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Nubank, Mercado Pago e mais: veja por que não precisam informar dados do Pix à Receita

Receita Federal revoga normativa polêmica e fintechs, como Nubank e Mercado Pago, não precisam reportar movimentações via Pix.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
pix receita federal

Após intensa repercussão negativa, o governo federal revogou a normativa da Receita Federal que obrigava fintechs a reportarem movimentações financeiras de seus clientes via Pix. A mudança trouxe alívio para cerca de 200 instituições financeiras, incluindo nomes populares como Nubank, Mercado Pago, PicPay e Shopee.

Com a decisão, as regras antigas voltaram a valer, mantendo apenas os bancos tradicionais responsáveis por enviar relatórios financeiros à Receita. Neste artigo, detalhamos como as mudanças afetam fintechs, clientes e a fiscalização do governo.

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Imagem: Wright Studio / shutterstock.com

O que dizia a normativa revogada?

A normativa estabelecia que fintechs e empresas de maquininha de cartão deveriam reportar movimentações financeiras acima de:

  • R$ 5 mil para pessoas físicas.
  • R$ 15 mil para pessoas jurídicas.

O envio das informações seria feito por meio da e-Financeira, ferramenta utilizada para compartilhar dados com a Receita Federal.

A proposta gerou preocupações sobre possíveis excessos de fiscalização, especialmente entre pequenos empresários e trabalhadores informais que utilizam o Pix como principal meio de pagamento.

Quais regras voltaram a valer?

Com a revogação da normativa, as regras anteriores passaram a vigorar novamente, limitando a obrigatoriedade de reportar movimentações financeiras aos bancos tradicionais.

Os limites são:

  • Movimentações superiores a R$ 2 mil para pessoas físicas.
  • Movimentações superiores a R$ 6 mil para empresas.

Fintechs e operadores de varejo que oferecem cartões de crédito ou maquininhas estão, portanto, isentos dessa responsabilidade.

Por que a normativa foi revogada?

A decisão de revogar a normativa foi motivada pela pressão social e críticas de diversos setores. Embora a Receita Federal tenha argumentado que o objetivo não era fiscalizar pequenos empresários ou trabalhadores informais, a percepção pública foi de que a medida poderia resultar em uma ampliação da vigilância financeira, afetando negativamente a confiança nos sistemas digitais de pagamento.

O papel das fintechs na nova configuração

bancos e fintechs
Imagem: Den Rise/shutterstock.com

Embora isentas de reportar movimentações via Pix, muitas fintechs continuam adotando práticas de monitoramento interno. Isso ocorre porque o segmento já possui um histórico de implementar ferramentas próprias para rastrear transações e identificar possíveis irregularidades financeiras.

Fintechs como Nubank, PagSeguro e Mercado Pago utilizam esses dados para:

  • Garantir a segurança das transações.
  • Atender às normas de prevenção à lavagem de dinheiro.
  • Fornecer relatórios detalhados para os próprios clientes.

A Medida Provisória e o Pix como “dinheiro vivo”

Como parte das mudanças, o governo federal editou uma Medida Provisória (MP) que equipara o Pix ao dinheiro vivo. Isso significa que:

  1. O Pix será tratado como uma transação em espécie, sem incidência de taxas para o usuário.
  2. A MP proíbe a criação de impostos ou cobranças específicas sobre o uso do Pix.

A proposta segue para votação no Congresso Nacional após o recesso parlamentar e pode definir o futuro da política em torno dos pagamentos instantâneos no Brasil.

O que diz a Receita Federal sobre as mudanças?

A Receita Federal afirmou que a normativa revogada tinha como objetivo apenas modernizar os mecanismos de fiscalização. Segundo o órgão:

  • Não havia intenção de monitorar pequenas transações realizadas por microempreendedores ou informais.
  • A normativa buscava ampliar a transparência em movimentações financeiras de grande porte.

Ainda assim, a Receita destacou que os bancos tradicionais continuam responsáveis pelo envio de informações sobre movimentações relevantes.

Impactos da decisão

Para as fintechs

A revogação da normativa isenta as fintechs de custos operacionais e responsabilidades adicionais, permitindo que concentrem esforços em inovação e expansão de seus serviços.

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Para os clientes

Consumidores e pequenos empresários que utilizam fintechs como principais plataformas de pagamento se sentem mais confiantes em relação à privacidade de suas transações.

Para a Receita Federal

O órgão perde uma ferramenta potencial de fiscalização, mas mantém a supervisão centralizada nos bancos tradicionais, que já são responsáveis por grande parte do fluxo financeiro do país.

Como os bancos tradicionais se posicionam?

Os bancos tradicionais continuam reportando movimentações financeiras acima dos limites estabelecidos. Entretanto, a concentração dessa responsabilidade em um número menor de instituições pode gerar críticas por:

  • Desigualdade regulatória: Enquanto fintechs têm menos obrigações, bancos tradicionais enfrentam maior carga de compliance.
  • Possível evasão fiscal: Transações realizadas exclusivamente por fintechs podem escapar da vigilância do fisco.

O que esperar do Congresso Nacional?

Prédio do Congresso Nacional brasileiro, em Brasília.
Imagem: Alejandro Zambrana / Shutterstock.com

A votação da MP que equipara o Pix ao dinheiro vivo será um momento decisivo. Especialistas apontam que:

  • A proibição de taxas sobre o Pix pode consolidar sua popularidade como meio de pagamento.
  • A equiparação ao dinheiro vivo reforça o compromisso com a acessibilidade financeira.

No entanto, há um debate em curso sobre como garantir que o Pix não seja utilizado para evasão fiscal ou atividades ilícitas, sem sobrecarregar o sistema de fiscalização.

Considerações finais

A revogação da normativa da Receita Federal foi um movimento importante para preservar a confiança dos consumidores e fortalecer o uso de fintechs e pagamentos digitais no Brasil.

Embora a medida alivie as responsabilidades das fintechs, o debate sobre privacidade financeira e fiscalização eficiente permanece em destaque, especialmente com a iminente votação da MP no Congresso Nacional.

O futuro do Pix, das fintechs e da regulação financeira brasileira depende de como o governo equilibrará inovação, acessibilidade e supervisão.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital 

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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