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Fitch mantém rating do Brasil a dois níveis do grau de investimento

Fitch reafirma nota BB do Brasil, mas alerta para dívida pública, déficit fiscal e desafios para melhorar a avaliação do país.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Fitch mantém rating do Brasil a dois níveis do grau de investimento

A agência de classificação de risco Fitch Ratings manteve a nota de crédito soberano do Brasil em “BB”, com perspectiva estável, mas reforçou um alerta que vem sendo acompanhado de perto pelo mercado financeiro: a situação fiscal continua sendo o principal obstáculo para uma melhora da avaliação do país.

A decisão significa que o Brasil permanece dois níveis abaixo do chamado grau de investimento, classificação atribuída a países considerados com menor risco de inadimplência. Apesar disso, a agência reconhece pontos positivos da economia brasileira, como o tamanho do mercado interno, a diversidade da produção, o volume de reservas internacionais e a capacidade do câmbio de absorver choques externos.

Ao mesmo tempo, a Fitch destaca que o crescimento da dívida pública, o orçamento engessado e a dificuldade de avançar em reformas estruturais seguem limitando a confiança sobre as contas públicas.

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Imagem gerada por IA/ Seu Crédito Digital

O que significa a nota BB da Fitch para o Brasil

As notas atribuídas pelas agências de classificação de risco funcionam como uma avaliação da capacidade de um país honrar seus compromissos financeiros.

A classificação “BB” indica que o Brasil possui fundamentos econômicos relevantes, mas ainda apresenta riscos acima dos países considerados grau de investimento.

Na prática, uma nota mais baixa pode influenciar fatores como:

  • Custo de financiamento do governo;
  • Percepção de investidores estrangeiros;
  • Entrada de capital internacional;
  • Condições de crédito para empresas e consumidores.

Uma melhora na classificação poderia representar uma percepção de menor risco, enquanto dificuldades fiscais podem impedir avanços na avaliação.

Por que a Fitch mantém preocupação com as contas públicas

Segundo a agência, o principal problema brasileiro está relacionado à trajetória das despesas públicas e ao aumento da dívida.

A Fitch afirmou que a “incerteza fiscal continua sendo um risco macroeconômico mais amplo”, destacando que a dificuldade de equilibrar receitas e gastos limita a possibilidade de uma melhora da nota.

Entre os fatores apontados estão:

Crescimento da dívida pública

A agência estima que a dívida bruta do setor público brasileiro, que estava em 76,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2024, avançou para 78,6% em 2025.

A projeção é que o indicador ultrapasse 80% do PIB em 2026.

Esse aumento é explicado principalmente por dois fatores:

  • Déficits fiscais persistentes;
  • Alto custo dos juros sobre o estoque da dívida.

Quanto maior a dívida em relação ao tamanho da economia, maior é a preocupação sobre a sustentabilidade das contas públicas no longo prazo.

Rigidez do orçamento brasileiro

Outro ponto destacado pela Fitch é a dificuldade do governo em reduzir despesas obrigatórias.

Grande parte do orçamento federal já possui destinação definida por regras constitucionais ou legais, reduzindo o espaço para cortes e ajustes rápidos.

Essa característica torna mais complexo o processo de controle dos gastos públicos.

Déficit público deve continuar elevado

A agência prevê que o déficit do setor público geral brasileiro aumente de 8,1% do PIB em 2025 para 8,6% em 2026.

O número fica significativamente acima da média de países com classificação semelhante à do Brasil, cuja mediana estimada pela Fitch é de aproximadamente 3,5%.

Esse cenário mostra que o equilíbrio fiscal continua sendo um dos principais desafios para o país nos próximos anos.

Reformas podem definir próximos passos da avaliação do Brasil

Na análise divulgada, a Fitch afirma que as perspectivas de reformas capazes de enfrentar os desequilíbrios fiscais devem ficar mais claras após as eleições presidenciais de outubro.

A agência avalia que mudanças estruturais dependerão do direcionamento político e econômico adotado pelo próximo governo.

Segundo a Fitch, diferentes administrações podem seguir caminhos distintos em relação às contas públicas, mas a implementação de medidas continuará sendo um fator decisivo para a percepção dos investidores.

Quais fatores positivos sustentam a economia brasileira

Apesar das preocupações fiscais, a Fitch reconhece características que ajudam a manter a nota brasileira.

Entre os pontos positivos estão:

Economia grande e diversificada

O Brasil possui uma das maiores economias do mundo e conta com uma estrutura produtiva ampla, envolvendo setores como:

  • Agronegócio;
  • Indústria;
  • Energia;
  • Mineração;
  • Serviços.

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Essa diversidade reduz a dependência de uma única atividade econômica.

Reservas internacionais elevadas

O país mantém um volume significativo de reservas em moeda estrangeira, considerado um importante mecanismo de proteção contra crises externas.

Esse fator aumenta a capacidade do Brasil de enfrentar períodos de instabilidade internacional.

Regime de câmbio flexível

A variação do câmbio também é apontada como uma vantagem, pois permite que a moeda brasileira se ajuste diante de mudanças no cenário global.

Em momentos de pressão externa, essa flexibilidade ajuda a economia a absorver impactos.

Expectativa para o crescimento da economia brasileira

Mesmo diante dos desafios fiscais, a Fitch mantém uma visão de crescimento moderado para o Brasil.

A projeção da agência é de expansão de 2,1% do PIB em 2026, após crescimento estimado de 2,3% em 2025.

O desempenho deve continuar apoiado por fatores como:

  • Mercado de trabalho aquecido;
  • Aumento dos salários reais;
  • Consumo interno;
  • Impactos de mudanças recentes no sistema tributário.

A reforma do Imposto de Renda aprovada anteriormente também aparece como um dos elementos que podem influenciar a atividade econômica.

O que a avaliação da Fitch representa para brasileiros

Embora uma nota de risco soberano pareça um tema distante da vida cotidiana, seus efeitos podem chegar ao consumidor.

Uma avaliação de crédito influencia o ambiente econômico de diversas formas.

Quando investidores percebem maior risco fiscal, podem exigir retornos maiores para financiar o país, o que pode pressionar juros e afetar o custo de crédito.

Por outro lado, avanços na organização das contas públicas podem melhorar a confiança, favorecer investimentos e contribuir para condições econômicas mais estáveis.

(Foto: Reinhard Krause/Reuters)

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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