A fintech argentina Belo levantou US$ 14 milhões em uma rodada Série A liderada pela Tether, uma das maiores emissoras de stablecoins do mundo. O investimento reforça a aposta no uso de criptomoedas estáveis como alternativa aos sistemas financeiros tradicionais, especialmente em mercados emergentes da América Latina.
Argentina Belo levanta US$ 14 mi para expandir pagamentos com Pix
Fintech Belo recebe US$ 14 milhões da Tether e amplia pagamentos com stablecoins na América Latina.
Fundada em 2021, a Belo nasceu com um modelo voltado para transações internacionais e rapidamente expandiu sua atuação para atender profissionais que recebem em moedas fortes, como dólar e euro, mas vivem em países com moedas mais voláteis.
Hoje, a empresa já opera oficialmente no Brasil e busca consolidar sua presença em toda a região.
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O que faz a Belo e como funciona seu modelo
Plataforma integrada de pagamentos e conversão
A Belo oferece um aplicativo que permite aos usuários:
- receber pagamentos do exterior
- converter moedas automaticamente
- utilizar os recursos no dia a dia
A grande diferença está na infraestrutura baseada em stablecoins, que reduz a dependência de intermediários tradicionais.
Na prática, o usuário pode, por exemplo:
- receber em dólar
- manter o valor em stablecoin
- converter para reais apenas no momento do uso
Isso traz mais controle sobre o câmbio e pode reduzir custos.
Integração com sistemas locais
No Brasil, a fintech se conectou ao Pix, permitindo transferências rápidas e pagamentos no comércio.
Na Argentina, a integração ocorre com sistemas locais equivalentes, facilitando o uso no dia a dia.
Brasil e Argentina: um corredor estratégico
Turismo e consumo impulsionam uso
Um dos primeiros casos de uso relevantes foi o fluxo entre Brasil e Argentina. A empresa identificou uma demanda crescente de turistas que precisavam de formas mais práticas de pagamento.
Destinos como Buenos Aires, Mendoza e Ushuaia impulsionaram essa necessidade, especialmente entre brasileiros.
Segundo o CEO Manuel Beaudroit, comerciantes argentinos buscavam alternativas mais simples para aceitar pagamentos de estrangeiros — o que abriu espaço para soluções digitais.
Movimento inverso também cresce
Com a retomada do turismo argentino no Brasil, a Belo também passou a processar pagamentos feitos por esses visitantes em território brasileiro.
Nesse caso, o funcionamento é simples:
- o usuário deposita pesos argentinos
- o sistema converte automaticamente para reais
- o pagamento é feito via QR Code ou telefone
Concorrência e posicionamento no mercado
Disputa com grandes fintechs
A Belo disputa espaço com empresas como a Wise, conhecida por serviços de câmbio e transferências internacionais.
Além disso, enfrenta concorrência indireta de gigantes como o Mercado Pago, que também investe em soluções cross-border — incluindo pagamentos via Pix na Argentina.
Diferencial da Belo
A proposta da startup é integrar tudo em um único fluxo:
- recebimento internacional
- conversão de moeda
- uso no varejo
Diferente de plataformas focadas apenas em transferência ou folha de pagamento, a Belo busca simplificar toda a jornada financeira do usuário.
Por que as stablecoins são centrais nesse modelo
Menos custo e mais eficiência
As stablecoins são criptomoedas atreladas a ativos estáveis, como o dólar. Isso reduz a volatilidade típica do mercado cripto.
No modelo da Belo, elas permitem:
- liquidações mais rápidas
- menos intermediários
- custos potencialmente menores
Segundo a empresa, as tarifas variam conforme o tipo de operação, mas a proposta é manter transparência e previsibilidade.
Alternativa ao sistema financeiro tradicional
Em países da América Latina, onde há:
- inflação elevada
- restrições cambiais
- burocracia bancária
as stablecoins surgem como uma alternativa prática para proteger valor e facilitar transações internacionais.
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Expansão na América Latina
Novos mercados no radar
Com o novo aporte, a Belo pretende acelerar sua presença em países como:
- Chile
- Colômbia
- Peru
- Bolívia
- Paraguai
A estratégia inclui:
- obtenção de licenças regulatórias
- integração com sistemas de pagamento locais
- aprimoramento do produto
Base de usuários em crescimento
Atualmente, a fintech conta com cerca de 3,3 milhões de usuários distribuídos pela América Latina.
Segundo dados da própria empresa, a operação já é lucrativa há três anos — um diferencial relevante no ecossistema de startups.
O papel do investimento da Tether
A participação da Tether na rodada reforça a conexão entre o mercado de criptomoedas e soluções financeiras tradicionais.
Para a emissora de stablecoins, investir em empresas como a Belo significa:
- ampliar o uso real das stablecoins
- expandir sua presença em mercados emergentes
- fortalecer a infraestrutura global de pagamentos digitais
Esse movimento também sinaliza uma tendência: a aproximação entre fintechs e o universo cripto.
O que isso muda para brasileiros
Mais opções para quem recebe do exterior
Profissionais brasileiros que trabalham para empresas internacionais podem se beneficiar com:
- recebimento mais rápido
- menor custo de conversão
- uso direto no dia a dia
Impacto no turismo e consumo
Para turistas, a solução pode:
- facilitar pagamentos em outros países
- reduzir dependência de casas de câmbio
- oferecer taxas mais competitivas
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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