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Após novo programa de Lula, Caixa libera milhões para financiar casas de Classe Média

Novo limite da Caixa permite financiar imóveis de até R$ 2,25 milhões com uso do FGTS e entrada menor. Veja regras, condições e como solicitar.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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A Caixa Econômica Federal começou a operar nesta segunda-feira (20) com as novas regras de financiamento imobiliário que ampliam o teto para aquisição de imóveis residenciais dentro do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). A mudança eleva o valor máximo financiado de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões, com uso do FGTS e condições mais acessíveis para famílias de renda média e alta.

A medida integra um pacote do governo federal que reformula a utilização dos recursos da poupança, buscando ampliar o crédito habitacional e estimular o setor da construção civil.

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Imagem: Canva

Financiamento com entrada menor e uso do FGTS ampliado

Uma das principais novidades é o aumento no percentual financiável. A Caixa passa a financiar até 80% do valor do imóvel na modalidade SAC (Sistema de Amortização Constante), exigindo entrada de 20%. Antes, esse índice era de até 70%, com entrada de 30%. Isso reduz a exigência inicial de recursos próprios por parte do comprador.

Além disso, o saldo do FGTS pode ser utilizado em diversas etapas do financiamento:

  • Como entrada na aquisição do imóvel;
  • Para amortização de saldo devedor (reduzindo parcelas ou prazo);
  • Para pagamento de parte das prestações mensais.

Essa flexibilização deve beneficiar especialmente famílias com renda mensal acima de R$ 12 mil, que não se enquadram em programas como o Minha Casa, Minha Vida.

Juros limitados e expansão do uso da poupança

Outra mudança relevante é o limite de juros: até 12% ao ano, dentro das regras do SFH. Isso torna as taxas mais competitivas em comparação com o mercado de crédito livre.

Para viabilizar esse modelo, o governo também alterou a regra de alocação de recursos da poupança. Atualmente, os bancos precisam destinar 65% dos depósitos para financiamentos imobiliários. Com as novas normas, esse percentual aumentará gradualmente até atingir 100%, sendo que pelo menos 80% deverão ser aplicados em imóveis dentro do SFH.

Condições para uso do FGTS

Para que o comprador possa utilizar o saldo do FGTS, é necessário cumprir os seguintes critérios:

Requisitos do comprador:

  • Ter no mínimo 3 anos de trabalho sob o regime do FGTS (em períodos consecutivos ou não).
  • Não possuir financiamento ativo no SFH.
  • Não ser proprietário de imóvel residencial urbano no município onde reside ou trabalha.

Requisitos do imóvel:

  • Valor de avaliação de até R$ 2.250.000,00.
  • Ser de uso residencial urbano.
  • Estar em plenas condições de habitabilidade na avaliação final.
  • Não ter sido adquirido com uso do FGTS nos últimos 3 anos.
  • Ser destinado à moradia do titular.

Restrições para uso do FGTS

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Imagem: Canva

Mesmo com a ampliação do teto, o FGTS não pode ser utilizado nas seguintes situações:

  • Compra de imóvel comercial ou rural;
  • Aquisição de terreno sem construção simultânea;
  • Compra para terceiros (familiares ou dependentes);
  • Reforma, ampliação ou compra de material de construção.

Modalidades de financiamento

A Caixa oferece duas formas principais de financiamento, conforme o sistema de amortização escolhido:

SAC – Sistema de Amortização Constante

  • Financia até 80% do valor do imóvel.
  • Exige entrada de 20%.
  • As parcelas começam maiores e diminuem com o tempo.

Tabela Price

  • Financia até 70% do valor do imóvel.
  • Exige entrada de 30%.
  • Parcelas fixas ao longo do tempo, mas com maior concentração de juros no início.

Passo a passo para solicitar o financiamento

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Para contratar o crédito habitacional com as novas regras, o processo é simples e pode começar online:

  1. Simulação: Acesse o site da Caixa ou o aplicativo Habitação Caixa e realize uma simulação para entender prazos, parcelas e condições.
  2. Documentação: Reúna RG, CPF, comprovantes de renda e endereço, e a última declaração do Imposto de Renda.
  3. Agência da Caixa: Compareça a uma agência com os documentos para apresentar a proposta e dar andamento ao processo.
  4. Análise de crédito e do imóvel: A Caixa analisará sua capacidade de pagamento e fará a avaliação do imóvel.
  5. Assinatura e registro: Após a aprovação, ocorre a assinatura do contrato e registro no cartório de imóveis.

Impacto no mercado imobiliário

Segundo a Caixa, a expectativa com o novo teto é impulsionar mais de 80 mil novos financiamentos até 2026, movimentando especialmente o setor de imóveis de médio e alto padrão, que estavam fora das políticas habitacionais subsidiadas.

Dados de mercado

  • Em 2024, a Caixa contratou R$ 223,6 bilhões em crédito habitacional — o maior volume da história em um único ano.
  • No primeiro semestre de 2025, o banco somou R$ 875,5 bilhões no saldo da carteira e financiou mais de 369 mil imóveis.

Com 66,8% de participação no mercado de crédito imobiliário, a Caixa lidera o segmento e aposta nas novas regras para ampliar o acesso à moradia formal.

Por que o limite subiu agora?

A mudança no teto financiável está atrelada ao aumento no valor dos imóveis nos últimos anos, especialmente nas grandes capitais. Segundo dados do FipeZap, o valor médio do metro quadrado residencial cresceu acima da inflação em várias regiões, dificultando o acesso de famílias de classe média ao financiamento habitacional com condições vantajosas.

Ao atualizar o limite do SFH para R$ 2,25 milhões, o governo busca alinhar as regras à realidade do mercado, ampliando o público elegível e mantendo o FGTS como ferramenta de apoio à compra da casa própria.

Avaliação do setor

FGTS
Imagem: Brenda Rocha – Blossom/shutterstock

Especialistas do mercado imobiliário veem a medida com otimismo. A possibilidade de utilizar o FGTS para imóveis mais caros amplia as opções de compra e tende a aquecer os lançamentos voltados para a classe média.

Além disso, o aumento da alocação obrigatória de recursos da poupança no crédito habitacional deve impulsionar a concorrência entre bancos e reduzir o custo final para o consumidor.

Imagem: Agência Brasil

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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