A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (27) uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e abre caminho para o fim da escala 6×1 no Brasil. O texto foi aprovado em dois turnos e agora seguirá para análise do Senado Federal.
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Câmara aprova PEC que reduz jornada semanal para 40 horas e permite fim da escala 6x1. Texto segue agora para análise do Senado.
A proposta representa uma das maiores mudanças nas regras trabalhistas brasileiras desde a Reforma Trabalhista de 2017 e reacende o debate sobre produtividade, qualidade de vida e impactos econômicos para empresas e trabalhadores.
No primeiro turno, a PEC recebeu 472 votos favoráveis e 22 contrários. Já no segundo turno, foram 461 votos favoráveis e 19 votos contra. A aprovação expressiva demonstra ampla adesão da Câmara ao novo modelo de jornada.
Entre os deputados de Santa Catarina, a maioria votou contra a proposta nos dois turnos.
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Como votaram os deputados de Santa Catarina

Primeiro turno
Votaram sim
- Ana Paula Lima (PT)
- Ismael (PL)
- Jorge Goetten (Republicanos)
- Pedro Uczai (PT)
Votaram não
- Carlos Chiodini (MDB)
- Caroline De Toni (PL)
- Daniel Freitas (PL)
- Daniela Reinehr (PL)
- Fabio Schiochet (União Brasil)
- Gilson Marques (Novo)
- Julia Zanatta (PL)
- Pezenti (MDB)
- Ricardo Guidi (PL)
- Zé Trovão (PL)
Ausentes
- Cobalchini (MDB)
- Geovania de Sá (Republicanos)
Segundo turno
Votaram sim
- Ana Paula Lima (PT)
- Ismael (PL)
- Jorge Goetten (Republicanos)
- Pedro Uczai (PT)
Votaram não
- Carlos Chiodini (MDB)
- Caroline De Toni (PL)
- Daniel Freitas (PL)
- Daniela Reinehr (PL)
- Fabio Schiochet (União Brasil)
- Gilson Marques (Novo)
- Julia Zanatta (PL)
- Pezenti (MDB)
- Ricardo Guidi (PL)
Ausentes
- Cobalchini (MDB)
- Geovania de Sá (Republicanos)
- Zé Trovão (PL)
O que muda com o fim da escala 6×1
A escala 6×1 é um modelo de jornada já previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), no qual o trabalhador atua durante seis dias consecutivos e tem direito a apenas um dia de folga.
Esse formato é amplamente utilizado em setores como:
- Comércio
- Supermercados
- Farmácias
- Shoppings
- Restaurantes
- Hotelaria
- Serviços gerais
- Indústria
Com a aprovação da PEC, o texto constitucional passará a limitar a jornada semanal em 40 horas, incentivando modelos com maior equilíbrio entre trabalho e descanso.
Na prática, a tendência é que empresas adotem escalas como:
- 5×2
- Jornadas flexíveis
- Escalas alternadas
- Banco de horas mais organizado
A proposta aprovada também prevê:
- Transição gradual de 14 meses
- Entrada parcial em vigor após 60 dias
- Possibilidade de regulamentações específicas para determinados setores
Entenda como surgiu a proposta
O debate ganhou força nos últimos meses com a mobilização do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), grupo que defende melhores condições de jornada e qualidade de vida para os trabalhadores brasileiros.
Nas redes sociais, o tema se tornou um dos mais comentados do país, especialmente entre jovens trabalhadores de setores operacionais e de atendimento.
A discussão também foi impulsionada por duas propostas diferentes apresentadas na Câmara:
- Uma PEC do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG)
- Outra da deputada Erika Hilton (PSOL-SP)
Inicialmente, os textos tinham diferenças importantes.
A proposta de Reginaldo Lopes previa:
- Jornada semanal de 40 horas
- Escala 5×2
Já o texto de Erika Hilton defendia:
- Jornada de 36 horas semanais
- Escala 4×3
Durante a tramitação, as PECs foram anexadas por tratarem do mesmo tema. Após negociações entre parlamentares, foi construído um texto de consenso mantendo:
- Jornada máxima de 40 horas
- Fim da escala 6×1
- Modelo predominante de 5×2
Governo Lula entrou na discussão
O governo federal também participou diretamente do debate. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso um projeto de lei com teor semelhante, aumentando a pressão política para votação ainda em 2026.
Segundo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o projeto enviado pelo Executivo poderá ser utilizado posteriormente para regulamentar exceções e regras específicas para determinados segmentos econômicos.
A intenção é evitar impactos abruptos em setores que dependem de jornadas contínuas, como:
- Saúde
- Segurança
- Transporte
- Indústria de produção contínua
- Serviços essenciais
Quais podem ser os impactos para trabalhadores
Especialistas em relações trabalhistas apontam que a redução da jornada pode trazer benefícios importantes para os trabalhadores.
Mais qualidade de vida
Um dos principais argumentos favoráveis à PEC é o aumento do tempo de descanso e convivência familiar.
Estudos internacionais indicam que jornadas menores podem contribuir para:
- Redução do estresse
- Menor índice de burnout
- Aumento da produtividade
- Melhora da saúde mental
- Diminuição do absenteísmo
Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) já mostram que excesso de jornada está relacionado ao crescimento de doenças ocupacionais e transtornos psicológicos.
Mudanças no mercado de trabalho
Outro ponto debatido é a possibilidade de abertura de novas vagas formais.
Com menos horas por trabalhador, empresas podem precisar contratar mais funcionários para manter operações em funcionamento.
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Economistas favoráveis à medida defendem que isso pode:
- Estimular o emprego
- Reduzir informalidade
- Melhorar distribuição de renda
- Aumentar consumo interno
Empresários demonstram preocupação
Entidades empresariais, no entanto, alertam para possíveis impactos financeiros.
Entre os principais pontos levantados estão:
- Aumento do custo operacional
- Necessidade de novas contratações
- Reorganização de escalas
- Pressão sobre pequenas empresas
- Possível aumento de preços ao consumidor
Setores como comércio e serviços são considerados os mais sensíveis à mudança.
Representantes empresariais defendem que a transição gradual prevista na PEC será fundamental para adaptação do mercado.
Como funciona atualmente a jornada de trabalho no Brasil
Hoje, a Constituição Federal estabelece:
- Jornada máxima de 44 horas semanais
- Até 8 horas diárias
- Possibilidade de horas extras
A CLT também prevê diferentes escalas, incluindo:
- 6×1
- 5×2
- 12×36
- Escalas de revezamento
A mudança constitucional exigirá atualização de acordos coletivos, convenções sindicais e contratos de trabalho em todo o país.
O que acontece agora
Após aprovação na Câmara, a PEC segue para o Senado Federal.
Para entrar em vigor, o texto ainda precisa:
- Ser aprovado em dois turnos no Senado
- Obter apoio mínimo de 3/5 dos senadores
- Ser promulgado pelo Congresso Nacional
Caso seja aprovada sem alterações, a nova regra poderá começar a valer parcialmente ainda em 2026, respeitando o cronograma de transição previsto.
Debate sobre jornada de trabalho cresce no mundo

O Brasil não é o único país discutindo redução de jornada.
Nos últimos anos, países como:
- Reino Unido
- Islândia
- Espanha
- Bélgica
- Japão
passaram a testar modelos com menos horas de trabalho semanal.
Em vários casos, empresas registraram:
- Aumento de produtividade
- Menor rotatividade
- Maior satisfação dos funcionários
No entanto, especialistas alertam que cada país possui realidade econômica diferente, o que exige adaptação das políticas ao contexto brasileiro.
Conclusão
A aprovação da PEC que reduz a jornada semanal para 40 horas e permite o fim da escala 6×1 marca um momento histórico nas relações de trabalho no Brasil. A proposta amplia o debate sobre equilíbrio entre vida profissional e pessoal, produtividade e modernização das regras trabalhistas. Agora, o texto segue para análise do Senado, onde continuará gerando discussões entre trabalhadores, empresas e representantes políticos sobre os impactos econômicos e sociais da mudança.
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