O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a retomada das visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar humanitária. A decisão encerra uma suspensão de 90 dias, mas mantém limitações para impedir que os encontros sejam utilizados para promover atividades político-eleitorais.
A autorização não significa o fim das medidas cautelares impostas ao ex-presidente. Moraes estabeleceu que as visitas não podem servir para articulações eleitorais nem para divulgar declarações de Jair Bolsonaro relacionadas à disputa política.
A decisão ocorre em um período de movimentação no cenário político nacional, com Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no centro das atenções eleitorais.
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Por que Flávio Bolsonaro estava impedido de visitar o pai?

A suspensão das visitas foi determinada em julho de 2026, depois que Jair Bolsonaro divulgou uma carta pública de apoio à pré-candidatura do filho à Presidência da República. A manifestação foi considerada incompatível com as condições estabelecidas pela Justiça para o cumprimento da prisão domiciliar.
Na mensagem, o ex-presidente pediu que seus apoiadores deixassem de lado divergências internas e se mobilizassem em torno de Flávio. Bolsonaro afirmou confiar no filho para conduzir o país e associou sua candidatura a propostas de combate à corrupção, à violência e ao empobrecimento.
A carta terminou com o lema “Deus, pátria, família e liberdade”. A divulgação do documento motivou a aplicação da restrição temporária às visitas, dentro das medidas de controle determinadas pelo STF.
Prazo de suspensão chegou ao fim
A proibição foi estabelecida por 90 dias, período que terminou em 11 de outubro de 2026. Ao autorizar a retomada dos encontros, Moraes considerou encerrado o prazo da sanção e registrou que não havia ocorrido fato novo que justificasse sua prorrogação, conforme apontado também pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Com isso, Flávio pode voltar a visitar o pai, desde que respeite as condições fixadas judicialmente.
O que Flávio Bolsonaro pode fazer durante as visitas?
A principal condição é que os encontros não tenham finalidade político-eleitoral. Na prática, a autorização permite o contato familiar, mas não deve ser interpretada como uma liberação para organizar estratégias de campanha, transmitir mensagens eleitorais do ex-presidente ou utilizar as visitas como instrumento de propaganda política.
A restrição também alcança a divulgação de declarações de Jair Bolsonaro sobre a eleição. O objetivo da determinação é impedir que o contato autorizado seja usado para contornar as limitações impostas ao ex-presidente durante a prisão domiciliar.
O alcance concreto das regras depende do conteúdo da decisão judicial e de sua aplicação às circunstâncias específicas. Eventuais dúvidas sobre o cumprimento das condições podem ser analisadas pelo próprio Judiciário.
Por que Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar?

Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por cinco crimes relacionados à tentativa de impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva após as eleições de 2022. Entre os delitos apontados na condenação estão golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, liderança de organização criminosa, dano contra patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
Segundo o histórico apresentado no caso, o ex-presidente começou a cumprir a pena em novembro de 2025, na Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal. Posteriormente, foi transferido para a Papudinha, em Brasília.
Em 24 de março de 2026, Alexandre de Moraes concedeu a prisão domiciliar humanitária por razões de saúde. O benefício veio acompanhado de condições judiciais, entre elas a proibição de utilizar redes sociais diretamente ou por intermédio de terceiros.
O episódio da carta de apoio a Flávio foi enquadrado no contexto dessas restrições. Por isso, a retomada das visitas não elimina as demais obrigações impostas a Jair Bolsonaro.
Pedro Ladeira/Folhapress
