O governo federal anunciou nesta sexta-feira (10) uma ampla reformulação no sistema de crédito imobiliário, voltada principalmente à classe média. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da cerimônia de lançamento do novo modelo, que promete modernizar o financiamento habitacional e tornar o sistema mais eficiente.
Novo modelo de financiamento imobiliário do governo mira classe média
Governo lança novo modelo de crédito imobiliário voltado à classe média, com teto de financiamento ampliado e mudanças.
A principal mudança é o fim gradual da regra que obriga 65% dos depósitos em poupança a serem destinados ao crédito imobiliário. Com a alteração, toda a poupança servirá como referência para o volume total de crédito, permitindo maior flexibilidade e acesso a imóveis de diferentes faixas de valor.
Entenda o novo modelo de financiamento

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O novo modelo foi elaborado em conjunto pelos ministérios da Fazenda e das Cidades, com apoio do Banco Central. A proposta faz parte de uma estratégia mais ampla de estímulo ao crédito e fortalecimento da economia, em especial no setor da construção civil.
Segundo o governo, a iniciativa deve ampliar o acesso da classe média à casa própria, um público que, nos últimos anos, enfrentou dificuldades para obter crédito habitacional em condições favoráveis.
Mudanças na aplicação da poupança
Até hoje, os bancos eram obrigados a destinar 65% dos recursos captados na poupança para o crédito imobiliário, dentro do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).
Com o novo modelo, essa regra será gradualmente substituída por um sistema mais dinâmico. Em vez de impor percentuais fixos, toda a poupança servirá como base para definir o volume de crédito disponível para habitação, de acordo com a demanda e com o cenário econômico.
Cronograma de transição
A transição será gradual, conforme explicou o governo. O modelo atual permanecerá em vigor até janeiro de 2027, mas os percentuais obrigatórios de aplicação serão reduzidos progressivamente até que o novo formato esteja totalmente implementado.
A medida busca evitar impactos abruptos no setor e garantir estabilidade ao mercado imobiliário durante a adaptação.
| Ano | Percentual mínimo de aplicação obrigatória em habitação |
|---|---|
| 2025 | 55% |
| 2026 | 45% |
| 2027 | Livre (novo modelo integralmente em vigor) |
Estímulo à economia e ao investimento
Durante a cerimônia de lançamento, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ressaltou o potencial do novo modelo para destravar investimentos e movimentar a economia.
O governo aposta que a medida injetará dinamismo no setor da construção civil, tradicionalmente um dos que mais geram empregos e renda.
Além disso, o aumento do crédito e do teto de financiamento pode estimular o mercado imobiliário privado, ampliando a oferta de imóveis e impulsionando o consumo de materiais de construção e serviços relacionados.
Contexto econômico e desafios
O anúncio ocorre em um momento de desafios fiscais para o governo. Após a derrubada da Medida Provisória 1.303, que previa a taxação de aplicações financeiras, a equipe econômica buscava alternativas para sustentar sua agenda de crescimento e equilíbrio das contas públicas.
O novo modelo de crédito surge, portanto, como uma estratégia para gerar atividade econômica sem aumentar impostos, apostando na expansão do crédito e na confiança do setor privado.
Parceria entre governo e Banco Central
A participação do Banco Central foi crucial para a formulação do novo modelo. O presidente interino da instituição, Gabriel Galípolo, participou da cerimônia ao lado do presidente Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin.
A presença de autoridades econômicas reforça a ideia de que o projeto tem base técnica sólida e alinhamento institucional.
Como o novo modelo afeta o consumidor
Para o comprador de imóveis, as mudanças trazem novas possibilidades de acesso ao crédito. Com maior oferta de financiamento e teto mais alto, famílias da classe média poderão adquirir imóveis de melhor padrão ou em regiões mais valorizadas.
Além disso, a flexibilização nas regras de aplicação da poupança pode reduzir a pressão sobre os juros do crédito imobiliário, tornando o financiamento mais acessível.
Expectativas do setor imobiliário
O mercado imobiliário recebeu o anúncio com otimismo. Segundo entidades do setor, como a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), a reforma deve ampliar a liquidez e modernizar o sistema, atendendo melhor às demandas regionais.
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Empresas da construção civil também preveem aumento na demanda por novos empreendimentos, especialmente voltados à classe média, que representa uma fatia expressiva do público comprador.
Próximos passos

O governo pretende publicar, nas próximas semanas, decretos e resoluções complementares detalhando as regras de transição e os critérios técnicos de alocação de recursos.
Até 2026, o Banco Central deverá monitorar o impacto do novo modelo na oferta de crédito e no comportamento da poupança. Caso os resultados sejam positivos, há possibilidade de expandir o modelo para outras modalidades de financiamento, como crédito rural e infraestrutura urbana.
FAQ – Perguntas frequentes
1. Quando o novo modelo de financiamento imobiliário entra em vigor?
A implementação será gradual até janeiro de 2027, com reduções progressivas nas exigências de aplicação da poupança.
2. Quem será beneficiado pelas mudanças?
Principalmente famílias da classe média, que terão acesso a imóveis de maior valor com condições de financiamento mais favoráveis.
3. O que muda no teto de financiamento?
O limite sobe de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões dentro do Sistema Financeiro da Habitação (SFH).
4. A regra dos 65% da poupança vai acabar?
Sim. O percentual obrigatório será reduzido até 2027, quando todo o volume da poupança servirá como referência para a concessão de crédito.
5. O novo modelo pode reduzir os juros?
O governo espera que a maior eficiência e liquidez no sistema resultem em juros mais baixos e condições mais acessíveis de financiamento.
Considerações finais
O novo modelo de financiamento imobiliário marca um passo importante na modernização do crédito habitacional no Brasil. Ao focar na classe média e flexibilizar as regras de aplicação da poupança, o governo busca equilibrar estímulo econômico, eficiência e inclusão financeira.
Embora a transição até 2027 exija ajustes e monitoramento, especialistas avaliam que a medida pode fortalecer o mercado imobiliário e contribuir para o crescimento sustentado da economia brasileira nos próximos anos.
