga semanal de trabalho e ampliar modelos com mais dias de descanso, alinhando o Brasil a tendências discutidas em alguns países da Europa e em experiências corporativas internacionais.

Varejo teme aumento de custos operacionais

De acordo com Flávio Rocha, o varejo seria um dos setores mais afetados pela mudança devido à alta dependência de mão de obra presencial.

Empresas do setor costumam operar sete dias por semana, principalmente em shoppings centers e grandes centros urbanos. Com menos dias trabalhados por funcionário, companhias poderiam precisar contratar mais trabalhadores para manter lojas funcionando no mesmo horário atual.

Segundo o empresário, isso elevaria despesas com:

Folha de pagamento

Custos trabalhistas representam uma parcela significativa das despesas operacionais do varejo brasileiro.

Encargos sociais

Além dos salários, empresas precisam arcar com encargos previdenciários, férias, FGTS e benefícios.

Contratação adicional

A redução da escala poderia exigir reforço nas equipes para cobrir folgas e horários de pico.

Rocha afirmou que grandes empresas ainda possuem maior capacidade de adaptação, mas alertou para dificuldades enfrentadas por pequenos e médios empreendedores.

Pequenas empresas podem sentir mais impacto

Durante sua fala, o empresário destacou preocupação com micro e pequenas empresas, responsáveis por grande parte da geração de empregos formais no Brasil.

Segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), pequenos negócios respondem por parcela relevante das vagas criadas no país nos últimos anos.

Para empresários desse segmento, o aumento dos custos trabalhistas poderia gerar efeitos como:

  • Redução de contratações
  • Corte de funcionários
  • Diminuição da margem de lucro
  • Reajuste de preços ao consumidor
  • Redução do horário de funcionamento

Rocha afirmou que muitos empresários poderiam ser obrigados a repassar custos aos consumidores para preservar a sustentabilidade financeira das operações.

Debate divide opiniões entre empresários e trabalhadores

A discussão sobre a redução da jornada de trabalho divide opiniões no Brasil.

Entidades ligadas aos trabalhadores defendem que jornadas menores podem melhorar qualidade de vida, saúde mental e produtividade.

Já representantes empresariais alertam para possíveis impactos sobre:

  • Competitividade
  • Custos operacionais
  • Empregabilidade
  • Inflação
  • Crescimento econômico

Especialistas em mercado de trabalho avaliam que os efeitos podem variar conforme o setor econômico.

Empresas altamente automatizadas tendem a sentir menos impacto, enquanto segmentos intensivos em mão de obra, como varejo e alimentação, podem enfrentar maiores desafios de adaptação.

Escala 5×2 já existe em parte das empresas

Flávio Rocha também afirmou que muitas empresas já adotam jornadas mais flexíveis, como a escala 5×2, sem necessidade de imposição legal ampla.

Segundo ele, o problema estaria na criação de uma regra geral para setores com realidades diferentes.

O empresário citou áreas que dependem de funcionamento contínuo ou ampliado, incluindo:

Restaurantes e bares

Estabelecimentos geralmente concentram movimento nos fins de semana e feriados.

Salões de beleza

Muitos profissionais trabalham justamente em horários alternativos para atender clientes fora do expediente comercial.

Indústrias

Algumas operações industriais funcionam em turnos contínuos para manter produtividade e reduzir custos.

Na avaliação de Rocha, esses segmentos precisam de maior flexibilidade operacional.

Governo e Congresso avançam com discussão da PEC

A discussão sobre o fim da escala 6×1 ocorre em um momento de forte debate político e econômico no país.

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O relatório final da PEC deve ser apresentado pelo deputado federal Léo Prates na próxima segunda-feira (25).

Se o texto for protocolado conforme previsto, a tramitação poderá avançar rapidamente:

Próximos passos previstos

  • Votação na Comissão Especial da Câmara: terça-feira (26)
  • Possível votação em plenário: quarta-feira (27)

A proposta vem sendo acompanhada de perto por empresários, sindicatos e especialistas em relações trabalhistas.

Discussão envolve qualidade de vida e produtividade

Apesar das críticas, Flávio Rocha afirmou considerar legítimo o debate sobre transformação das jornadas de trabalho.

Segundo ele, é natural que trabalhadores busquem maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal, além de mais tempo com a família.

Experiências internacionais mostram resultados variados sobre redução da jornada. Em alguns casos, empresas registraram aumento de produtividade e melhora no bem-estar dos funcionários. Em outros, houve dificuldades de adaptação e aumento de custos.

No Brasil, especialistas afirmam que o impacto dependerá de fatores como:

  • Modelo final aprovado
  • Tempo de transição
  • Incentivos econômicos
  • Capacidade de adaptação das empresas
  • Realidade de cada setor

Empresário cita risco de debate eleitoral

Outro ponto levantado por Rocha foi o momento político em que a discussão acontece.

O empresário afirmou que temas trabalhistas costumam ganhar força em períodos eleitorais e avaliou que existe risco de o debate ser conduzido mais pelo apelo popular do que pela análise técnica dos impactos econômicos.

A discussão da PEC ocorre em meio ao cenário pré-eleitoral de 2026, quando temas ligados a emprego, renda e direitos trabalhistas tendem a ganhar protagonismo no debate público.

O que pode mudar para trabalhadores e empresas

Caso a proposta avance no Congresso e seja aprovada, empresas brasileiras poderão precisar reorganizar jornadas, escalas e modelos de contratação.

Entre os possíveis impactos discutidos atualmente estão:

Para trabalhadores

  • Mais tempo de descanso
  • Maior equilíbrio entre trabalho e vida pessoal
  • Mudanças salariais dependendo da regulamentação
  • Possível reorganização de turnos

Para empresas

  • Aumento de custos operacionais
  • Necessidade de novas contratações
  • Readequação de horários
  • Investimento em automação
  • Mudanças na produtividade

O debate sobre a escala 6×1 ainda deve se intensificar nas próximas semanas, especialmente com o avanço da PEC na Câmara dos Deputados e a pressão de diferentes setores da sociedade.

Foto: Riachuelo/Divulgação

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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