A agência de classificação de risco Fitch Ratings manteve a nota de crédito soberano do Brasil em “BB”, com perspectiva estável, mas reforçou um alerta que vem sendo acompanhado de perto pelo mercado financeiro: a situação fiscal continua sendo o principal obstáculo para uma melhora da avaliação do país.
Fitch mantém rating do Brasil a dois níveis do grau de investimento
Fitch reafirma nota BB do Brasil, mas alerta para dívida pública, déficit fiscal e desafios para melhorar a avaliação do país.
A decisão significa que o Brasil permanece dois níveis abaixo do chamado grau de investimento, classificação atribuída a países considerados com menor risco de inadimplência. Apesar disso, a agência reconhece pontos positivos da economia brasileira, como o tamanho do mercado interno, a diversidade da produção, o volume de reservas internacionais e a capacidade do câmbio de absorver choques externos.
Ao mesmo tempo, a Fitch destaca que o crescimento da dívida pública, o orçamento engessado e a dificuldade de avançar em reformas estruturais seguem limitando a confiança sobre as contas públicas.
Leia mais:
Ata do Copom redesenha estratégias de investimento

O que significa a nota BB da Fitch para o Brasil
As notas atribuídas pelas agências de classificação de risco funcionam como uma avaliação da capacidade de um país honrar seus compromissos financeiros.
A classificação “BB” indica que o Brasil possui fundamentos econômicos relevantes, mas ainda apresenta riscos acima dos países considerados grau de investimento.
Na prática, uma nota mais baixa pode influenciar fatores como:
- Custo de financiamento do governo;
- Percepção de investidores estrangeiros;
- Entrada de capital internacional;
- Condições de crédito para empresas e consumidores.
Uma melhora na classificação poderia representar uma percepção de menor risco, enquanto dificuldades fiscais podem impedir avanços na avaliação.
Por que a Fitch mantém preocupação com as contas públicas
Segundo a agência, o principal problema brasileiro está relacionado à trajetória das despesas públicas e ao aumento da dívida.
A Fitch afirmou que a “incerteza fiscal continua sendo um risco macroeconômico mais amplo”, destacando que a dificuldade de equilibrar receitas e gastos limita a possibilidade de uma melhora da nota.
Entre os fatores apontados estão:
Crescimento da dívida pública
A agência estima que a dívida bruta do setor público brasileiro, que estava em 76,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2024, avançou para 78,6% em 2025.
A projeção é que o indicador ultrapasse 80% do PIB em 2026.
Esse aumento é explicado principalmente por dois fatores:
- Déficits fiscais persistentes;
- Alto custo dos juros sobre o estoque da dívida.
Quanto maior a dívida em relação ao tamanho da economia, maior é a preocupação sobre a sustentabilidade das contas públicas no longo prazo.
Rigidez do orçamento brasileiro
Outro ponto destacado pela Fitch é a dificuldade do governo em reduzir despesas obrigatórias.
Grande parte do orçamento federal já possui destinação definida por regras constitucionais ou legais, reduzindo o espaço para cortes e ajustes rápidos.
Essa característica torna mais complexo o processo de controle dos gastos públicos.
Déficit público deve continuar elevado
A agência prevê que o déficit do setor público geral brasileiro aumente de 8,1% do PIB em 2025 para 8,6% em 2026.
O número fica significativamente acima da média de países com classificação semelhante à do Brasil, cuja mediana estimada pela Fitch é de aproximadamente 3,5%.
Esse cenário mostra que o equilíbrio fiscal continua sendo um dos principais desafios para o país nos próximos anos.
Reformas podem definir próximos passos da avaliação do Brasil
Na análise divulgada, a Fitch afirma que as perspectivas de reformas capazes de enfrentar os desequilíbrios fiscais devem ficar mais claras após as eleições presidenciais de outubro.
A agência avalia que mudanças estruturais dependerão do direcionamento político e econômico adotado pelo próximo governo.
Segundo a Fitch, diferentes administrações podem seguir caminhos distintos em relação às contas públicas, mas a implementação de medidas continuará sendo um fator decisivo para a percepção dos investidores.
Quais fatores positivos sustentam a economia brasileira
Apesar das preocupações fiscais, a Fitch reconhece características que ajudam a manter a nota brasileira.
Entre os pontos positivos estão:
Economia grande e diversificada
O Brasil possui uma das maiores economias do mundo e conta com uma estrutura produtiva ampla, envolvendo setores como:
- Agronegócio;
- Indústria;
- Energia;
- Mineração;
- Serviços.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Essa diversidade reduz a dependência de uma única atividade econômica.
Reservas internacionais elevadas
O país mantém um volume significativo de reservas em moeda estrangeira, considerado um importante mecanismo de proteção contra crises externas.
Esse fator aumenta a capacidade do Brasil de enfrentar períodos de instabilidade internacional.
Regime de câmbio flexível
A variação do câmbio também é apontada como uma vantagem, pois permite que a moeda brasileira se ajuste diante de mudanças no cenário global.
Em momentos de pressão externa, essa flexibilidade ajuda a economia a absorver impactos.
Expectativa para o crescimento da economia brasileira
Mesmo diante dos desafios fiscais, a Fitch mantém uma visão de crescimento moderado para o Brasil.
A projeção da agência é de expansão de 2,1% do PIB em 2026, após crescimento estimado de 2,3% em 2025.
O desempenho deve continuar apoiado por fatores como:
- Mercado de trabalho aquecido;
- Aumento dos salários reais;
- Consumo interno;
- Impactos de mudanças recentes no sistema tributário.
A reforma do Imposto de Renda aprovada anteriormente também aparece como um dos elementos que podem influenciar a atividade econômica.
O que a avaliação da Fitch representa para brasileiros
Embora uma nota de risco soberano pareça um tema distante da vida cotidiana, seus efeitos podem chegar ao consumidor.
Uma avaliação de crédito influencia o ambiente econômico de diversas formas.
Quando investidores percebem maior risco fiscal, podem exigir retornos maiores para financiar o país, o que pode pressionar juros e afetar o custo de crédito.
Por outro lado, avanços na organização das contas públicas podem melhorar a confiança, favorecer investimentos e contribuir para condições econômicas mais estáveis.
(Foto: Reinhard Krause/Reuters)
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
