A proposta que prevê o fim da escala 6×1 voltou ao centro do debate trabalhista no Brasil após avançar no Senado. A medida pode alterar profundamente a rotina de milhões de trabalhadores e exigir uma ampla reorganização de empresas que dependem de atividades contínuas.
A PEC 221/2019 foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em 2 de setembro de 2026 e segue para análise do Plenário. O texto prevê a redução gradual da jornada máxima semanal, atualmente fixada em 44 horas, para 40 horas, além da garantia de dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial.
Apesar do avanço, a proposta ainda precisa ser aprovada pelo Plenário do Senado em dois turnos, com o apoio mínimo de 49 senadores. Portanto, as novas regras ainda não estão em vigor.
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A principal mudança proposta é a redução progressiva da jornada semanal de trabalho. Pelo texto aprovado na Câmara e mantido pela CCJ do Senado, o processo ocorreria em etapas.
Dois meses após a promulgação da eventual emenda constitucional, o limite semanal passaria de 44 para 42 horas. Depois de 12 meses, a jornada máxima seria reduzida definitivamente para 40 horas.
A proposta também estabelece dois dias de repouso semanal remunerado. Um deles deverá ocorrer preferencialmente aos domingos. A remuneração dos trabalhadores, por sua vez, não poderá ser reduzida em razão da diminuição da jornada.
Na prática, o objetivo é substituir gradualmente a lógica de seis dias consecutivos de trabalho por modelos que garantam mais tempo de descanso.
Como a mudança pode afetar a escala de trabalho?
O fim da escala 6×1 não significa que todos os brasileiros passarão automaticamente a trabalhar de segunda a sexta-feira.
Empresas que funcionam aos sábados, domingos e feriados continuarão precisando manter suas atividades. Por isso, supermercados, hospitais, restaurantes, hotéis, empresas de transporte e outros serviços deverão reorganizar os turnos de suas equipes.
Uma loja que atualmente conta com um funcionário trabalhando seis dias por semana, por exemplo, poderá precisar contratar mais profissionais ou redistribuir os horários para manter o estabelecimento aberto durante toda a semana.
O maior desafio, portanto, está na cobertura das operações, especialmente nos setores que não podem simplesmente interromper suas atividades.
Quais setores podem sentir mais os efeitos?
Saúde
Hospitais, pronto-socorros e clínicas com atendimento permanente enfrentariam uma adaptação especialmente complexa.
A área da saúde utiliza diferentes formatos de jornada, incluindo a conhecida escala 12×36. O texto da PEC preserva a possibilidade de regras específicas para atividades submetidas a regimes diferenciados, o que pode reduzir os impactos sobre operações essenciais.
Ainda assim, empresas e instituições públicas poderão precisar revisar o dimensionamento das equipes para garantir atendimento contínuo sem ultrapassar os novos limites.
Comércio e shoppings
O comércio é um dos setores mais associados à escala 6×1. Lojas, supermercados e estabelecimentos instalados em shoppings costumam funcionar durante finais de semana e feriados.
Com dois dias de descanso semanal, a tendência é que muitas empresas precisem ampliar equipes ou criar novas combinações de turnos. Para pequenos negócios, que possuem poucos funcionários, a adaptação pode ser ainda mais difícil.
Representantes empresariais argumentam que o aumento das despesas trabalhistas pode pressionar os preços. Já sindicatos defendem que jornadas menores podem reduzir a rotatividade e melhorar a produtividade.
Bares e restaurantes
Restaurantes, bares e lanchonetes também dependem fortemente do trabalho nos períodos em que a maioria das pessoas está de folga.
A necessidade de manter cozinhas, atendimento e serviços de limpeza em funcionamento pode exigir novas contratações. Por outro lado, representantes dos trabalhadores argumentam que a redução da jornada pode ajudar a combater o desgaste físico e a elevada rotatividade do setor.
Construção civil
A construção civil enfrenta um desafio diferente. Obras possuem cronogramas longos e determinadas etapas precisam ser realizadas de forma contínua.
Entidades do setor alertam para possíveis custos adicionais e dificuldades na contratação de profissionais qualificados. Trabalhadores e sindicatos, por outro lado, defendem que melhores condições de trabalho podem tornar a atividade mais atrativa e reduzir afastamentos.
Indústria
Parte da indústria brasileira já trabalha com jornadas inferiores a 44 horas por meio de acordos coletivos.
O setor metalúrgico, por exemplo, possui empresas que adotam jornadas de 40 horas semanais. Isso mostra que a redução da carga horária não representa necessariamente uma experiência inédita no mercado brasileiro.
A diferença é que uma eventual aprovação da PEC criaria uma regra constitucional de alcance nacional.
Trabalhadores terão redução de salário?
Não. Um dos pontos centrais da proposta é justamente a redução da jornada sem diminuição salarial.
Isso significa que, em tese, o trabalhador contratado para receber determinado salário mensal continuaria recebendo o mesmo valor, mesmo trabalhando menos horas por semana.
Na prática, a redução da carga horária também aumenta o valor da hora efetivamente trabalhada. Questões específicas, porém, poderão surgir em categorias com remuneração variável ou sistemas próprios de pagamento.
A escala 5×2 será obrigatória?
A expressão “escala 5×2” é frequentemente utilizada no debate, mas a proposta não determina que todas as empresas adotem exatamente cinco dias de trabalho seguidos por dois dias consecutivos de descanso.
O ponto central é assegurar dois dias de repouso semanal remunerado, mantendo a possibilidade de organização das escalas conforme a atividade e as negociações coletivas.
Assim, um hospital ou empresa de transporte poderá continuar operando todos os dias, desde que respeite os limites estabelecidos pela nova legislação.
Quando o fim da escala 6×1 pode entrar em vigor?

Ainda não há uma data definitiva, pois a PEC precisa ser aprovada pelo Plenário do Senado em dois turnos. Por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição, são necessários pelo menos três quintos dos votos dos senadores.
Caso o texto seja aprovado sem alterações, poderá seguir para promulgação. A proposta prevê uma transição gradual: primeiro, a jornada cairia para 42 horas e, posteriormente, chegaria a 40 horas semanais.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
